
O uso de inteligência artificial (IA) para criar golpes digitais atingiu um novo patamar no Brasil, com casos que vão além de fraudes financeiras: envolvem manipulação emocional e identidades falsas altamente convincentes. Um episódio recente — em que uma brasileira acreditou estar em um relacionamento amoroso com o ator Brad Pitt e chegou a esperar por ele em um aeroporto — terminou com a intervenção da polícia e exemplifica a gravidade da ameaça.
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Especialistas em segurança digital alertam que deepfakes — tecnologia que gera imagens, vídeos e áudios falsos com alto realismo — estão cada vez mais sendo usados por quadrilhas para criar narrativas enganosas e enganar vítimas por meio de engenharia social.
Brasil lidera crescimento de fraudes com deepfakes impulsionadas por IA
Dados do Identity Fraud Report 2025–2026, da empresa de verificação de identidade Sumsub, mostram que o Brasil foi responsável por cerca de 39% de todos os casos de deepfakes detectados na América Latina em 2025, com um aumento de 126% em ataques envolvendo deepfakes e identidades sintéticas entre 2024 e 2025, mesmo com uma redução geral na taxa de fraudes de identidade.
Esse cenário não é uma estatística fria: ele se reflete em golpes reais, como o caso da mulher que passou horas à espera de um encontro com o ator, convencida por interações digitais que pareciam legítimas.
Especialista em IA e fraude digital: “golpes estão cada vez mais sofisticados”
Em entrevista a um veículo do setor de tecnologia, Georgia Sanches, líder de negócios da Sumsub no Brasil, ressaltou que a IA generativa está transformando o crime digital ao permitir que fraudadores criem identidades sintéticas e perfis falsos com rapidez e baixo custo.
“O Brasil continua sendo o maior mercado da região, respondendo por uma grande parte dos deepfakes na América Latina. Os criminosos podem criar identidades falsas altamente realistas usando ferramentas de IA amplamente disponíveis, o que exige que empresas e usuários repensem seus mecanismos de verificação”, disse Sanches.
Segundo ela, além do impacto financeiro, essas fraudes representam um desafio reputacional e operacional para instituições financeiras, plataformas digitais e consumidores que estão cada vez mais expostos a ataques sofisticados.

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Quando o crime vira caso policial
O episódio envolvendo a brasileira que acreditava estar em um relacionamento com Brad Pitt evidencia um aspecto crítico desses golpes: a exploração de vulnerabilidades emocionais. Criminosos constroem narrativas personalizadas que embarcam vídeos, imagens e mensagens convincentes — muitas vezes gerados por IA — para estabelecer confiança e aprofundar o engajamento da vítima.
Com isso, as vítimas podem:
- gastar tempo e recursos seguindo instruções falsas;
- fornecer dados pessoais sensíveis;
- compartilhar fotos, documentos ou até autorizar transações financeiras;
- acreditar em relacionamentos ou oportunidades inexistentes.
Quando familiares ou terceiros percebem sinais claros de que algo está errado, a saída tem sido recorrer às autoridades para registrar ocorrência e tentar interromper a fraude.
Especialista jurídico sobre deepfakes e responsabilidade criminal
Para Paulo Perrotti, advogado especializado em direito digital, casos que envolvem deepfakes podem configurar estelionato, falsidade ideológica e outros crimes previstos no Código Penal, dependendo das circunstâncias, e são cada vez mais alvo de investigação pelo uso de tecnologia para enganar e lesar vítimas.
“Mesmo quando não há perda financeira imediata, o uso de identidades falsas e manipulação psicológica podem justificar a atuação policial e legal. As autoridades precisam mapear padrões e responsabilizar quem cria e distribui deepfakes com fins criminosos”, explica Perrotti.
Do romance scam à fraude corporativa
Embora golpes amorosos chamem atenção pela natureza sensacional, a mesma tecnologia e tática de engenharia social são amplamente usadas em fraudes financeiras corporativas, como:
- falsificação de executivos em chamadas de vídeo para autorizar transferências;
- uso de perfis falsos para obter acesso a sistemas empresariais;
- manipulação de biometria ou tentativas de burlar mecanismos de verificação automática.
Empresas no Brasil muitas vezes ainda dependem de validações manuais ou sistemas desatualizados, que não conseguem acompanhar a velocidade e realismo das fraudes modernas, o que agrava a vulnerabilidade do ecossistema digital.
Um alerta para usuários e empresas
O caso relatado é mais do que um incidente isolado: é um sinal claro de que golpes com IA e deepfakes estão evoluindo rapidamente, exigindo:
- maior educação digital;
- verificação rigorosa de identidades online;
- uso de tecnologias avançadas de detecção;
- colaboração entre usuários, empresas e autoridades.
À medida que a IA generativa se torna mais integrada à nossa vida online, a capacidade de distinguir entre o real e o artificial será cada vez mais crítica — não apenas para evitar perdas financeiras, mas para proteger a integridade das relações humanas no mundo digital.
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Redação tecflow
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