CONTROVÉRSIA E DECEPÇÃO: Horses, o jogo mais banido do ano, não cumpre a promessa de sua própria ideia

O jogo de terror foi retirado das principais plataformas (Steam e Epic Games Store), mas a crítica especializada aponta que, por trás do escândalo, a obra peca por pretensão e um tratamento superficial de temas pesados

O lançamento de Horses, um jogo de terror desenvolvido pela Santa Ragione, foi marcado por uma controvérsia sem precedentes. Pouco antes de seu lançamento, em 2 de dezembro de 2025, o jogo foi banido pela gigante do streaming Valve (Steam) e, horas depois, pela Epic Games Store. Embora a pressão da comunidade tenha resultado na recolocação do título em plataformas como a Humble, o debate sobre a censura a obras adultas ganhou destaque.

Contudo, a discussão sobre o banimento ofuscou a análise crítica do conteúdo do jogo. A crítica aponta que o verdadeiro problema de Horses não é o seu conteúdo ser ousado demais para o público adulto, mas sim a sua qualidade falha, a narrativa desajeitada e o tratamento blasé de temas extremamente sensíveis, como o assédio sexual.

O culto da pretensão

O jogo, ambientado em uma fazenda durante 14 dias, coloca o jogador no papel de um ajudante responsável por cuidar de “cavalos”. Rapidamente, o jogador descobre que os “cavalos” são, na verdade, seres humanos nus, acorrentados, usando máscaras de cavalo e forçados a trabalhos e humilhações. O jogo se propõe a ser surreal e grotesco, utilizando uma estética intencionalmente low-fi e em preto e branco, na tentativa de evocar algo profundo e psicosexual.

No entanto, o consenso de parte da crítica é que a premissa ambiciosa desmorona. O jogo é descrito como tedioso e excessivamente dependente de ideias pseudo-intelectuais, confundindo a própria pretensão com algo profundo. Sua duração de três horas é apontada como um arrasto.

Críticas ao tratamento da violência sexual

Um dos pontos mais problemáticos destacados pela análise é o tratamento de múltiplos casos de assédio sexual retratados (ou implícitos) na história. Embora o jogo receba classificação Mature e se proponha a ser um drama psicosexual que explora traumas religiosos e subjugação, a violência sexual é usada como mero dispositivo de choque, ou como “textura” para a brutalidade da fazenda.

A crítica argumenta que Horses falha em lidar com esses momentos com a intenção e cuidado necessários, limitando-se a usá-los para “martelar a brutalidade da fazenda”, sem que a trama ganhe qualquer benefício narrativo com a inclusão de tais atos. O final do jogo, com uma fuga em massa, é criticado por deixar a exploração de temas como escravidão, abuso, trauma religioso e assédio de forma extremamente inacabada.

Censura versus crítica de conteúdo

O debate sobre a remoção de Horses das plataformas é um sintoma da luta mais ampla na indústria de videogames sobre os direitos criativos em torno de conteúdo adulto e NSFW. O banimento, visto como um ato de censura, levou a um “Efeito Streisand”, transformando Horses em um dos jogos mais vendidos na plataforma GOG, onde o título permanece disponível.

Jakin Vela, diretor executivo da International Game Developers Association (IGDA), ressalta que as remoções expõem a fragilidade da segurança econômica dos desenvolvedores. “Devemos nos preocupar sempre que um sistema permite que o sustento de um criador seja cortado sem transparência ou recurso,” afirma Vela, destacando que a alta consolidação da indústria gera um desequilíbrio estrutural.

Apesar da necessidade de defender o direito de existência do jogo contra a censura, a conclusão é que Horses é, em essência, um jogo ruim que merece ser examinado por suas falhas, assim como qualquer outra obra de mídia.

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Rafael Oliveira

Rafael de Oliveira é um profissional apaixonado por tecnologia e um entusiasta do mercado B2C, tendo um perfil dedicado a cobrir as últimas tendências do setor no site Tecflow. Fora do mundo corporativo, Rafael é um colecionador de discos e dedica seu tempo livre a criar beats usando o software Fruit Loops.

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