Fernando Carbone, da IBM Consulting, comenta sobre aumento de ataques de roubo de credenciais na América Latina

Em entrevista exclusiva ao tecflow, Fernando Carbone, Sócio de Serviços de Segurança da IBM Consulting na América Latina, analisa os principais desafios de cibersegurança na região à luz do IBM X-Force Threat Index 2025. O especialista comenta a redução da participação da América Latina nos incidentes respondidos pelo X-Force, que caiu de 12% em 2023 para 8% em 2024, e detalha como, mesmo com a queda relativa, a região continua exposta a riscos elevados, especialmente em setores de infraestrutura crítica, devido à exploração de vulnerabilidades em tecnologias legadas e à adoção de táticas mais furtivas por cibercriminosos, como roubo de credenciais e ataques com infostealers.

Na entrevsita, Carbone responde perguntas estratégicas sobre como empresas latino-americanas podem se proteger do roubo de dados e credenciais, mitigar os impactos do aumento de ataques de phishing e infostealers (que cresceram 180% em 2024), e proteger pipelines de Inteligência Artificial contra vulnerabilidades exploradas por agentes maliciosos. Ele ainda apresenta recomendações práticas sobre autenticação multifator, monitoramento contínuo, modernização de sistemas legados e políticas de segurança robustas, oferecendo insights valiosos para gestores e profissionais de TI que buscam fortalecer a resiliência digital em um cenário cada vez mais complexo e sofisticado de ameaças cibernéticas na América Latina.

tecflow: Quais fatores explicam a redução de 12% para 8% da participação da América Latina nos incidentes respondidos pelo IBM X-Force entre 2023 e 2024, e quais implicações isso traz para a segurança cibernética regional?

Fernando Carbone, Sócio de Serviços de Segurança da IBM Consulting na América Latina: A redução de 12% para 8% na participação da América Latina nos incidentes respondidos pelo IBM X-Force reflete uma combinação de fatores. Primeiramente, a menor taxa relativa pode ser atribuída a avanços em estratégias de mitigação, a adoção de tecnologias mais avanças e conscientização sobre segurança cibernética em algumas regiões da América Latina. Contudo, também há uma mudança nas táticas dos cibercriminosos, que passaram a priorizar abordagens mais furtivas, como o roubo de credenciais e uso de infostealers (aumento de 180% em 2024 comparado a 2023), em vez de ataques mais complexos como ransomware.

Sobre as implicações para a segurança cibernética regional, temos alguns fatores que devemos considerar, como a persistência dos riscos: embora a participação relativa tenha diminuído, a exposição permanece elevada, especialmente para setores de infraestrutura crítica. A exploração de vulnerabilidades e dependência de tecnologias legadas ainda representam desafios. E, a redução relativa pode ser enganosa, pois não elimina a necessidade de uma abordagem proativa e contínua para mitigar riscos.

tecflow: Considerando que quase metade dos ataques resultou no roubo de dados ou credenciais, quais estratégias as empresas latino-americanas podem adotar para proteger informações sensíveis e evitar violações de identidade?

Fernando Carbone: Visando que o roubo de dados ou credenciais foi o ponto de entrada favorito dos cibercriminosos em 2024, organizações devem adotar algumas estratégias para fortalecer sua segurança, como: implementar sistemas de MFA como padrão em todos os acessos corporativos para dificultar tentativas de login com credenciais roubadas; monitorar fóruns e locais onde credenciais compromissadas estão sendo vendidas para identificar possíveis vazamentos com antecedência; capacitar funcionários para identificar e evitar e-mails de phishing, especialmente considerando o aumento de ataques phishing com infostealers; modernizar o gerenciamento de autenticação e adotar soluções de monitoramento de segurança que cubram ambientes de nuvem híbrida e local.

tecflow: Como a exploração de vulnerabilidades em tecnologias legadas afeta setores de infraestrutura crítica na América Latina, e quais medidas proativas podem ser implementadas para reduzir esse risco?

Fernando Carbone: Setores de infraestrutura crítica, incluindo energia, saúde e sistemas industriais, continuam altamente vulneráveis porque a tecnologia legada frequentemente carece de suporte atualizado e de segurança modernizada.

Mais de 70% dos ataques a infraestrutura crítica basearam-se na exploração de vulnerabilidades conhecidas, com cibercriminosos alavancando a falta de patches e ciclos de correção lentos. Com isso, algumas medidas proativas podem ser aplicadas, entre elas substituir tecnologias legadas por versões mais seguras e compatíveis com práticas modernas de segurança; implementar processos ágeis para aplicar patches de segurança identificados nas vulnerabilidades listadas em fóruns da dark web; adotar ferramentas de detecção e resposta para reconhecer atividades suspeitas rapidamente.

tecflow: Diante do aumento de ataques de phishing e infostealers, que chegaram a crescer 180% em relação a 2023, como as organizações devem se preparar para mitigar os impactos do roubo automatizado de credenciais?

Fernando Carbone: O crescimento exponencial de infostealers destaca a necessidade de uma abordagem multifacetada para mitigar o impacto desses ataques, e implementar softwares avançados para identificar e bloquear e-mails de phishing baseados em IA, além de adotar estratégias de resposta rápida para isolar dispositivos comprometidos, evitando que infostealers exfiltrem dados, e implementar políticas de encriptação fortes para dificultar a leitura de dados sensíveis, mesmo que sejam roubados. 

tecflow: Com a evolução das ameaças voltadas à Inteligência Artificial, como as empresas da região podem proteger seus pipelines de IA e evitar que vulnerabilidades sejam exploradas por agentes maliciosos?

Fernando Carbone: Com a adoção crescente da IA proteger pipelines de IA exige tanto medidas técnicas quanto organizacionais, que podemos dividir em algumas frente: 

Endurecer APIs e interfaces públicas associadas a aplicações de IA.

Estabelecer diretrizes sobre o uso ético e seguro da IA garantindo que todas as implementações sigam padrões rígidos de segurança.

Implementar ferramentas de monitoramento que permitam auditorias contínuas do pipeline de dados, desde a aquisição até o treinamento de modelos.

– Adotar práticas de segurança específicas para armazenamento e uso de dados treinados.

Treinar equipes de TI para identificar e mitigar possíveis vulnerabilidades e realizar simulações de cenários onde a IA possa ser alvo.

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Marciel

Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.

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