O custo do desperdício: impacto financeiro do ‘curtailment’ triplica e atinge R$ 905 milhões em 2026

Volume de cortes na geração renovável dobra no primeiro trimestre, mas a escalada nos preços da energia faz o prejuízo financeiro saltar 191% em comparação ao ano passado.

O setor de energia renovável no Brasil enfrenta um paradoxo perigoso: enquanto a capacidade instalada cresce, a infraestrutura de escoamento não acompanha o ritmo, resultando no agravamento do curtailment (corte forçado de geração). Dados recentes apresentados pela Volt Robotics durante o 11º Encontro de Negócios ABEEólica revelam um cenário alarmante: o impacto financeiro desses cortes triplicou em 2026.

Entre 1º de janeiro e 11 de março deste ano, o volume de energia cortada somou 4,1 milhões de MW médios. Embora o número absoluto pareça menor que o de 2025 (5,2 milhões), o executivo Donato Filho alerta que o dado do ano passado foi inflado pela queda das torres do linhão de Belo Monte. Desconsiderando esse evento atípico, os cortes efetivos dobraram, saltando de 2 milhões para 4,1 milhões de MW médios.

A conta que não fecha: de R$ 311 mi para R$ 905 mi

O ponto mais crítico para os investidores é a desproporção entre o volume físico e o prejuízo financeiro. Enquanto o volume de energia desperdiçada dobrou, o rombo econômico triplicou, passando de R$ 311 milhões em 2025 para R$ 905 milhões no mesmo período de 2026.

A causa principal dessa disparidade é o aumento do preço do MWh na base de comparação. O setor agora lida com uma “tempestade perfeita”: mais cortes em momentos de energia mais cara.

A “curva do pato” e o papel das baterias (BESS)

O Diretor do ONS, Christiano Vieira da Silva, utilizou uma metáfora conhecida no setor para explicar o desafio: “O pato está engordando”. Ele se refere à “Curva do Pato”, onde o excesso de geração solar durante o dia cria uma queda brusca na carga atendida por outras fontes, seguida por uma rampa de subida agressiva no final da tarde.

Para o ONS, a solução não é única, mas passa obrigatoriamente por:

  • Armazenamento (Baterias): Essencial para aplanar a curva e evitar o desperdício do excedente diurno.
  • Fontes Controláveis: Necessidade de resposta rápida para as rampas de carga.
  • Sinal de Preço: Estruturas tarifárias que incentivem o consumo nos horários de superoferta.

Perspectivas: alívio apenas em 2028?

A previsão para o curto prazo é de agravamento. Com a expansão da geração concentrada no período da manhã e a falta de carga para absorver esse volume, os cortes devem continuar subindo. Especialistas indicam que um alívio estrutural só deve ser sentido a partir de 2028 ou 2029, quando grandes obras de transmissão devem entrar em operação para escoar a energia, especialmente do Nordeste.

Enquanto isso, a Aneel corre contra o tempo com a Consulta Pública 45/2019. A relatora Agnes da Costa busca definir regras mais claras para a classificação dos cortes, incluindo o debate polêmico sobre a possibilidade de realizar cortes físicos na MMGD (Micro e Minigeração Distribuída) para garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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Redação tecflow

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