Em entrevista exclusiva ao tecflow, Fernando Palamone, Chief Executive Officer (CEO) da RT-One, revelou os detalhes do maior investimento já realizado pela empresa no Brasil: a construção de um hiper data center em Uberlândia (MG), com aportes que somam R$ 6 bilhões.
O projeto marca um novo patamar para a infraestrutura digital da América Latina, com foco em inteligência artificial, sustentabilidade e alta performance computacional. Localizado em uma área de mais de 245 mil m², o campus contará com 100 MW de energia contratada já na primeira fase e potencial de expansão para até 400 MW.
“Escolhemos Uberlândia por sua excelente infraestrutura energética, alta conectividade, segurança jurídica e um ecossistema vibrante de inovação. Nosso objetivo vai além de construir um data center de classe mundial: queremos desenvolver um polo de impacto social, geração de talentos e crescimento sustentável no Brasil”, explica Palamone.
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A escolha do município mineiro se deu após uma análise criteriosa de dezenas de localidades no Brasil, com base em critérios técnicos, estratégicos e logísticos. Além da infraestrutura de TI, a RT-One também aposta em certificações ambientais internacionais e no uso de energia renovável, posicionando o empreendimento como um dos mais verdes do setor.
O projeto prevê a criação de milhares de empregos diretos e indiretos durante a construção e operação do campus, além de parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições públicas para capacitação de mão de obra especializada.
Com início das obras previsto para 2025, a expectativa é que a primeira fase do Data Center entre em operação até o final de 2026.
Confira a entrevista completa com Fernando Palamone no tecflow e saiba como esse megaprojeto vai transformar o cenário de inovação e conectividade no país.
Ricardo Simões, Fernando Palamone, Paulo Sergio ( Prefeiro de Uberlândia) e Cárita Ferreira ( primeira-dama)
tecflow: O novo Data Center da RT-One em Uberlândia representa um marco para o setor no Brasil. O que motivou a escolha da cidade e quais fatores estratégicos pesaram nessa decisão?
Fernando Palamone, Chief Executive Officer (CEO) da RT-One: Nosso time realizou uma análise criteriosa em diversas regiões do Brasil para identificar a melhor localização para a implantação de um grande centro tecnológico com foco em Inteligência Artificial e serviços em nuvem. Entre estes locais Uberlândia se destacou como uma das melhores localidades.
Entre os fatores principais avaliados estavam a capacidade energética, disponibilidade hídrica, infraestrutura de conectividade, potencial de expansão, ecossistema de inovação, possibilidade de atração de parceiros internacionais e ambiente favorável a inovação de larga escala.
Uberlândia se destacou como:
Um dos principais polos energéticos do país. A cidade conta com uma infraestrutura robusta e moderna, com garantia da CEMIG de fornecimento estável de até 100 MW já na fase inicial do projeto;
Capacidade de expansão, com potencial de expansão para até 480 MW e espaço dentro da área selecionada para o empreendimento, permitindo acompanhar o crescimento da demanda por processamento intensivo e garantir escalabilidade para o futuro;
Conectividade e Posição Estratégica, com uma localização privilegiada no coração do Brasil, Uberlândia conta com excelente infraestrutura de conectividade, incluindo redes de fibra óptica de alta capacidade. Dentro de um raio de 1.000 km, é possível alcançar os principais centros consumidores do país, com latência de menos de 6 ms para São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, oferecendo alta performance e resiliência para operações críticas;
A cidade também é um importante polo logístico e industrial, facilitando a integração com diferentes cadeias produtivas e serviços de tecnologia;
Ecossistema Tecnológico e Capital Humano, com um ambiente altamente favorável à inovação, com um ecossistema crescente de startups, parques tecnológicos e centros de pesquisa. A cidade abriga instituições de ensino de excelência, como a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a UNIUBE, que formam talentos qualificados nas áreas de tecnologia, engenharia e ciências aplicadas.
Casos recentes de startups locais com visibilidade internacional — incluindo unicórnios brasileiros — reforçam o dinamismo e a vocação da cidade para a inovação.
Além disso, Uberlândia foi reconhecida como a melhor cidade para se viver em Minas Gerais e figura entre as dez melhores do Brasil, combinando qualidade de vida com oportunidades urbanas — um fator essencial para a atração e retenção de profissionais especializados.
Por fim Uberlândia demonstrou um ambiente de negócios favorável, trazendo um forte apoio institucional ao projeto, com mobilização ativa do setor público e privado. Destacamos a receptividade e o suporte direto das seguintes lideranças: Prefeito Paulo Sérgio Ferreira, Governador Romeu Zema e Vice-Governador Mateus Simões, Presidente da CEMIG, Reynaldo Passanezi, Presidente da InvestMinas, João Paulo Braga, Presidente da FIEMG, Flávio Roscoe
Essas autoridades estão criando um ambiente altamente propício para o desenvolvimento de um polo tecnológico de classe mundial.
tecflow: O projeto prevê uma infraestrutura de ponta com foco em inteligência artificial e segurança na nuvem. Quais diferenciais tecnológicos o Data Center trará em relação ao que já existe hoje no Brasil?
Fernando Palamone: O novo Data Center da RT‑One em Uberlândia traz um conjunto de tecnologias inovativas que permitem utilizar o equipamento necessário para o processamento intensivo voltado a inteligência artificial e segurança na nuvem.
Como por exemplo: refrigeração líquida avançada, com resfriamento direto ao chip (Direct Liquid Cooling, DLC), e Rear-door heat exchangers (RDHx), que são instalados nas portas traseiras dos racks, funcionam como trocadores líquido-ar, evitando sobrecarga no ar-condicionado do Data Center.
Isso permite utilizar os chamados racks de alta densidade computacional (150 kW por rack) sem sobreaquecimento e com melhor eficiência energética – para efeito de comparação um data center tradicional suporta em média 6 kW por rack.
Para dissipar este volume todo de calor, são necessários equipamentos especiais como os Chillers de circuito fechado (“dry cooler”) – que traz alta eficiência de refrigeração com redução de até 30 % no consumo energético de refrigeração e até 80 % de economia hídrica quando comparado com os equipamentos utilizados em Data Centers tradicionais (Chillers evaporativos).
A interconectividade dentro do Data Center também é diferente, utilizando conexões de altíssima velocidade e baixa latência e entre clusters de GPUs, permitindo agrupar essas GPUs em um único grupo operacional e assim processar os workloads intensivos de treinamento e inferência de IA.
Em suma: requer equipamentos especializados com um patamar novo em eficiência, escalabilidade, segurança e sustentabilidade.
tecflow: A RT-One pretende buscar certificações internacionais de sustentabilidade. Quais são os principais pilares ambientais do projeto e como eles se alinham às metas de carbono zero?
Fernando Palamone: A RT-One está comprometida em desenvolver um data center verdadeiramente sustentável, alinhado aos mais altos padrões internacionais de carbono zero. Os principais pilares ambientais do projeto incluem o uso intensivo de energia renovável – com integração direta de fontes hídricas, uso de geração solar, e potencial de hidrogênio verde, além da substituição dos tradicionais geradores a diesel por turbinas de backup com combustíveis 100% livres de fósseis, eliminando emissões de carbono em regime de operação reserva emergencial e de estabilização em conjunto com a concessionária local.
O desenho da infraestrutura contempla ainda sistemas avançados de refrigeração eficiente, com foco em índices PUE (Power Usage Effectiveness) abaixo de 1,2 e WUE (Water Usage Effectiveness) reduzido, garantindo menor consumo de energia e água por unidade de processamento – como por exemplo a utilização de refrigeração em circuito fechado e os “dry coolers”.
A meta de carbono zero será reforçada por práticas de economia circular, como o reaproveitamento de calor e a monitoramento contínuo de emissões. Para validar esse compromisso, a RT-One buscará certificações de destaque como LEED Platinum, EDGE Advanced e ISO 14001, consolidando o projeto como referência em infraestrutura verde e inteligente na América Latina.
tecflow: A expectativa é gerar cerca de 2.000 empregos diretos e indiretos nos primeiros três anos. Como a empresa planeja contribuir para a capacitação e formação profissional da população local?
Fernando Palamone: Como destacado anteriormente, Uberlândia abriga instituições de ensino de excelência, como a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a UNIUBE, além de contar com o apoio direto da FIEMG — fatores decisivos para a escolha da cidade como sede do projeto.
A empresa planeja criar um forte programa de cooperação técnica e científica, em conjunto com essas instituições e demais parceiros locais, com o objetivo de formar profissionais especializados nas áreas de Infraestrutura de TI e Operações de Data Center, Computação em Nuvem e Redes de Comunicação, Segurança da Informação, Logística, Cadeia de Suprimentos e Comércio Exterior, Gerenciamento de Projetos, Engenharia Mecânica, Refrigeração e Eletrotécnica de larga escala.
Mais do que construir uma infraestrutura tecnológica de ponta, queremos criar um ecossistema duradouro de formação de talentos, que gere impacto social, educacional e econômico para a região.
Um data center dessa escala exige uma operação contínua, com um fluxo constante de equipamentos e pessoas executando a gerência, logística, controle, segurança, configurações e suporte técnico — o que se traduz em 20 a 30 vagas por megawatt (MW) instalado, somando empregos diretos e indiretos.
Além da geração de empregos, esse tipo de projeto impulsiona a formação, atração e retenção de mão de obra qualificada, tornando a região ainda mais atrativa para novos investimentos na área de tecnologia e setores associados à cadeia de suprimentos.
tecflow: Com um investimento inicial de R$ 6 bilhões e potencial de expansão para 400 MW, quais são os próximos passos no cronograma e quando o Data Center deve entrar em operação?
Fernando Palamone: O Data Center da RT-One será desenvolvido com uma estrutura modular, em um modelo de implantação por fases. Cada módulo — como um “bloco de Lego” — será construído em aproximadamente 12 meses, permitindo a entrada em operação imediata assim que cada unidade for concluída.
A previsão da empresa é iniciar a construção logo após a obtenção das aprovações regulatórias e licenças necessárias, processo que está em andamento e deve ser concluído em até cinco meses.
Somando esse prazo ao tempo estimado de construção dos primeiros módulos, a entrada em operação está prevista para o final de 2026.
Na fase inicial, o projeto disponibilizará 100 MW de capacidade instalada ao longo dos primeiros 2,5 anos, volume que reflete a demanda já manifestada por clientes estratégicos.
Como o modelo de construção é modular, a RT-One terá flexibilidade para acelerar a entrega de novos blocos de acordo com as necessidades e cronogramas de expansão de seus clientes, permitindo escalabilidade rápida e eficiente.
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