

Por Guilherme Barreiro, diretor da BRLink e Serviços da Ingram Micro Brasil*
O Brasil ocupa o quinto lugar entre os maiores produtores de lixo eletrônico do planeta e recicla menos de 4% desse volume. Esse dado ilustra a ausência de políticas sustentáveis e eficazes na área de tecnologia da informação. Alinhar sustentabilidade às estratégias de TI deixou de ser uma escolha e tornou-se uma urgência.
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Neste contexto, as práticas de ITAD (Desativação de Ativos de TI) emergem como solução que une inteligência, responsabilidade e resultado. O alinhamento com os princípios ESG (Environmental, Social and Governance) leva as empresas a repensarem todo o ciclo de vida de seus ativos, da redução do consumo de energia à extensão da vida útil dos equipamentos, do reaproveitamento ao descarte responsável. Assim, a TI deixa de ser apenas suporte técnico e se torna parte essencial das metas corporativas de sustentabilidade, com impacto real na forma como o negócio evolui e se posiciona.
Não se trata apenas de reciclar, mas de renovar o parque tecnológico com consciência, transformar passivos em oportunidades e alinhar inovação com impacto positivo. O ITAD, quando bem implementado, é a ponte entre o futuro digital e o compromisso com a preservação do planeta.
Podemos afirmar com segurança que, em processos de migração para a nuvem, por exemplo, as iniciativas de ITAD permitem que equipamentos obsoletos sejam descartados com segurança, por meio de apagamento de dados, reciclagem ou reaproveitamento de peças. Além de mitigar riscos ambientais e de compliance, esse processo pode gerar valor econômico, já que empresas conseguem monetizar o hardware antigo e reinvestir os recursos na modernização de sua infraestrutura digital. Ou seja, ao mesmo tempo em que aceleram a jornada para a nuvem, reduzem custos e diminuem o passivo ambiental.

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Quando aplicamos o conceito de economia circular à tecnologia da informação, buscamos prolongar o uso de equipamentos e extrair o máximo valor antes da destinação final. Em vez de seguir o modelo tradicional de uso e descarte, as empresas podem adotar programas de logística reversa, em expansão no Brasil e alinhados à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305), com o recondicionamento, a reutilização e a reciclagem de componentes. Mais do que cumprir normas, adotar esses conceitos fortalece a governança corporativa, com rastreabilidade de ativos, emissão de certificados ambientais e transparência diante de investidores e clientes.
Essas práticas ecoeficientes são tendência global. A sustentabilidade na tecnologia tem ganhado força com iniciativas como a “nuvem verde”, que busca reduzir a pegada ambiental, economizar energia e demonstrar compromisso dos players globais com práticas sustentáveis, sem abrir mão de performance ou inovação. Esses provedores investem em data centers abastecidos por energias renováveis, como solar e eólica, com o objetivo de reduzir significativamente suas emissões de carbono. Paralelamente, a chamada computação verde se expande com medidas que vão desde o design de softwares mais eficientes até a produção de hardwares com materiais reciclados e maior durabilidade.
Por fim, é preciso destacar o impacto direto das práticas ESG na reputação das empresas. Migrar dados para a nuvem significa consolidar infraestruturas físicas dispersas em ambientes otimizados e energeticamente mais eficientes, o que se traduz em ganhos econômicos e ambientais. Organizações que adotam políticas de TI sustentáveis estão comprometidas com ações responsáveis e alinhadas a valores exigidos por clientes, investidores e sociedade. Isso fortalece a marca, atrai investimentos, reduz riscos e até inspira orgulho dos colaboradores. O futuro dos negócios será definido por quem souber usar a tecnologia não apenas para inovar, mas também para proteger o globo terrestre.
*Guilherme Barreiro, diretor da BRLink e Serviços da Ingram Micro Brasil, é graduado em sistemas da informação e possui especialização em liderança e conselho digital, além de ser cofundador da Escola da Nuvem. Ao longo da carreira, passou por empresas como T-Systems, IBM, Locaweb e Nextios. O executivo tem mais de 20 anos de experiência no mercado de TI e grande expertise em cloud computing, cibersegurança e soluções tecnológicas para clientes dos mais diversos segmentos.
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Redação tecflow
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