Brasil joga fora o equivalente a 10 meses de Belo Monte em energia limpa

O Brasil está vivendo um paradoxo energético alarmante. Enquanto o mundo busca fontes renováveis, o país está sendo obrigado a “desperdiçar” uma quantidade recorde de energia solar e eólica. Em 2025, o chamado curtailment, o corte forçado da geração pelas autoridades, ultrapassou a marca de 20% de toda a capacidade produzida, um salto chocante em relação aos anos anteriores.

A energia jogada no lixo apenas no último ano seria suficiente para abastecer toda a frota de 600 mil carros elétricos do Brasil por um ano inteiro, ou manter acesos 40 data centers de grande porte.

O que é o Curtailment e por que ele dobrou em um ano?

O termo técnico curtailment refere-se ao controle rígido do Operador Nacional do Sistema (ONS), que ordena que usinas solares e eólicas parem de gerar energia, mesmo com sol a pino e ventos fortes. Em 2024, esse corte era de 9,3%. Em 2025, ele explodiu para 20,6%.

Para se ter uma ideia da gravidade, o volume de energia que deixou de ser aproveitado equivale a dez meses de produção da usina de Belo Monte, a segunda maior do país.

Por que estamos cortando energia limpa?

  • Sobreoferta (54% dos casos): O país está produzindo mais energia do que consegue consumir ou armazenar durante o dia.
  • Segurança do Sistema (33%): Limitações nas linhas de transmissão impedem que a energia gerada no Nordeste, por exemplo, chegue aos grandes centros de consumo sem colocar a rede em risco.
  • Fatores Externos (13%): Condições meteorológicas extremas ou indisponibilidades técnicas.

O “Vilão” Invisível: A Geração Distribuída (GD)

Um dos grandes complicadores para o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN) é o crescimento explosivo da Geração Distribuída, aqueles painéis solares instalados em telhados de casas e empresas.

Diferente das grandes usinas, a GD não é controlada pelo ONS. Como a produção solar nos telhados cresce sem parar (já atingindo 42 GW de capacidade), o Operador é obrigado a cortar a produção das grandes usinas centrais para evitar um colapso na rede ou um apagão por excesso de carga.

Risco de Apagão e o Futuro da Matriz Elétrica

O curtailment é, na verdade, um mecanismo de defesa. Se a geração for muito maior que a demanda, o sistema pode sofrer um desequilíbrio fatal. No entanto, a eficiência desse modelo está em xeque.

Estimativas indicam que, se nada mudar na infraestrutura de transmissão e armazenamento, os cortes por sobreoferta podem atingir 96% de todo o curtailment em apenas três anos. O Brasil corre o risco de se tornar um país que produz energia infinita, mas não consegue entregá-la ao consumidor, mantendo os preços altos apesar da abundância.

O que esperar para os próximos anos?

A integração da Geração Distribuída, que pode representar um terço da matriz brasileira até 2029, exige investimentos pesados em baterias de larga escala e modernização das linhas de transmissão. Sem isso, continuaremos “desligando o sol e o vento” enquanto a conta de luz do brasileiro segue pressionada pela necessidade de manter o equilíbrio do sistema.

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Redação tecflow

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