Infraestrutura digital: Santander aposta no mercado de capitais como motor para Data Centers

Com a necessidade de aportes bilionários, setor deve diversificar fontes de crédito e atrair investidores institucionais através de debêntures e fundos imobiliários em 2026.

O mercado brasileiro de processamento de dados está prestes a romper a barreira do financiamento tradicional. Para dar conta da demanda por expansão digital, o setor de data centers passará a buscar oxigênio financeiro diretamente no mercado de capitais. De acordo com Marcelo Kuhnlenz Sahatdjian, executivo do Santander à frente da área de Infraestrutura Digital, ferramentas como a securitização de recebíveis e a criação de fundos imobiliários específicos para o setor devem se tornar realidade entre 2026 e 2027.

Saindo do capital privado para o crédito incentivado

Até então, a base de construção das “usinas de dados” no país dependia majoritariamente de capital próprio das operadoras ou de linhas de crédito em bancos comerciais. No entanto, o volume de investimento represado exige agora uma abordagem mais sofisticada. A grande aposta reside nas debêntures incentivadas, que garantem benefícios tributários a investidores interessados em ativos estratégicos. Embora o mercado brasileiro de debêntures ainda privilegie setores como transporte e energia, o Santander projeta que 2026 será o ano em que os data centers consolidarão seu espaço nesse portfólio.

Contratos longos: O atrativo para fundos imobiliários

A natureza do negócio de data centers — contratos de 10 a 20 anos com gigantes da tecnologia e pagamentos muitas vezes indexados ao dólar — cria um fluxo de caixa altamente previsível. Essa estabilidade é o cenário ideal para o surgimento de novos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) focados em ativos de tecnologia. Gestores já estudam estruturas onde o fundo financia a obra em troca dos recebíveis de locação, transformando o “espaço físico para servidores” em um ativo financeiro de baixo risco e alto rendimento.

Governança e a alavancagem do Redata

Para atrair o investidor global, o setor caminha para a organização de projetos sob Sociedades de Propósito Específico (SPEs), garantindo que cada empreendimento tenha sua contabilidade e riscos isolados. No horizonte regulatório, a expectativa gira em torno do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter). A regulamentação deste regime pode destravar um ciclo de investimentos estimado em R$ 2 trilhões, volume necessário para quadruplicar o poder computacional do Brasil nos próximos anos e consolidar o país como um hub digital na América Latina.

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Redação tecflow

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