
O setor elétrico brasileiro enfrenta um paradoxo: quanto mais energia solar é produzida, maior se torna o risco de apagões.
Diferente dos blecautes tradicionais causados por falta de energia, esse “apagão reverso” ocorreria justamente pelo excesso de eletricidade durante o dia, quando os painéis solares estão no auge da produção. O problema surge à noite, quando a geração despenca e o sistema pode não conseguir suprir a demanda apenas com outras fontes.
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Também há variáveis climáticas, como períodos de baixa incidência solar, que aumentam a vulnerabilidade do sistema.
Embora o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tenha divulgado, em seu último Plano de Operação Elétrica de Médio Prazo do Sistema Interligado Nacional (SIN), que não há “risco iminente” de blecautes, especialistas contestam e apontam que a nota tenta suavizar o diagnóstico.
“‘Desafios operativos e recomendações para fortalecer o sistema elétrico diante da evolução do setor’ é uma forma bonita de dizer que há, sim, riscos bem prováveis, mas sem gerar alarme”, disse uma fonte ao Extra Classe, sob anonimato, por atuar como consultor em diversas áreas da infraestrutura nacional.

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Segundo essa fonte, documentos internos do ONS projetam riscos superiores a 60% em 2028 e acima de 90% em 2029. Esse cenário pode levar o governo a retomar o horário de verão.
O problema da intermitência
Para especialistas, o crescimento acelerado da geração distribuída solar criou um descompasso no sistema.
“No dia em que essa geração distribuída produz tudo, são 40 gigawatts. Mas, quando chega 14 horas, cai a zero. Quem substitui esse zero até o horário de pico?”, questiona Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O ONS não consegue controlar a produção de painéis fotovoltaicos residenciais, o que aumenta o risco. “Há regiões em que, às três da tarde, se contava com 10 mil megawatts de solar, mas uma mudança brusca no tempo derrubou essa geração”, relatou um técnico que já trabalhou no operador.
Essa perda de previsibilidade aumenta o risco de distúrbios e instabilidades na rede que abastece o país.

Risco iminente
Segundo especialistas, os riscos de apagão estão em escalada. Entre 2026 e 2027, a probabilidade estaria em torno de 30%. Já em 2028 e 2029, pode chegar a 90%.
Para se ter uma ideia, no ano passado o ONS projetava 40% de risco em 2028. Agora, a previsão dobrou.
Santana lembra que o sistema já esteve sob estresse: “No domingo do Dia dos Pais, por pouco não aconteceu um colapso”.
Como em uma residência, o sistema elétrico conta com travas automáticas: quando há excesso de oferta e baixo consumo, parte das fontes precisa ser desligada. Para equilibrar, o ONS chega a cortar a geração firme de hidrelétricas quando a solar está em alta.
Soluções em discussão
Para enfrentar a situação, o governo planeja dois leilões de capacidade e avalia retomar o horário de verão, extinto em 2019.
Santana, no entanto, defende medidas mais profundas: “É preciso autorizar a contratação de reserva de capacidade, como termelétricas de prontidão. Também é necessário limitar a participação da solar, como já fez a Europa. A Espanha e outros países definiram que a geração distribuída não pode ultrapassar 60% da demanda”.
O ONS também recomenda a retomada de investimentos em hidrelétricas, que respondiam por mais de 80% da matriz nos anos 2000 e hoje representam menos da metade.
Lições da Europa
O debate ganhou força após o apagão que atingiu Espanha, Portugal e França em abril. Inicialmente, usinas solares foram apontadas como causa, mas relatório oficial concluiu que falhas operacionais e de planejamento foram responsáveis.
Segundo Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a fonte solar “diversifica e fortalece a matriz elétrica”. Ele defende que, combinada a baterias de armazenamento, “torna-se ainda mais flexível e segura”.
Desafio político
Apesar das soluções técnicas, Santana alerta para entraves políticos: “É muito mais político do que técnico. Tecnicamente já se sabe como resolver. A questão é: quem vai ter coragem de cortar o subsídio da geração solar?”.
Especialistas ressaltam que cabe ao governo equilibrar o incentivo às renováveis com a segurança operacional.
Procurado, o ONS reafirmou que não há risco iminente de apagões e que medidas preventivas já vêm sendo adotadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), do Ministério de Minas e Energia, para diferentes cenários.
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Redação tecflow
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