
A COP30, que acontece em Belém (PA), começou sob uma sucessão de contratempos que vão desde falhas na infraestrutura até valores exorbitantes cobrados por alimentos e bebidas dentro do evento. O encontro, que deveria consolidar o Brasil como liderança global na agenda climática, vem sendo criticado por delegações estrangeiras e pela imprensa internacional devido a problemas de organização e contradições nas políticas ambientais do país.
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Logo nos primeiros dias, um dos episódios mais comentados foi a falta de água nos banheiros da área de imprensa, que ficaram inoperantes por cerca de quatro horas, entre 14h e 18h. Funcionários chegaram a alertar o público sobre a interrupção, e muitos jornalistas desistiram de usar os sanitários. A situação só foi normalizada após o reabastecimento feito por um caminhão-pipa.
Toda a estrutura da conferência é temporária e montada no Parque da Cidade, antiga área do aeroporto de Belém. A montagem de auditórios e banheiros modulares foi apontada como uma das causas para a instabilidade dos serviços básicos. Em meio à falta d’água, até o álcool em gel distribuído nas áreas de alimentação passou a ser disputado por participantes.

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Os preços praticados nas lanchonetes da chamada blue zone também geraram revolta entre delegados e jornalistas. Uma garrafa de água mineral de 350 mL chega a custar R$ 25, enquanto um suco natural sai por R$ 30. A coxinha de frango é vendida por R$ 45, e um simples sanduíche natural pode custar R$ 35. As sobremesas também seguem a mesma tendência: um brigadeiro custa R$ 20, um brownie R$ 30 e um pequeno quadrado de bolo de maracujá R$ 35.
As refeições completas são ainda mais caras. Um prato de filé ao molho madeira sai por R$ 70, enquanto a lasanha de frango xadrez e a de abobrinha custam R$ 60. Há relatos de wraps veganos vendidos por R$ 55 e pizzas pequenas variando entre R$ 95 e R$ 100. O café preto, em copos de 100 a 180 mL, é vendido por valores entre R$ 15 e R$ 20, subindo para R$ 25 quando servido com leite.
Levar comida de fora também não é permitido. Segundo o site oficial da COP30, “as refeições devem ser realizadas nas áreas designadas para alimentação” e “por motivos de segurança, não é permitida a entrada de alimentos externos”. Todos os pagamentos precisam ser feitos por meio do sistema oficial de catering ou nos estabelecimentos credenciados. Funcionários das lanchonetes afirmaram que os preços são dolarizados e parte do valor é repassada à organização do evento.
Além dos problemas logísticos e do alto custo, gafes diplomáticas marcaram os primeiros encontros oficiais. O aperto de mãos constrangedor entre o presidente Lula, o príncipe William e o primeiro-ministro britânico chamou atenção da mídia internacional, reforçando a percepção de improviso e falta de coordenação no cerimonial.
Esses episódios se somam aos atrasos nas obras da Leaders’ Village, às críticas sobre a especulação imobiliária e aos questionamentos sobre a coerência do governo em promover um evento climático enquanto mantém projetos de exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas.
Com altos preços, estrutura precária e falhas logísticas, a COP30 corre o risco de ser lembrada menos pelas metas climáticas e mais pelos deslizes de organização. Especialistas e representantes de entidades ambientais já alertam que o evento, que deveria elevar o Brasil ao protagonismo internacional, pode acabar expondo suas contradições em relação ao próprio discurso de sustentabilidade.

Em meio às críticas, outro ponto de controvérsia recaiu sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mandatário e sua comitiva estão hospedados no barco Iana 3, uma embarcação de grande porte ancorada na Base Naval de Val-de-Cans. O custo da hospedagem é de R$ 2.647 por pessoa por dia, e o contrato com a empresa Icotur Transporte e Turismo, responsável pela locação, foi colocado sob sigilo até o fim do mandato presidencial. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), a escolha da embarcação seguiu critérios de “segurança, logística e economicidade”, e teria sido mais vantajosa que hotéis convencionais.
O sigilo, no entanto, gerou questionamentos sobre transparência, já que o contrato não aparece no Diário Oficial da União nem no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU). Não há informações sobre o valor total do acordo, a duração da locação nem o tamanho da comitiva. Lula afirmou que decidiu se hospedar em um barco por praticidade e segurança, mencionando em tom de brincadeira que poderia até “pescar um filhote ou um pirarucu” durante as noites em Belém.
Enquanto o governo tenta minimizar os incidentes, a COP30 segue sendo marcada por contradições entre o discurso climático e a execução prática do evento. Falta de água, preços abusivos e gastos sigilosos acabam roubando o protagonismo das discussões ambientais e transformando o encontro em um retrato das dificuldades do Brasil em conciliar liderança global e gestão eficiente.
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Redação tecflow
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