
por Ciro Neto, 24 de setembro de 2025
O setor elétrico brasileiro vive um momento histórico. A aprovação das recentes medidas provisórias que tratam do mercado de energia reacendeu discussões fundamentais sobre justiça tarifária, acesso democrático e competitividade. Como executivo que atua há quatro anos no setor de energia — após duas décadas no setor de telecomunicações — observo que a transição para um mercado mais aberto e digitalizado traz tanto oportunidades quanto desafios estruturais.
- Participe dos nossos canais no Twitter, Telegram ou Whatsapp!
- Confira nossos stories no Instagram e veja notícias como essa!
- Siga o tecflow no Spotify Podcast para ouvir nosso conteúdo!
- Anuncie conosco aqui ou apoie o tecflow clicando neste link
- Assine nossa newsletter neste link
- Siga o tecflow no tik tok
Mais do que uma mudança regulatória, estamos diante de uma transformação que pode reposicionar o Brasil no cenário global da energia. A abertura do mercado livre não é apenas um mecanismo de escolha para empresas e consumidores: ela inaugura uma nova lógica de funcionamento do setor, capaz de impactar desde a matriz energética até a forma como as famílias interagem com sua conta de luz. Se for bem conduzido, esse processo pode colocar o país na vanguarda da transição energética mundial, estimulando inovação, competitividade e sustentabilidade.
A seguir, destaco cinco pontos que considero essenciais para compreender essa agenda de transformação.
1) Justiça Tarifária:
A MP 1.300 ampliou a tarifa social: Famílias com consumo até 80 kWh/mês terão gratuidade, e até 120 kWh/mês, desconto. Isso traz alívio para milhões, mas não resolve a questão central: quem paga a conta. O custo recai sobre a CDE, onerando a classe média e o setor produtivo, que continuam arcando com subsídios sem ligação com seus negócios. Outras medidas que poderiam equilibrar estruturalmente o sistema, como novas modalidades tarifárias e revisão da formação de preços, ficaram de fora. Justiça tarifária exige atacar ineficiências e garantir que cada consumidor pague proporcional ao que realmente consome.
2) Abertura do mercado para o consumidor de baixa tensão:
O próximo passo é abrir o mercado para a baixa tensão. Se o congresso avançou na tarifa social em nome da justiça, também deve avançar na democratização do mercado livre. Hoje o consumidor já escolhe banco, operadora, streaming – falta a energia. A MP 1304 pode pavimentar esse caminho, assegurando regulação clara e supridor de última instância. Essa abertura, porém, exigirá investimentos relevantes em automação e digitalização para viabilizar a escala e gestão da entrada de milhões de novos clientes.
3) Fim do incentivo no fio:
O incentivo no fio foi essencial para a expansão das renováveis, mas agora gera distorções na tarifa de uso do sistema, afetando todos os consumidores. A energia limpa já é competitiva por si só e não precisa mais de subsídios artificiais. O que o setor precisa é previsibilidade regulatória, preços justos e regras claras de alocação de custos. O desafio está na transição: o texto atual exige registro da energia por todo o contrato, sem possibilidade de extinção em caso de inadimplência. Embora o impacto da inadimplência seja menor que a perda do benefício, poucos players demonstram apetite para assumir este risco em troca do prêmio.
4) Necessidade de digitalização do setor:
A abertura só será viável com digitalização ampla: medição inteligente, plataformas digitais de comercialização, processos ágeis na CCEE e ANEEL e uma experiência clara para o consumidor. O cliente precisa entender sua conta e contratar energia com a mesma facilidade de uma compra online. Essa transformação digital deve estar no centro das MPs. Além disso, a exposição ao consumidor exigirá das comercializadoras reputação sólida, investimentos em tecnologia e marca, e serviços de valor agregado que antecipem necessidades, garantindo margens atrativas aos investidores que financiarão esse movimento.

Assista agora! Jogos no PS5, Gears E-Day em outubro e
O momento mais aguardado e tenso para os fãs do Xbox na Summer Game Fest finalmente está aqui. Neste domingo,…
Com usinas acionadas em agosto, leilão de energia trará reajuste
O governo já bateu o martelo. Uma nova taxa bilionária vai pesar no seu bolso ano após ano, e o…
Samsung Ocean oferece cursos gratuitos de IA, programação, Digital Health,
Programa de capacitação tecnológica da Samsung oferece aulas, workshops e laboratórios gratuitos em formato online e presencial, com certificado de…
JBL lança Xtreme 5 no Brasil com bateria gigante de
Nova geração da famosa caixa de som premium chega ao mercado brasileiro com Bluetooth 6.0, resistência total contra água e…
Nova CEO do Xbox, Asha Sharma choca a indústria ao
O império dos games está balançando? “Não estamos em uma situação saudável”, dispara a chefe da divisão sobre o futuro…
A força oculta que fez o Nordeste engolir o resto
O Brasil se consolidou como a quinta maior potência de energia eólica do mundo. Descubra os mega-complexos bilionários e por…
A abertura do mercado livre de energia não é apenas uma pauta técnica ou regulatória. Trata-se de um verdadeiro projeto de país, com potencial de reposicionar o Brasil no cenário global da energia. O debate ultrapassa as fronteiras do setor elétrico: ele toca em justiça social, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e competitividade econômica.
Assim como aconteceu em outros setores estratégicos — como telecomunicações e financeiro —, a energia vive agora o seu momento de transformação. A quebra do monopólio da telefonia na década de 1990, por exemplo, abriu espaço para a democratização do acesso ao celular, que antes era um bem de luxo e hoje é um serviço essencial, acessível e competitivo. O mesmo ocorreu no setor financeiro, com a entrada de bancos digitais e fintechs, que ampliaram a inclusão bancária e elevaram o nível de concorrência.
No setor elétrico, o movimento de abertura tem o mesmo potencial disruptivo: tirar o consumidor da condição de refém de um modelo único e permitir que ele escolha como consumir, de quem contratar e a que preço. Essa liberdade, no entanto, precisa vir acompanhada de regras claras, digitalização e políticas públicas consistentes que garantam segurança para os consumidores e previsibilidade para os investidores.
O futuro do setor elétrico brasileiro dependerá da nossa capacidade de repetir, com a energia, os mesmos avanços estruturais que outros setores viveram. Mas há uma diferença importante: enquanto telecom e financeiro abriram espaço para inclusão e inovação, a energia carrega um papel estratégico adicional — o de sustentar a transição para uma economia verde, descarbonizada e competitiva.
Mais do que uma agenda regulatória, estamos falando de um movimento que pode definir o modelo de desenvolvimento do Brasil nas próximas décadas. Construir um mercado de energia justo, eficiente e inovador não é apenas uma necessidade: é uma oportunidade histórica para transformar o setor em alavanca de crescimento econômico e sustentabilidade para toda a sociedade.
Ciro Neto é executivo com 20 anos de experiência no setor de Telecomunicações e há 4 anos atua no setor de Energia. Foi Diretor de Varejo da 2W Energia e Diretor de Comercialização da Auren.
Faça como os mais de 10.000 leitores do tecflow, clique no sino azul e tenha nossas notícias em primeira mão! Confira as melhores ofertas de celulares na loja parceira do tecflow.
Redação tecflow
Tecflow é um website focado em notícias sobre tecnologia com resenhas, artigos, tutoriais, podcasts, vídeos sobre tech, eletrônicos de consumo e mercado B2B.



