Lei Geral da Cibersegurança: CNCiber aprova anteprojeto e indica Anatel como autoridade

O Brasil deu um passo decisivo para consolidar sua defesa digital. O Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber) aprovou e encaminhou à Casa Civil o anteprojeto da Lei Geral da Cibersegurança, texto que estabelece os princípios, deveres e as sanções administrativas para o setor no país. A proposta, que complementa o Marco Regulatório em análise no Senado, foca na criação de uma estrutura robusta para o Sistema Nacional de Cibersegurança.

O impasse da governança: Anatel ganha força

O ponto central do debate técnico foi a definição de qual órgão atuará como a autoridade nacional do setor. Embora a criação de uma agência reguladora inédita e especializada fosse a opção ideal do Grupo de Trabalho, a Anatel surgiu como a alternativa mais viável. Com 18 votos favoráveis, a agência de telecomunicações é vista como o caminho mais rápido para a implementação da lei, especialmente por já possuir capacidade orçamentária e expertise na proteção de infraestruturas críticas, como as redes 5G, 6G e cabos submarinos.

Defesa do setor empresarial vs. Ressalvas do Governo

O setor produtivo, representado por entidades como Conexis, Brasscom e Fiesp, defendeu o uso da estrutura da Anatel para evitar entraves fiscais e a demora que a criação de um novo órgão do zero exigiria. Para as empresas, a urgência das ameaças digitais em 2026 não permite esperar por longos prazos de estruturação administrativa.

Por outro lado, o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) apresentou ressalvas quanto ao risco de fragmentação. O temor é que a divisão de competências entre a Anatel e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) confunda os gestores de TI, que passariam a responder a dois órgãos distintos. Além disso, transformar uma agência setorial em uma autoridade transversal — que ditará regras para saúde, energia e finanças — exigirá um nível inédito de coordenação entre os ministérios.

Próximos passos legislativos

Com o encerramento dos trabalhos técnicos, a decisão final agora cabe à Casa Civil e à Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden). O anteprojeto seguirá para o Congresso Nacional, onde o modelo de autoridade nacional será definitivamente selado. A aprovação desta lei é considerada fundamental para que o Brasil tenha, finalmente, um mecanismo de punição e cooperação eficaz contra ataques cibernéticos em larga escala.

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Redação tecflow

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