
Em entrevista exclusiva, o Field CTO da Akamai, Fernando Serto, analisa o salto de 300% na atividade de bots e alerta: o uso de deepfakes em tempo real e a pressão extrema sobre a infraestrutura digital prometem testar os limites do Brasil nas eleições de 2026.
A internet que conhecemos está com os dias contados. Se 2024 e 2025 foram marcados pelo deslumbramento e pelo “workslop” (conteúdo gerado por IA sem valor real), 2026 surge como o ano da colisão entre a automação industrial e a infraestrutura física. Segundo os dados alarmantes do relatório “Fraud and Abuse Report 2025: Charting a Course Through AI’s Murky Waters“, da Akamai, a atividade de bots alimentados por Inteligência Artificial saltou 300% globalmente em apenas um ano.
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No Brasil, o cenário é de “tempestade perfeita”: a pressão sobre cabos submarinos e data centers atinge o limite, enquanto o cibercrime profissionaliza o Fraud-as-a-Service, abandonando o usuário comum para atacar o coração das grandes corporações. Para completar o desafio, o país enfrenta um ano eleitoral sob a sombra das deepfakes em tempo real, tecnologias capazes de clonar rostos e vozes em debates ao vivo com uma precisão que desafia a realidade.
Para entender como sobreviver a essa nova arquitetura digital, o tecflow entrevistou com exclusividade Fernando Serto, Diretor de Tecnologia de Segurança da Akamai Technologies Latam. Nesta conversa, Serto disseca o fim da era dos cliques, o risco real de interrupções em serviços financeiros e por que a governança de IA será a única linha de defesa entre o sucesso empresarial e o caos sistêmico em 2026.

tecflow: Com a ascensão dos agentes de IA que executam tarefas de forma autônoma, como as empresas devem adaptar sua arquitetura digital para garantir que seus conteúdos continuem sendo “descobertos” por esses sistemas?
Fernando Serto, Diretor de Tecnologia de Segurança da Akamai Technologies Latam: Com os agentes de IA, a descoberta não depende mais da navegação humana; ela ocorre cada vez mais por meio do acesso automatizado a dados e serviços. Essa lógica não é mais guiada por páginas, mas por interoperabilidade técnica e governança de automação. Para continuar visíveis, as empresas precisam estruturar seus ambientes para consumo automatizado confiável, com APIs bem definidas e estáveis, metadados consistentes, baixa latência e regras claras de acesso.
Com o crescimento acelerado de bots com IA, que já aumentaram 300% globalmente, é importante diferenciar agentes legítimos de automações abusivas. Nesse cenário, a visibilidade passa a ser determinada pela capacidade de oferecer acesso confiável e seguro, com integridade dos dados e controle do uso, evitando tanto o bloqueio indiscriminado quanto a exposição a abusos.
tecflow: Em 2026, o Brasil terá eleições presidenciais. Como a tecnologia de proteção da Akamai está sendo preparada para combater o uso de deepfakes em tempo real em transmissões e debates virtuais?
Fernando: Deepfakes em tempo real ampliam o risco ao deslocar a ameaça para a infraestrutura de distribuição. A atuação da Akamai se concentra na proteção do caminho completo da transmissão, com mitigação de ataques de negação de serviço, validação da origem do tráfego e identificação de comportamentos automatizados usados para amplificar conteúdos falsos.
Em contextos eleitorais, garantir a estabilidade das plataformas, evitar interrupções e bloquear tentativas de manipulação de audiência são algumas das medidas para reduzir o impacto dessa tecnologia ao vivo.

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tecflow: O relatório menciona uma fase de correção da IA corporativa após um ciclo de conteúdos de baixo valor em 2025. Quais setores no Brasil devem liderar a adoção desses modelos de linguagem especializados em 2026?
Fernando: Os setores mais expostos a fraude e automação maliciosa devem liderar essa transição. No Brasil, varejo e serviços financeiros já concentram a maior parte da atividade de bots com IA na América Latina e, por isso, devem avançar mais rapidamente para modelos especializados.
Bancos, e-commerces e telecomunicações devem priorizar modelos de linguagem focados em tarefas específicas, como detecção de fraude, análise de comportamento, automação de atendimento e proteção de APIs, substituindo soluções genéricas que geram alto volume de conteúdo, mas pouco valor operacional.
tecflow: O aumento do tráfego automatizado impõe uma carga massiva sobre data centers e cabos submarinos. Existe o risco real de “apagões digitais” ou interrupções em serviços financeiros no Brasil devido a essa demanda da IA?
Fernando: O risco é a dependência de uma única estrutura. A maior parte do tráfego internacional depende de um número limitado de cabos submarinos, enquanto aplicações de IA ampliam o consumo de banda e processamento de forma contínua.
Essa concentração cria pontos únicos de falha. No Brasil, setores como o financeiro, que dependem de conectividade estável e baixa latência, são particularmente sensíveis. Falhas técnicas, ambientais ou ataques podem gerar efeitos em cascata, reforçando a necessidade de distribuição geográfica, redundância e mitigação de tráfego automatizado abusivo.
tecflow: Ameaças Corporativas: O cibercrime está deixando de focar no usuário final para mirar grandes empresas que utilizam IA intensivamente. Qual é a recomendação da Akamai para que essas companhias diferenciem o tráfego legítimo de bots maliciosos em escala industrial?
Fernando: As empresas precisam tratar a automação como um elemento permanente da superfície de ataque e adotar uma classificação por intenção, não por volume. A sofisticação de modelos como fraud-as-a-service faz com que bots maliciosos imitem com precisão o comportamento humano.
Diferenciar tráfego legítimo exige análise comportamental contínua, correlação de eventos e proteção específica de APIs e lógica de negócio. Monitorar antes de bloquear, criar camadas de defesa e seguir frameworks são práticas fundamentais para usar e dominar a automação sem comprometer operações legítimas.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.
