Doença rara associada a cigarros eletrônicos acende alerta entre especialistas

Uma doença pulmonar rara, progressiva e sem cura está preocupando médicos e autoridades de saúde pública no Brasil: a bronquiolite obliterante, popularmente conhecida como “pulmão de pipoca”, vem sendo associada ao uso crescente de cigarros eletrônicos entre jovens e adultos.

De acordo com especialistas, o problema ocorre devido à inalação de substâncias químicas tóxicas, como o diacetil, presente em aromatizantes usados nos líquidos desses dispositivos. Uma vez inalado em altas temperaturas, o composto pode sofrer reações químicas que o tornam ainda mais agressivo ao organismo.

Doença grave e sem tratamento eficaz

Ao contrário da bronquiolite tradicional, que costuma ser viral e passageira, a bronquiolite obliterante é uma condição crônica que destrói parcial ou totalmente os bronquíolos, estruturas responsáveis por conduzir o ar dentro dos pulmões. Os sintomas incluem falta de ar intensa, tosse seca persistente e redução progressiva da capacidade respiratória.

Segundo a pneumologista Maria Enedina Scuarcialupi, coordenadora da Comissão Científica de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o impacto na qualidade de vida dos pacientes é severo. “O paciente pode precisar de oxigênio suplementar e, em casos avançados, até de um transplante pulmonar. Infelizmente, não há cura. Utilizamos corticosteróides como tentativa, mas os resultados variam, e os efeitos colaterais podem ser significativos, como alteração de glicose e catarata”, explica.

Origem do termo “pulmão de pipoca”

O nome popular da doença surgiu nos anos 2000, após casos de bronquiolite obliterante serem identificados em trabalhadores de fábricas de pipoca de micro-ondas nos Estados Unidos. Eles foram expostos a altos níveis de diacetil, usado para conferir sabor amanteigado ao produto. Hoje, a substância é vista com cautela por especialistas da área química.

O químico Ubiracir Lima, do Conselho Federal de Química e da Câmara Técnica de Saneantes da Anvisa, afirma que o processo de pirólise, transformação química provocada pelo calor, pode tornar o diacetil ainda mais perigoso. “Essa substância pode reagir com outros componentes presentes no líquido dos cigarros eletrônicos, gerando compostos incontroláveis e altamente nocivos à saúde, sem que o usuário tenha consciência disso”, alerta.

Associação com outras doenças

Além do uso de vapes e cigarros eletrônicos, a bronquiolite obliterante também pode estar relacionada a doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador. No entanto, o avanço do consumo de dispositivos de nicotina entre jovens reacendeu o debate sobre os riscos silenciosos dessa nova forma de tabagismo.

Com sintomas muitas vezes confundidos com outras enfermidades respiratórias, o “pulmão de pipoca” reforça a importância de campanhas de conscientização sobre os efeitos colaterais das substâncias inaladas por dispositivos eletrônicos. Para os especialistas, o alerta é claro: os riscos são reais — e potencialmente irreversíveis.

Com informações via.

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Redação tecflow

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