Entrevista: Luiz Sales, da Avalara, explica como software houses podem se adaptar à nova realidade fiscal

Com a Reforma Tributária prestes a entrar em vigor em janeiro de 2026, o Brasil se prepara para uma transformação histórica em seu sistema fiscal, unificando cinco tributos em dois novos impostos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Essa mudança promete simplificar a cobrança, mas impõe um enorme desafio para as software houses brasileiras, empresas responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas de gestão empresarial (ERPs) que milhões de negócios utilizam diariamente.

Segundo dados recentes da Avalara, fintech global especializada em soluções fiscais, mais de 95% dessas empresas ainda não estão preparadas para as mudanças fiscais que devem ser implementadas em menos de um ano. Isso significa que, além da necessidade de uma profunda reformulação técnica de seus sistemas, elas enfrentam um ambiente regulatório complexo, com novas regras estaduais e municipais, que exigem rapidez, flexibilidade e investimentos que muitas vezes ultrapassam suas capacidades.

Essa falta de preparo pode gerar consequências graves, tanto para as software houses quanto para seus clientes, especialmente empresas de nicho que dependem desses sistemas para operar conforme a lei. Os riscos vão desde multas e penalidades até interrupções operacionais e perdas financeiras, tornando urgente a adoção de soluções eficazes e integradas que garantam conformidade e segurança.

Para entender melhor os principais obstáculos enfrentados, os impactos diretos nos negócios e as soluções disponíveis para acelerar essa adaptação, entrevistamos Luiz Sales, Head de Desenvolvimento de Negócios da Avalara, que compartilha insights valiosos sobre o cenário atual e os caminhos para o sucesso diante da maior reforma tributária dos últimos tempos.

tecflow: A Avalara estima que mais de 95% das empresas de software ainda não estão preparadas para a Reforma Tributária. Quais são os principais obstáculos que essas empresas enfrentam?

Luiz Sales, Head de Desenvolvimento de Negócios da Avalara: As empresas de software brasileiras enfrentam uma jornada íngreme para se adequar à Reforma Tributária de janeiro de 2026. Elas precisam reformular completamente seus ERPs e sistemas de conformidade tributária, reconstruindo mecanismos tributários, integrando mensagens governamentais em tempo real e mapeando dezenas de novos campos de dados, mantendo o suporte ao regime antigo em paralelo. A fragmentação jurisdicional significa que cada estado e município terá suas próprias regras, e regimes tributários especiais estão sendo reescritos, portanto, as plataformas precisam de extrema flexibilidade.

Tudo isso está se desenrolando sob um cronograma agressivo e um fluxo regulatório contínuo, com novas leis e decretos complementares chegando constantemente. Muitos provedores de ERP menores não têm orçamento ou capacidade para financiar grandes reescritas. Como resultado, esses fornecedores e seus clientes correm o risco de penalidades por não conformidade e também precisam navegar por novas regras complexas sobre elegibilidade e relatórios de crédito tributário.

tecflow: Como essa falta de preparação pode impactar diretamente os clientes das empresas de software, especialmente empresas de nicho que dependem dessas plataformas?


Luiz Sales: Clientes de software de nicho enfrentam quatro riscos principais se suas plataformas não estiverem prontas:

  • Não conformidade regulatória: Faturas ou registros serão rejeitados ou multados se ainda calcularem impostos antigos, expondo-os a auditorias e penalidades.
  • Indisponibilidade operacional: Patches de última hora e lógica tributária não testada podem forçar manutenções emergenciais, interrompendo faturamento, pedidos e outros processos essenciais.
  • Aperto de fluxo de caixa: Aumentos inesperados de impostos, além de altas taxas de integração, consomem capital de giro e aumentam os custos.
  • Perda de funcionalidade especializada: Módulos específicos do setor (por exemplo, fluxos de trabalho de agrotecnologia ou faturamento de saúde) podem falhar ou apresentar lentidão, forçando correções personalizadas caras ou até mesmo mudanças de plataforma que interrompem a continuidade dos negócios.

tecflow: O que diferencia a solução Avalara Included e como ela pode acelerar a adaptação dessas empresas às novas exigências tributárias?

Luiz Sales: O Avalara Included permite que plataformas de software incorporem todo o conjunto de conformidade da Avalara como um serviço simplificado. Ao estabelecer parcerias em nível de plataforma e fornecer lógica CBS/IBS em tempo real, tratamento de documentos, mensagens eletrônicas e atualizações regulatórias contínuas por meio de APIs prontas para uso, elimina-se a necessidade de compilações internas ou patches emergenciais. Como resultado, os parceiros e seus clientes de nicho podem entrar em operação em semanas, em vez de meses, herdar cada nova regra automaticamente, evitar altas taxas de consultoria e manter seus principais fluxos de trabalho funcionando sem interrupções.

tecflow: Considerando que a nova estrutura tributária entra em vigor em janeiro de 2026, ainda há tempo suficiente para as empresas de software se adaptarem? Quais medidas devem ser priorizadas?

Luiz Sales: Ainda há tempo, cerca de seis meses, mas chegar a 1º de janeiro de 2026 exigirá que isso seja tratado como um programa de alta prioridade, de ponta a ponta. O parceiro deve começar mapeando cada novo requisito CBS/IBS, campos, tabelas de alíquotas e regimes especiais para cada estado e município e, em seguida, decidir rapidamente se incorporará uma solução pronta para uso como o Avalara Included ou criará seu próprio mecanismo, atualizando seu modelo de dados para capturar os novos fluxos tributários. Com essa base estabelecida, avance para o desenvolvimento rápido: integre a lógica CBS/IBS em tempo real e crie um sistema de alternância para que eles possam executar regimes antigos e novos lado a lado.

tecflow: A Avalara já começou a mapear os novos campos e a ajustar seu mecanismo de cálculo. Que lições podem ser compartilhadas com o setor de tecnologia sobre esse processo de adaptação?

Luiz Sales: À medida que a reforma tributária brasileira, em 1º de janeiro de 2026, se aproxima, a Avalara firmou parcerias estreitas com autoridades federais e estaduais e com os principais provedores de tecnologia do país para tornar a transição o mais tranquila possível. Ao longo do caminho, aprendemos que transformar um desafio monumental de conformidade em um processo tranquilo e repetível se resume a algumas práticas essenciais.

Essas empresas de software devem formar um verdadeiro “esquadrão de conformidade”, incorporando especialistas jurídicos, tributários, de produto e de engenharia em um único backlog compartilhado. Dessa forma, cada novo requisito flui diretamente do rascunho do decreto para o desenvolvimento, sem silos ou transferências ociosas. Além disso, elas devem tratar a regulamentação não como um projeto pontual, mas como uma linha de produtos viva. Cada nova lei ou emenda deve se encaixar no seu ciclo regular de lançamentos, para que as atualizações pareçam melhorias de rotina, em vez de patches emergenciais.

Ao combinar inteligência regulatória proativa, design modular baseado em API, validação contínua e propriedade de equipe totalmente integrada, o que antes parecia um prazo intransponível se torna um processo repetível e de baixo risco. E esse é o manual que a Avalara está compartilhando com a comunidade tecnológica brasileira por meio do programa Avalara Included.

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Marciel

Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.

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