
Em um dos maiores movimentos do setor elétrico nacional nos últimos anos, a brasileira Casa dos Ventos anunciou a assinatura de um contrato bilionário com a dinamarquesa Vestas. O acordo, avaliado em cerca de R$ 5 bilhões, prevê o fornecimento de 184 turbinas eólicas que somam 828 megawatts (MW) de capacidade instalada, representando um marco para a retomada da cadeia produtiva de energia renovável no país.
O projeto dom inocêncio
Batizado de Dom Inocêncio, o novo complexo eólico será erguido nos municípios de Lagoa do Barro e Queimada Nova, no interior do Piauí. Com o início das obras agendado para 2026 e previsão de conclusão em 2028, o empreendimento possui números expressivos:
- Capacidade de atendimento: Suficiente para abastecer 2 milhões de residências.
- Geração de empregos: Estimativa de 8.500 postos de trabalho diretos e indiretos durante a fase de implantação.
- Fornecimento nacional: As pás eólicas serão produzidas pela Aeris Energy, fortalecendo a parceria de longo prazo com a Vestas.
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Respiro em meio à crise industrial

O contrato surge como um raro ponto positivo em um cenário de forte retração do mercado eólico brasileiro. Desde 2022, grandes fabricantes como GE Renewable Energy, Siemens Gamesa e WEG paralisaram ou reduziram drasticamente suas linhas de produção no país, enfrentando o fenômeno da desindustrialização do setor.
Para Eduardo Ricotta, CEO da Vestas na América Latina, o negócio é fundamental para manter a operação da fábrica em Fortaleza (CE). “Este projeto dá força para continuar com a operação da planta e reativar a indústria após anos de hiato em novos pedidos”, destacou o executivo.

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Estratégia: Da energia para os dados
Um diferencial estratégico do projeto Dom Inocêncio é o seu destino final. Em vez de depender exclusivamente do mercado livre de energia tradicional, a Casa dos Ventos direcionou a produção para o crescente mercado de Data Centers.
A maior parte da energia já está contratada para atender processamento de dados, incluindo o megaprojeto no Porto do Pecém (CE) — desenvolvido para atender o TikTok (ByteDance) — e instalações na região de São Paulo. Segundo Ricotta, essa transição reflete uma mudança de paradigma: “Passamos de elétrons para bits”, aproveitando a abundância de recursos naturais para exportar dados processados com energia limpa.

Lucas Araripe (esq.), da Casa dos Ventos, e Eduardo Ricotta, da Vestas, firmam acordo para a entrega de 184 turbinas — Foto: Divulgação
Desafios estruturais e “Curtailment”
Apesar do otimismo com o novo contrato, o setor ainda enfrenta gargalos significativos. O principal deles é o curtailment — cortes de geração determinados pelo ONS devido a limitações na rede de transmissão.
Lucas Araripe, diretor executivo da Casa dos Ventos, mantém uma postura resiliente, afirmando que a empresa atua ativamente no “advocacy” para que o governo e reguladores resolvam esses entraves. A companhia conta com uma estrutura financeira sólida para mitigar riscos, incluindo o apoio da TotalEnergies (detentora de 34% da empresa) e linhas de financiamento do BNDES (Fundo Clima) e do Banco do Nordeste (BNB).
Embora o acordo de R$ 5 bilhões sinalize uma retomada, especialistas alertam que a estabilidade a longo prazo da indústria eólica no Brasil ainda depende de avanços na infraestrutura de transmissão e de um ambiente regulatório mais previsível.
Com informações do Valor Econômico.
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Redação tecflow
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