
Em entrevista exclusiva, Fernando Rodrigues, Gerente de Relações Institucionais da ABREE, revela os erros fatais que brasileiros cometem ao descartar eletrônicos e como blindar suas senhas e contas bancárias hoje (28/01).
Hoje, 28 de janeiro, o mundo celebra o Dia Internacional da Proteção de Dados, mas a maior ameaça à sua segurança digital pode estar esquecida em uma gaveta ou, pior, no lixo comum. Você sabia que aquele notebook que “nem liga mais” ou aquele celular antigo podem ser a porta de entrada para golpes financeiros e roubo de identidade?
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Para marcar a data, conversamos com Fernando Rodrigues, Gerente de Relações Institucionais da ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos). O especialista faz um alerta contundente: a maioria dos consumidores acredita que está protegida, mas está entregando suas vidas digitais de bandeja para criminosos.
“Muitos esquecem que aparelhos armazenam senhas salvas, tokens de acesso e e-mails corporativos. Quando acessados por terceiros, esses dados facilitam fraudes e golpes direcionados”, revela Rodrigues.
Nesta entrevista reveladora, o porta-voz da ABREE desmistifica a segurança da “restauração de fábrica”, explica por que equipamentos quebrados ainda são perigosos e ensina o passo a passo definitivo para você descartar seu lixo eletrônico sem virar a próxima vítima de um ataque cibernético.

tecflow: Além de fotos e mensagens, quais são os dados mais sensíveis que as pessoas costumam esquecer dentro de eletroeletrônicos e que podem ser usados em golpes financeiros?
Fernando Rodrigues, Gerente de Relações Institucionais da ABREE: Além de fotos e conversas, muitos consumidores esquecem que os aparelhos armazenam informações extremamente sensíveis, como senhas salvas em navegadores e aplicativos, dados bancários, chaves de autenticação, tokens de acesso, e-mails corporativos, cópias de documentos pessoais, além de aplicativos de instituições financeiras e carteiras digitais. Outro ponto crítico são os backups automáticos, que muitas vezes permanecem ativos e vinculados à conta do usuário. Quando acessados por pessoas mal-intencionadas, esses dados podem facilitar fraudes financeiras, roubo de identidade e golpes direcionados.
tecflow: Apenas “restaurar as configurações de fábrica” é suficiente para garantir que os dados não sejam recuperados por softwares profissionais?
Fernando Rodrigues: Na maioria dos casos, não. Restaurar as configurações de fábrica é um passo importante, mas, de forma isolada, não garante a eliminação total dos dados — especialmente em equipamentos mais antigos ou quando a criptografia não está ativada. O ideal é combinar etapas: realizar backup, remover todas as contas vinculadas, deslogar de serviços, ativar a criptografia (caso ainda não esteja ativa), sobrescrever os dados sempre que possível e, só então, efetuar a restauração de fábrica. Em ambientes corporativos, recomenda-se o uso de softwares específicos de apagamento seguro, alinhados a padrões internacionais de segurança da informação.

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tecflow: Como o sistema de logística reversa da ABREE garante que, após o descarte, ninguém tenha acesso ao hardware para tentar extrair informações?
Fernando Rodrigues: Os pontos de recebimento da ABREE operam dentro de um sistema estruturado, rastreável e seguro. Após a entrega, os equipamentos são encaminhados a operadores homologados, que seguem protocolos rigorosos de segurança, controle de acesso e segregação de materiais. Em vez de retornarem ao mercado de consumo, os eletroeletrônicos passam por processos industriais como desmontagem, descaracterização e trituração, o que inviabiliza qualquer tentativa de acesso aos dados. Todo o fluxo é alinhado às exigências legais, ambientais e de segurança.
tecflow: Existe alguma estimativa de quantos brasileiros descartam aparelhos de forma incorreta, sem apagar os dados?
Fernando Rodrigues: Como a ABREE não acessa os dados dos itens recebidos, não há números oficiais sobre esse aspecto. No entanto, devido à falta de conhecimento técnico, à falsa percepção de que um equipamento “quebrado” não oferece riscos ou à crença de que a simples restauração de fábrica é suficiente, é possível inferir que uma parcela significativa da população ainda não adota os cuidados necessários. Esse cenário reforça a importância de ações educativas que integrem sustentabilidade e proteção de dados.
tecflow: No caso de notebooks ou celulares que não ligam mais, como o consumidor pode garantir a destruição dos dados antes do descarte?
Fernando Rodrigues: Quando o equipamento não liga, o mais importante é remover qualquer mídia de armazenamento acessível, como HDs, SSDs ou cartões de memória, sempre que possível. Em notebooks, por exemplo, o disco rígido pode ser retirado e encaminhado separadamente para destruição segura ou descarte adequado. Caso a remoção não seja viável, a orientação é buscar um serviço técnico especializado para a eliminação dos dados. Ao entregar o equipamento em um ponto de logística reversa da ABREE, o consumidor tem a tranquilidade de que o material passará por processos industriais que eliminam definitivamente a possibilidade de recuperação das informações.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.
