Tokens da natureza avançam como novo modelo de investimento na bioeconomia

A castanha-do-brasil, um dos principais produtos da sociobioeconomia que chegam aos grandes centros consumidores na composição de alimentos, cosméticos e até insumo para bioplásticos, incorpora tecnologia digital de ponta em novo modelo de investimento na cadeia produtiva. A inovação, aplicada ao ativo da floresta para solucionar gargalos e aumentar o impacto positivo para as comunidades com práticas sustentáveis, é fruto da parceria entre duas startups amazônicas: a ForestiFi, fintech de Manaus que utiliza blockchain na gestão dos aportes, e a Zeno Nativo, voltada à comercialização de produtos da floresta junto a populações tradicionais no Pará.

As empresas finalizaram operação conjunta inédita que valoriza a produção da castanha, potencializando a geração de renda local com a manutenção da floresta em pé. Ambos os negócios compõem o portfólio da Amaz – maior aceleradora de negócios de impacto socioambiental com foco em empresas que atuam na Amazônia Legal, coordenada pelo Idesam. “O novo modelo de investimento tem a característica de mobilizar inteligência territorial para entender os desafios, reconhecer as potências locais e dar visibilidade a quem sempre ficou invisível”, afirma Macaulay Abreu, cofundador da ForestiFi.

Por meio de tecnologia blockchain, a inovação busca reduzir riscos e simplificar a oferta de ativos amazônicos para investimento do mercado. “Não se trata apenas de dados, mas transformar informação em decisões mais justas, estratégicas e com impacto real no território”, diz Abreu.

O objetivo é viabilizar o financiamento de cadeias produtivas a partir da digitalização desde a origem dos produtos, diminuindo custos por meio da emissão de tokens. Glauco Aguiar, cofundador da empresa, reforça: “Isso permite que pequenos produtores, tradicionalmente excluídos do sistema financeiro, acessem recursos”.

Ao conectar cooperativas e associações da região amazônica a mercados de investimento sustentável, o modelo dá suporte ao propósito de contribuir na proteção de áreas de floresta com valores de vários perfis, inclusive de pequeno porte. O mecanismo interage com o cenário de uma nova economia, que abrange não só tecnologia, mas um novo jeito de pensar o valor e o progresso – inclusivo, justo e orientado por impacto positivo.

Na recente operação, as duas startups transformaram 1,8 mil quilos de castanha em ativos digitais, com participação de 82 investidores – na maioria pessoas físicas, além de instituições interessadas em aportar recursos em negócios socioambientais com retorno financeiro competitivo em relação à poupança e outras modalidades de investimento convencionais do mercado. O total captado representa expressiva valorização da safra, o que reflete em ganhos adicionais a mais de 50 famílias de produtores em comunidades do Rio Acará (PA).

Como aumenta a segurança do planejamento, o modelo possibilita enfrentar as complexidades logísticas da região amazônica de maneira estruturada e eficiente. A inovação não se limita a um sistema de compra e venda de ativos com amparo da tecnologia blockchain. Inclui a rastreabilidade com garantia de origem sustentável, análise de governança e segurança jurídica e contábil das organizações que tokenizam seus produtos visando sucesso das rodadas de investimento. “A ferramenta estimula o amadurecimento organizacional dos grupos produtores, o que se reflete em melhores práticas de gestão, aumento da eficiência produtiva e valorização dos produtos da sociobiodiversidade”, ressalta Aguiar.

Zeno Gemaque, cofundador da Zeno Nativo, comemora: “Oferecemos produtos da sociobiodiversidade para mercados que valorizam rastreabilidade e práticas socioambientais sustentáveis. Isso é fundamental para apoiar a floresta em pé, combater a monocultura e a contaminação de rios, e fortalece uma economia que respeita a natureza e as pessoas”.

A parceria com a ForestiFi representa um passo histórico na trajetória da startup, que desde em 2012 comercializou mais de 15 toneladas de castanha e cinco de cacau fino, preservando mais de 17 mil hectares de floresta nativa, com certificação orgânica emitida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). “Temos interesse em tokenizar cacau no futuro, mas isso vai depender muito dos resultados da primeira experiência. Estamos testando o mecanismo e avaliando resultados para os fornecedores”, finaliza o empreendedor.

Reconhecimento internacional

O trabalho em conjunto com a Zeno Nativo representa o sexto projeto da ForestiFi com tokenização de ativos da Amazônia que já beneficiou cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, em dois anos. Como resultado, a fintech foi reconhecida neste ano como uma das startups de sustentabilidade mais inovadoras do mundo pela Change 100 – premiação da plataforma We Make Change com apoio de grandes parceiros, como Microsoft Entrepreneurship for Positive Impact e Techstars.

“Esse reconhecimento reforça a relevância do trabalho e abre portas para novas conexões internacionais. Daqui para frente, vamos intensificar nossa estratégia de expansão como referência global em tokenização de ativos da natureza”, projeta Aguiar.

Redação tecflow

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