
CEOs brasileiros estão presos ao curto prazo e ignoram revolução tecnológica, enquanto a confiança no crescimento econômico despenca de 83% para 57%; entenda o risco para o futuro do país.
O setor que deveria iluminar o futuro do Brasil parece estar operando à luz de velas quando o assunto é tecnologia. Uma nova realidade de pessimismo e cautela tomou conta das salas da diretoria, e o diagnóstico é preocupante: o Brasil está ficando perigosamente para trás na revolução tecnológica global.
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De acordo com a 29ª Global CEO Survey, lançada pela PwC, que ouviu 4.400 executivos em 95 países, o entusiasmo que víamos há dois anos evaporou. O estudo apontou que “caiu de 83% para 57% o porcentual de CEOs do setor de energia e serviços de utilidade pública no Brasil que projetam aceleração do crescimento econômico mundial”.
O medo do curto prazo e a paralisia da inovação
Enquanto o resto do mundo corre para digitalizar redes e otimizar o consumo, os chefões das empresas brasileiras de energia e saneamento estão “apagando incêndios” diários. A pressão macroeconômica e a polarização política criaram um clima de sobrevivência que sacrifica o amanhã em nome do hoje.
A pesquisa revela que a confiança na receita despencou. A parcela de executivos “muito” ou “extremamente” confiantes para os próximos 12 meses baixou de 45% em 2024 para apenas 33% em 2026. Para a PwC, os dados indicam que “o setor atravessa uma fase de recalibração das expectativas, com os executivos ajustando as projeções a um cenário de maior incerteza, mantendo uma visão ainda positiva, porém, mais contida e seletiva, tanto no curto quanto no médio prazo”.

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O perigo de ficar para trás
O dado mais alarmante surge quando comparamos o Brasil com o exterior. Apenas 3% das nossas empresas testam novas ideias rapidamente com clientes, contra 29% no cenário global. Estamos ignorando ferramentas que poderiam baixar custos e melhorar a eficiência diante das mudanças climáticas.
Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC, não mede palavras sobre o atraso brasileiro. Segundo ele, o retrato reflete os altos juros, o custo de capital elevado e a incerteza política.
“O setor de energia é um setor tradicional, por ser um setor de investimento de longo prazo, e demora mais para se mexer do que outros, mas acho que estamos muito atrasados em relação a inovação, tecnologias, tem muita coisa para fazer”, diz Martins.
Ele ainda faz um alerta final sobre a urgência de mudar a mentalidade das empresas para evitar um colapso de competitividade: “Podemos estar perdendo uma oportunidade. Estamos hoje num panorama de tecnologia que justifica repensar por completo como devemos fazer as coisas. Há espaço para a gente reinventar os processos, as operações, os negócios”, afirma.
Se o setor de energia não “ligar a chave” da inovação agora, o preço dessa inércia será pago por toda a sociedade brasileira nos próximos anos.
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Redação tecflow
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