IA acelera infraestrutura e Shadow AI amplia riscos nas empresas brasileiras, aponta estudo da Nutanix

A inteligência artificial está acelerando a transformação da infraestrutura de TI nas empresas brasileiras, ao mesmo tempo em que amplia desafios de governança, segurança e controle de dados. É o que revela o Enterprise Cloud Index (ECI) 2026, estudo da Nutanix, desenvolvido pela Wakefield Research, que mede o avanço da adoção de nuvem, conteinerização e aplicações com IA nas organizações.

O levantamento, com recorte específico para o Brasil, mostra que a IA está impulsionando fortemente a modernização da infraestrutura corporativa, enquanto expõe lacunas importantes na integração entre áreas e no controle do uso da tecnologia dentro das empresas.

IA acelera adoção de containers no Brasil

Segundo a pesquisa, 86% dos executivos brasileiros afirmam que a inteligência artificial está acelerando a adoção de containers, reforçando uma mudança estrutural na forma como as organizações estão modernizando suas arquiteturas de TI.

O estudo também indica que 81% dos executivos de TI no Brasil e 87% globalmente esperam aumento do nível de conteinerização nos próximos três anos, evidenciando que essa tendência deve se intensificar.

Entre as empresas que já utilizam containers para aplicações de IA, 71% dos profissionais no Brasil afirmam estar desenvolvendo novas aplicações nesse modelo, seja como abordagem principal ou em conjunto com a modernização de sistemas legados.

Quando questionados sobre os principais motivadores, 48% dos executivos brasileiros apontam ganhos de desempenho, como velocidade, confiabilidade e escalabilidade, como fatores decisivos para ampliar o uso de containers nos próximos 12 meses. Globalmente, 85% dos entrevistados afirmam que a IA está acelerando essa transição, reforçando o cenário também observado no Brasil.

Shadow AI e silos ampliam riscos operacionais

Apesar do avanço tecnológico, o estudo aponta que a governança da IA ainda é um desafio relevante. 81% dos executivos brasileiros e 87% globalmente acreditam que o uso de ferramentas e agentes de IA fora da supervisão oficial cria riscos para o negócio.

Essa preocupação se confirma na prática: 74% dos executivos no Brasil afirmam já ter identificado aplicações ou agentes de IA implementados por colaboradores fora da área de TI, número próximo ao índice global de 79%.

Além disso, 82% dos entrevistados apontam que silos entre áreas de negócio e TI prejudicam a execução de iniciativas tecnológicas, ao menos em algum nível, o que dificulta a integração e aumenta a exposição a riscos relacionados a dados sensíveis e propriedade intelectual.

Os dados indicam que, à medida que a IA se espalha pelas organizações, cresce a necessidade de maior integração entre áreas técnicas e unidades de negócio para garantir governança e reduzir riscos operacionais.

Soberania de dados influencia decisões de infraestrutura

A soberania de dados também aparece como um fator estratégico no Brasil. 72% dos executivos classificam o tema como prioridade alta ou obrigatória nas decisões de infraestrutura, enquanto a média global é de 80%.

Mais da metade dos entrevistados (57%) afirma sentir necessidade de operar sua infraestrutura dentro do país, seja em ambientes on-premises ou em regiões locais de nuvem, motivados por exigências de clientes e stakeholders.

Além disso, as empresas brasileiras mostram maior preferência por ambientes híbridos: 49% priorizam a execução de aplicações conteinerizadas em ambientes on-premises ou nuvens privadas, enquanto 38% optam por nuvem pública, reforçando uma estratégia focada em controle e segurança.

Infraestrutura ainda não acompanha a velocidade da IA

O estudo também aponta um descompasso entre estratégia e capacidade tecnológica. 59% das organizações esperam ter mais de cinco aplicações habilitadas por IA nos próximos três anos, mas 82% afirmam que suas infraestruturas atuais ainda não estão totalmente preparadas para suportar cargas de trabalho de IA on-premises.

Segundo o diretor-geral da Nutanix Brasil, Leonel Oliveira, da Nutanix, o cenário exige maior preparo organizacional para lidar com a complexidade da IA: “As organizações precisam de segurança, resiliência, flexibilidade e portabilidade para suportar cargas de trabalho de IA em qualquer lugar. Hoje, os desafios da IA se multiplicam por meio dos ambientes corporativos e os líderes, não somente de TI, mas de diversas áreas, precisam endereçar soluções para ter confiança de que a tecnologia será utilizada com governança e real valor para o negócio.”

Metodologia

Pelo oitavo ano consecutivo, a Nutanix encomendou à Wakefield Research um estudo global sobre adoção de nuvem, conteinerização e aplicações com inteligência artificial generativa.

A pesquisa foi realizada entre 13 e 23 de novembro de 2025, com 1.600 executivos de nuvem, TI e engenharia em 14 países. No Brasil, foram entrevistados 100 executivos de empresas com mais de 500 funcionários. A margem de variação do recorte brasileiro é de ±9,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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Marciel

Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.

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