
O avanço acelerado da fraude digital colocou o Brasil no centro de um novo e preocupante cenário. Segundo o Sumsub Identity Fraud Report 2025–2026, ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no país em apenas um ano, impulsionando uma transformação sem precedentes nos métodos utilizados por criminosos. Embora a taxa geral de fraude de identidade tenha caído no período, o relatório revela uma guinada para golpes muito mais sofisticados, com um aumento global de 180% nas fraudes complexas, agora impulsionadas por IA generativa, identidades sintéticas e manipulação de telemetria.
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Lançado pela Sumsub, empresa especializada em verificação de identidade e prevenção de fraudes, o estudo analisou milhões de verificações e mais de 4 milhões de tentativas de fraude entre 2024 e 2025. Os dados mostram que a América Latina permanece entre os ecossistemas mais desafiadores do mundo, com um crescimento de 13,3% nas fraudes e forte impacto tanto em empresas quanto em usuários. Só em 2025, 68% dos brasileiros afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de fraude digital.

No Brasil, que concentra quase 39% dos deepfakes detectados na região, a rápida adoção de serviços digitais e sistemas financeiros modernos contrasta com uma elevação significativa na complexidade dos ataques, muitos deles conduzidos por tecnologias capazes de enganar processos de verificação avançados.
Para entender esse novo ciclo de ameaças, os riscos emergentes para consumidores e organizações e as estratégias necessárias para enfrentar o crime digital em 2026, tecflow conversou por e-mail com Georgia Sanches, líder de negócios da Sumsub no Brasil. Na entrevista a seguir, ela explica por que os golpes estão evoluindo tão rápido, como a inteligência artificial está reequilibrando o jogo entre fraudadores e defensores e quais tecnologias se tornam indispensáveis em um cenário onde a confiança precisa ser verificada a cada interação.

tecflow: O relatório aponta um aumento de 126% nos ataques com deepfakes no Brasil. Como a Linde avalia esse avanço e seus impactos no mercado brasileiro?
Georgia Sanches, líder de negócios da Sumsub no Brasil: O Brasil continua sendo o maior e mais influente mercado da região, respondendo por quase 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina. O aumento ano a ano dos ataques de deepfake no Brasil reflete uma mudança nos padrões de fraude: os esquemas costumavam ser mais simples, mas agora utilizam recursos tecnológicos avançados. Isso força as empresas a repensarem seus mecanismos de verificação, já que criminosos podem criar identidades falsas altamente realistas usando ferramentas de inteligência artificial amplamente disponíveis.
O impacto é sentido diretamente na confiança do mercado. Bancos, fintechs e plataformas digitais precisam lidar com clientes mais expostos e tentativas de fraude que exigem respostas rápidas e sofisticadas. Ao mesmo tempo, os usuários finais precisam estar vigilantes, já que os golpes também se tornaram mais convincentes, pois as novas tecnologias exigem pouca habilidade técnica dos cibercriminosos.
tecflow: A pesquisa mostra que 68% dos usuários brasileiros sofreram fraudes em 2025. Quais os maiores riscos para consumidores e empresas diante dessa nova geração de golpes impulsionados por IA?
Georgia Sanches: Os consumidores estão cada vez mais vulneráveis a fraudes que exploram inteligência artificial. A manipulação de dados pessoais e acessos digitais amplia os riscos, tornando contas e informações sensíveis alvos fáceis. Como mostra a pesquisa Sumsub 2025 Fraud Exposure, os ataques resultam em invasões de contas de redes sociais (63% dos entrevistados na LATAM), roubo de informações de saúde/seguro (11%), perda de acesso a sites governamentais (10%) e, claro, perdas financeiras devido a fraudes bem-sucedidas (54%).
Para as empresas, isso se traduz em perdas financeiras e reputacionais, além de interrupções operacionais, evasão de clientes, desafios com parceiros e investidores, penalidades e até revogação de licenças. A maior sofisticação dos ataques exige proteção que vá além das barreiras tradicionais, incorporando processos robustos, monitoramento contínuo e validação em tempo real capaz de usar a IA de forma defensiva contra fraudes impulsionadas pela própria tecnologia.
tecflow: A América Latina segue como uma das regiões mais afetadas do mundo. O que explica esse cenário e por que fraudadores têm priorizado o Brasil?
Georgia Sanches: A América Latina combina altos níveis de digitalização, mercados em rápido desenvolvimento com defesas desiguais e fragilidades estruturais, criando terreno fértil para operações fraudulentas. A diversidade regulatória e a dependência de processos manuais, relatada por 71% das empresas latino-americanas entrevistadas, também contribuem para a vulnerabilidade. O Brasil, devido ao seu tamanho e relevância econômica, torna-se um alvo prioritário.
Um estudo recente da Sumsub, o Global Fraud Index 2025, classificou o país entre os 15 territórios com maior risco de fraude no mundo, uma análise baseada em dados econômicos, ação governamental e níveis de digitalização. Mesmo com a queda da fraude tradicional, os criminosos encontram oportunidades para aplicar esquemas mais complexos, aproveitando a escala do mercado e a rápida adoção de serviços financeiros digitais.
tecflow: O Sumsub Identity Fraud Report destaca que 28% das tentativas de fraude globais já são altamente sofisticadas. As empresas brasileiras estão preparadas para esse nível de ataque?
Georgia Sanches: A crescente sofisticação das tentativas de fraude exige uma preparação que muitas empresas brasileiras ainda não possuem. Os dados mostram que 71% das empresas latino-americanas utilizam um modelo híbrido de prevenção à fraude, mas o mesmo percentual ainda depende de processos manuais. Embora reconheçam a necessidade de colaboração e defesa em camadas, as empresas revelam esse paradoxo claro que limita e atrasa sua capacidade de resposta contra ataques em tempo real.
Apesar do progresso regulatório e da maior conscientização, a adaptação tecnológica continua desigual. Isso deixa parte do mercado em desvantagem em relação aos criminosos que já utilizam inteligência artificial e ataques em múltiplas etapas para escalar seus esquemas.
tecflow: Deepfakes, identidades sintéticas e manipulação de telemetria estão se tornando comuns. Quais tecnologias e estratégias a Linde considera essenciais para conter esse tipo de ameaça?
Georgia Sanches: A prevenção de fraudes já não é mais, apenas, sobre capturar criminosos — trata-se de construir sistemas que se adaptem mais rápido do que os fraudadores conseguem inovar. É aí que a Sumsub pode ajudar. Ao combinar nosso motor de KYC (Know Your Customer) com monitoramento impulsionado por IA, análises comportamentais e detecção de fraudes na rede, a Sumsub oferece uma defesa unificada contra tomadas de contas, abertura de contas múltiplas, fraudes de pagamento e ataques emergentes habilitados por deepfake — tudo em uma única plataforma.
Estratégias em camadas são cruciais para enfrentar ameaças modernas. Biometria comportamental e validação contínua ajudam a detectar padrões invisíveis às verificações tradicionais, enquanto a identificação de dispositivos e a análise de comportamento de usuários baseada em aprendizado de máquina destacam interações suspeitas para que sistemas e equipes de segurança possam agir rapidamente.
Também é necessário validar não apenas documentos, mas o contexto em que são apresentados, como dispositivos e fluxos de câmera. Defesas adaptativas impulsionadas por IA são essenciais, permitindo a análise rápida e eficaz de grandes volumes de dados que possibilitam não apenas detectar ações perigosas, mas também agir de forma efetiva.

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tecflow: Em muitos casos, empresas ainda dependem de validações manuais. Como essa limitação impacta a velocidade de resposta e a detecção de ataques?
Georgia Sanches: A dependência de validações manuais cria atrasos que beneficiam os fraudadores. Enquanto as equipes revisam casos individualmente, ataques sofisticados podem se infiltrar e causar danos antes da detecção, atingindo múltiplas frentes simultaneamente.
Esse modelo prejudica tanto a experiência do usuário quanto a eficiência operacional. Sem automação, as empresas permanecem em desvantagem em relação aos criminosos que já utilizam ferramentas de IA para criar golpes convincentes em velocidade extrema. É por isso que dizemos que usar a IA de forma defensiva contra ataques impulsionados pela própria é fundamental para combater fraudes avançadas.
tecflow: O relatório aponta que 31% dos brasileiros foram abordados para atuar como “mulas de dinheiro”. Como educar o usuário final diante desse modelo de crime que mistura engenharia social e exploração financeira?
Georgia Sanches: O recrutamento de “mulas” ilustra como a fraude evoluiu para explorar diretamente os indivíduos. A educação é a ferramenta mais eficaz para reduzir esse risco, alertando os usuários sobre ofertas suspeitas e promessas de dinheiro fácil.
O contexto socioeconômico também desempenha um papel, já que dificuldades financeiras e falta de apoio adequado podem tornar tais ofertas tentadoras. Os usuários devem ser participantes ativos na defesa contra a exploração, com campanhas de conscientização combinadas com sistemas que bloqueiem transações irregulares, limitando o alcance das redes criminosas.
De forma geral, esforços cooperativos de governos, mídia e empresas de tecnologia são necessários para educar e alertar amplamente as pessoas sobre as ameaças sofisticadas online, incluindo o recrutamento de “mulas”.
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tecflow: Observando 2026, qual deve ser o maior desafio para empresas e consumidores em relação à escalada da fraude digital?
Georgia Sanches: O maior desafio será lidar com ataques autônomos de agentes fraudulentos de IA, capazes de criar identidades falsas e interagir com sistemas de verificação em tempo real com extremo realismo, mesmo contra defesas automatizadas. Esse nível de automação aumenta tanto a escala quanto a complexidade da fraude, exercendo maior pressão sobre sistemas e equipes de segurança para que verifiquem agentes de IA e interrompam fraudes agênticas, ao mesmo tempo em que exige maior atenção dos consumidores.
Empresas e indivíduos precisarão se adaptar a um ambiente onde a confiança deve ser constantemente reavaliada. Tecnologias de IA, biometria e inteligência compartilhada serão indispensáveis para enfrentar essa nova fase.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.



