
Com um papel estratégico no avanço tecnológico da América Latina, o Brasil consolida sua posição como líder regional em investimentos em data centers — estruturas essenciais para sustentar o funcionamento da internet, a computação em nuvem e tecnologias emergentes como inteligência artificial. Atualmente, o país concentra 40% de todo o capital destinado ao setor na região e abriga 181 unidades espalhadas por seu território, além de ser responsável por mais da metade do tráfego de dados latino-americano.
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Esse protagonismo é impulsionado por fatores como a maturidade do mercado digital brasileiro, a força do setor financeiro e de e-commerce, e uma infraestrutura robusta de conectividade, especialmente no litoral paulista, onde operam importantes cabos submarinos intercontinentais. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta um dilema global: o alto consumo de energia das operações.
Nesta entrevista exclusiva ao tecflow, Rafael Hertel, Country Manager da Hostinger no Brasil, fala sobre os fatores que explicam essa liderança brasileira, os desafios da sustentabilidade no setor e as estratégias para reduzir a pegada ambiental dos data centers. Hertel também comenta iniciativas pioneiras, como a operação 100% com energia renovável da Hostinger, e projeta caminhos para tornar o avanço digital compatível com as metas climáticas.

tecflow: O Brasil concentra hoje 40% dos investimentos em data centers na América Latina. Quais fatores têm contribuído para esse protagonismo, especialmente em comparação com outros países da região?
Rafael Hertel, Country Manager da Hostinger no Brasil: Esse protagonismo é reflexo direto do tamanho e da maturidade do mercado brasileiro de tecnologia. O Brasil responde por mais de 50% do tráfego de dados da América Latina e é o quinto maior mercado de internet do mundo, com mais de 180 milhões de usuários conectados. Além disso, possui um setor financeiro altamente digitalizado, uma das maiores bases de e-commerce da região e um ecossistema de startups que cresce exponencialmente.
Outro diferencial é a infraestrutura de conectividade. O litoral de São Paulo, por exemplo, é ponto de interconexão de diversos cabos submarinos que ligam o Brasil à América do Norte, África e Europa. Isso garante menor latência e maior estabilidade.
tecflow: O consumo de energia dos data centers é uma preocupação crescente. Como o setor tem buscado soluções para reduzir seu impacto ambiental, e que papel o Brasil pode desempenhar nesse processo?
Rafael Hertel: Os data centers são intensivos em energia, representando cerca de 1 a 2% do consumo global de eletricidade. Com a demanda por computação em nuvem, IA e armazenamento de dados, esse número tende a crescer.
Para mitigar esse impacto, o setor tem se concentrado em melhorar o PUE, uma métrica que compara o total de energia consumida por um data center com a energia efetivamente entregue aos equipamentos de computação. Um PUE mais baixo indica um uso mais eficiente da energia, reduzindo o desperdício com sistemas de resfriamento, iluminação e outras infraestruturas auxiliares. No entanto, eficiência por si só não é suficiente — reduzir as emissões exige uma transição para fontes de energia renovável.
O Brasil tem uma vantagem estratégica: mais de 80% da matriz elétrica é composta por fontes renováveis, principalmente hidrelétrica, mas também eólica e solar (que tem crescido muito nos anos recentes). Isso coloca o país em posição privilegiada para hospedar operações de data centers com menor pegada de carbono.
Em 2024, os índices de PUE (Power Usage Effectiveness) dos data centers da Hostinger variaram de 1,2 a 1,7, com uma média de 1,45 — uma leve melhoria em relação à média de 1,54 registrada em 2023. De acordo com a pesquisa Global Data Center Survey 2024 do Uptime Institute, a média global de PUE dos data centers em 2024 foi de 1,56. Como parte dos nossos critérios de sustentabilidade, a Hostinger exige que todos os novos data centers divulguem seu PUE médio anual. Caso esse valor seja superior a 1,5, eles também devem apresentar um cronograma para um plano de melhoria.

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tecflow: São Paulo abriga o maior data center do Brasil e concentra grande parte dos investimentos. Existe uma estratégia para descentralizar essa infraestrutura e distribuir melhor os recursos pelo país?
Rafael Hertel: Hoje, São Paulo concentra cerca de 80% da capacidade instalada de data centers no Brasil, principalmente por razões históricas: é o principal polo econômico, tem ampla rede elétrica redundante e é o centro de interconexão nacional.
tecflow: Quais são os principais entraves que ainda limitam o crescimento sustentável dos data centers no Brasil, como volatilidade cambial, disponibilidade hídrica e insegurança regulatória, e como superá-los?
Rafael Hertel: O principal entrave é que a maioria dos equipamentos ( servidores, sistemas de refrigeração e conectividade) é importada, o que torna o investimento altamente suscetível a variações cambiais.
tecflow: Iniciativas como a da Hostinger, que opera com 100% de energia renovável, mostram caminhos para a sustentabilidade. Que outros exemplos o senhor(a) destacaria como boas práticas no setor, e como ampliar esse tipo de ação no país?
Rafael Hertel: A Hostinger é um bom exemplo de como é possível tornar as operações digitais mais sustentáveis, e temos investido continuamente nisso.
Em 2024, colocamos as mudanças climáticas como uma prioridade estratégica. Isso significa que assumimos compromissos concretos de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e alcançamos um marco importante: operar com 100% de eletricidade renovável em todos os nossos data centers.
Esse resultado foi possível graças a uma combinação de esforços. Parte da energia renovável foi fornecida diretamente por nossos parceiros de colocation; outra parte veio por meio da compra de certificados de energia renovável (RECs). Hoje, centros como Meppel, Asheville, Mumbai e Jacarta já funcionam com essa base renovável — e os novos contratos em Frankfurt e Boston seguem o mesmo padrão.
Mas energia limpa é apenas uma parte do todo. Também adotamos uma abordagem rigorosa para medir e reduzir nossas emissões. Pelo segundo ano consecutivo, calculamos nossas emissões dos escopos 1, 2 e 3 seguindo o Greenhouse Gas Protocol. Com isso, conseguimos reduzir drasticamente nossas emissões de Escopo 2 (as relacionadas à eletricidade): de 1.522 tCO₂e em 2023 para apenas 15 tCO₂e em 2024, graças ao uso de energia 100% renovável.
Outro ponto que consideramos essencial é a transparência e isso pode ser um exemplo a ser seguido. Todos os IPs dos nossos servidores são verificados como “verdes” pela The Green Web Foundation, e publicamos anualmente um relatório público de sustentabilidade. Acreditamos que compartilhar essas informações ajuda a elevar os padrões do setor e oferece confiança aos nossos clientes e parceiros.
E claro, a sustentabilidade também está presente no fim do ciclo de vida dos nossos equipamentos. Todo servidor e switch descomissionado em 2024 foi descartado de forma responsável, com reutilização ou reciclagem por fornecedores auditados e certificados (ISO 14001). Exigimos documentação clara sobre materiais reaproveitados ou reciclados — e inclusive sobre o que é eventualmente enviado para aterros.
Essas são algumas das ações que temos orgulho de realizar e que, acreditamos, podem inspirar outras empresas do setor. Quando há metas claras, dados confiáveis e compromisso com a transparência, a sustentabilidade pode, sim, fazer parte do dia a dia das operações. E quanto mais empresas adotarem práticas assim, mais rápido construiremos juntos um ecossistema digital resiliente e alinhado com os desafios do clima.
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Redação tecflow
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