
O golpe da “falsa central” tornou-se uma das práticas mais comuns: o telefone toca, o número é semelhante ao da central oficial, o interlocutor usa termos técnicos e orienta o usuário a clicar em links, digitar senhas ou fazer transferências. O desfecho é previsível: o contato era falso. Desde março de 2024, a Protect Call, tecnologia exclusiva da DMA (Digital Made Accessible), já bloqueou 150 milhões de tentativas de fraude, sendo 31 milhões apenas em setembro, mês que registrou o maior volume de ataques. Em média, 501 golpes são interrompidos a cada minuto.
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No mesmo período, mais de 15 milhões de pessoas foram protegidas, o equivalente a 10,8% da população economicamente ativa, e cerca de R$ 60 bilhões em prejuízos financeiros foram evitados, caso os golpes tivessem sido concretizados. O levantamento também mostra o perfil das vítimas mais frequentes: 53% são mulheres, 47% homens e 68% têm mais de 41 anos.
A tecnologia identifica chamadas suspeitas, mesmo as que usam números semelhantes aos oficiais, e as encerra antes que o usuário atenda. Em seguida, um alerta aparece na tela do celular explicando o motivo do bloqueio. A proteção ocorre de forma automática, sem necessidade de configuração adicional: basta ter instalado no celular o app de uma das mais de 170 empresas participantes da comunidade colaborativa da DMA.
“Nossa proposta é garantir que o elo mais vulnerável, o cidadão comum, esteja protegido antes mesmo de perceber o risco”, afirma Rui Vasconcelos, diretor de Segurança da DMA.
A solução foi adotada por instituições como Banco do Brasil, Bradesco, Santander, PAN, PortoBank, BV, BMG, Banco Inter e Credsystem. Em um dos maiores bancos do país, após três meses de implantação, houve queda de 90% nas tentativas de fraude simulando números oficiais. Dados internos da DMA também indicam que um mesmo número tenta aplicar o golpe em média 3 vezes por mês, reforçando o comportamento persistente dos criminosos.
A DMA também conta com um canal de pesquisa junto ao público. Entre 27,5 milhões de visualizações, 3,4 milhões de pessoas responderam: 73,2% disseram que a ligação era indesejada e, destes, 35% reconheceram tentativa de golpe. Dentro desse grupo, 30% relataram que os golpistas citaram o nome de diferentes instituições financeiras.

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A origem das tentativas também revela padrões: 35,7% dos números usados em fraudes têm DDDs de São Paulo, estado que concentra parte relevante do setor financeiro. O pico de ataques ocorre entre 11h e 20h, com concentração ao meio-dia, quando mais de 61 mil ligações fraudulentas chegam a ser bloqueadas diariamente.
Um ponto de vulnerabilidade está no perfil dos dispositivos: 40% das tentativas de golpe miram usuários com smartphones de até R$ 2 mil. Além disso, aparelhos que concentram múltiplos aplicativos bancários ou apps de acesso remoto tornam-se ainda mais expostos, abrindo portas para invasões e golpes.
A Protect Call é alimentada pela comunidade colaborativa da DMA formada por mais de 170 grandes empresas, de setores como telecomunicações, finanças, serviços públicos, varejo e saúde. Essas companhias contribuem com o compartilhamento de números telefônicos com indícios de atividade fraudulenta, fortalecendo a proteção de todo o ecossistema digital.
Todos os dias, 10 milhões de chamadas são analisadas pela Protect AI, inteligência artificial da DMA, que detecta padrões de risco e atualiza os filtros de bloqueio em tempo real.
“Comportamentos fraudulentos mudam o tempo todo. Nossa IA aprende diariamente com milhões de chamadas, ajustando os critérios de bloqueio e antecipando novos golpes. É isso que torna a proteção escalável e eficaz”, destaca Rui.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, os estelionatos digitais cresceram 13,6% entre 2022 e 2023, alta de 360% desde 2018. Enquanto isso, os roubos físicos a bancos e instituições financeiras caíram quase 30%.
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Redação tecflow
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