
O governo do Japão vai endurecer as regras de segurança para a indústria de semicondutores. A partir do ano fiscal de 2026 — que começa em abril — todas as fábricas de chips que desejarem receber subsídios públicos serão obrigadas a adotar medidas robustas de cibersegurança, segundo apuração do Nikkei Asia.
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A decisão marca uma mudança importante: até agora, Tóquio apenas recomendava práticas de proteção digital. Mas com o aumento global de ataques capazes de paralisar operações inteiras, o governo japonês decidiu transformar essas recomendações em exigências formais.
Proteção da cadeia de suprimentos
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) afirma que o objetivo é reduzir riscos na cadeia de suprimentos, considerada estratégica para setores como eletrônicos, automotivo, defesa e telecomunicações.
O país já condiciona subsídios ao aumento da produção doméstica durante crises de oferta e à prevenção de vazamentos tecnológicos. Agora, a cibersegurança entra oficialmente nessa lista de requisitos obrigatórios.
Especialistas destacam que fábricas de semicondutores, por serem altamente automatizadas e dependentes de equipamentos avançados, exigem camadas extras de proteção. Uma invasão pode derrubar operações críticas e afetar contratos globais.

Novas regras para fábricas e fornecedores
As diretrizes que entram em vigor em 2026 vão abranger:
- Fábricas de chips
- Fabricantes de equipamentos usados na produção
- Produtores de materiais semicondutores
O governo também poderá ampliar o escopo conforme a necessidade.
Entre os pontos obrigatórios estão:
- Controle rigoroso de acesso a instalações
- Limitação de dispositivos que podem entrar nas plantas
- Proteção de informações estratégicas, como tipos e quantidade de equipamentos
- Divisão das linhas de produção para impedir a propagação de vírus
- Nomeação de um responsável pela resposta a incidentes
- Protocolos para recuperação rápida após ataques
Essas medidas visam garantir que um eventual ataque cause o menor impacto possível.

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Ameaça crescente
O endurecimento das regras ocorre em um cenário global de escalada de ataques. Dados do FBI mostram que, em 2024, houve cerca de 4.900 ataques direcionados a infraestruturas de energia e manufatura, com o setor de manufatura liderando as vítimas de ransomware.
Casos anteriores na indústria de chips também preocupam autoridades:
- 2018: a TSMC sofreu um ataque que paralisou suas operações por três dias e gerou prejuízos estimados em 19 bilhões de ienes — cerca de US$ 120 milhões.
- Nvidia e Samsung também já foram alvos de ataques de grande escala.
Com o avanço da inteligência artificial, automação industrial e sistemas conectados, a vulnerabilidade das fábricas cresce, e o Japão tenta evitar novos eventos que possam comprometer sua estratégia de fortalecer a produção doméstica de semicondutores.
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Redação tecflow
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