O que é curtailment? Entenda o paradoxo que custa bilhões ao setor elétrico brasileiro

O avanço da energia renovável no Brasil tem revelado um paradoxo dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN): ao mesmo tempo em que o país amplia a geração solar e eólica, um volume recorde dessa produção precisa ser descartado por falta de capacidade de transmissão ou de demanda. O fenômeno, conhecido como curtailment, consiste no corte forçado da geração renovável quando usinas são obrigadas a reduzir a produção por questões técnicas, limitação de escoamento ou ausência de consumo — enquanto termelétricas poluentes são acionadas para suprir picos de demanda.

Em outubro de 2025, o problema atingiu níveis inéditos. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), analisados pela consultoria Volt Robotics, 5,9 mil GWh deixaram de ser escoados, gerando um prejuízo estimado em R$ 1,1 bilhão para usinas renováveis. O impacto foi igualmente severo em cada fonte: 37% do potencial das solares foi cortado — perdas de R$ 192 milhões — e 37% da geração eólica também ficou retida, resultando em R$ 741 milhões em prejuízos. Estados como Rio Grande do Norte (43,8%), Ceará (34,9%) e Minas Gerais (30,8%) lideraram o desperdício.

De janeiro a outubro, o cenário se agravou. Os cortes representaram 20,4% de toda a geração solar e eólica do país, quase triplicando (aumento de 283%) em relação ao total registrado em 2024. No acumulado do ano, as perdas financeiras já chegam a R$ 5,4 bilhões.

Segundo Sérgio Pataca, consultor da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), existem três tipos de curtailment: o técnico, quando a infraestrutura não comporta o escoamento da energia; o relacionado à falta de demanda, especialmente no pico solar ao meio-dia; e o de segurança, quando o ONS precisa reduzir a oferta para evitar falhas e possíveis apagões. “É um paradoxo: estamos cortando energia renovável para gerar energia térmica, que é fóssil”, resume.

Para enfrentar o problema, Pataca aponta soluções em três horizontes. No longo prazo, defende uma reforma estrutural do setor elétrico, que trate de tarifas, incentivos e modernização tecnológica. No médio prazo, recomenda investimentos em armazenamento, como baterias e usinas hidrelétricas reversíveis — tecnologia já consolidada em países como Estados Unidos e China. E, no curto prazo, destaca a necessidade de aperfeiçoar a regulação, com critérios técnicos mais amplos e precisos para reduzir cortes e custos.

Enquanto o país acelera a transição energética, o aumento do curtailment acende um alerta: sem infraestrutura, planejamento e novas tecnologias, a energia limpa que deveria impulsionar o futuro continuará sendo desperdiçada — ao custo de bilhões para o setor e para os consumidores.

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Redação tecflow

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