

Relatório global aponta recorde de crimes com criptomoedas e reforça a necessidade de investidores adotarem medidas de proteção contra golpes, fraudes e ataques cibernéticos
O crescimento do mercado de criptoativos ampliou o acesso de milhões de pessoas aos investimentos digitais, mas também trouxe novos desafios relacionados à segurança digital. Em um cenário marcado pelo avanço de ataques de hackers, golpes financeiros cada vez mais sofisticados e falhas em plataformas de negociação, especialistas alertam que entender os riscos da custódia digital tornou-se tão importante quanto acompanhar a valorização dos ativos.
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Segundo dados do The 2026 Crypto Crime Report, da Chainalysis, o crime financeiro envolvendo criptomoedas atingiu níveis históricos em 2025. O relatório estima que endereços ligados a atividades ilícitas receberam pelo menos US$ 154 bilhões em ativos digitais ao longo do ano, representando um crescimento de 162% em relação ao período anterior. “O investidor costuma olhar apenas para a volatilidade do mercado, mas hoje existe um segundo risco igualmente importante: o risco operacional e de segurança. Entender como funcionam as exchanges, a custódia dos ativos e as principais modalidades de fraude passou a fazer parte da própria estratégia de investimento”, destaca Cleverson Pereira, Head Educacional da OnilX, que está há seis anos no mercado.
O estudo também revela que mais de US$ 2,17 bilhões foram roubados de empresas e serviços ligados ao mercado de criptomoedas apenas no primeiro semestre de 2025. O principal episódio foi o ataque à exchange Bybit, responsável por perdas próximas de US$ 1,5 bilhão e considerado o maior roubo de criptoativos já registrado. Além disso, hackers ligados à Coreia do Norte teriam sido responsáveis pelo desvio de aproximadamente US$ 2 bilhões em ativos digitais ao longo do ano.

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O que é um hacker e como ele consegue roubar criptomoedas
Ao contrário do imaginário popular, a maioria dos ataques não ocorre diretamente contra a tecnologia blockchain. Os criminosos costumam explorar vulnerabilidades humanas e operacionais para acessar contas e ativos digitais. Hackers utilizam técnicas como phishing, engenharia social, roubo de credenciais, malware, clonagem de sites, perfis falsos em redes sociais e até ferramentas de inteligência artificial para enganar usuários. Em muitos casos, o objetivo é obter acesso à chave privada ou à chamada seed phrase, conjunto de palavras que funciona como a credencial máxima para movimentação dos criptoativos.
“A blockchain continua sendo uma das infraestruturas tecnológicas mais seguras do mundo. O problema geralmente está na camada humana. O criminoso não precisa quebrar a tecnologia quando consegue convencer a própria vítima a entregar suas informações”, explica Cleverson.

Exchanges oferecem praticidade, mas não eliminam riscos
As exchanges são plataformas que permitem comprar, vender, armazenar e negociar criptomoedas. Funcionam de forma semelhante às corretoras tradicionais, oferecendo liquidez e facilidade de acesso ao mercado. No Brasil, essas empresas se enquadram na categoria de Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), cuja regulamentação vem sendo estruturada pelo Banco Central após a aprovação do marco legal dos criptoativos.
Apesar dos avanços regulatórios, manter recursos em uma exchange significa confiar a custódia dos ativos à plataforma. Caso a empresa enfrente problemas operacionais, ataques cibernéticos, bloqueios de saque, falhas de governança ou dificuldades financeiras, os investidores podem ser impactados. A regulamentação busca aumentar os padrões de transparência, gestão de riscos e controles internos das empresas do setor, mas não elimina completamente os riscos inerentes à custódia terceirizada.
“Exchange não é cofre absoluto. Ela oferece conveniência, mas existe um risco de contraparte que precisa ser considerado. O investidor deve avaliar reputação, transparência, histórico operacional e práticas de segurança antes de escolher onde manter seus recursos”, destaca o especialista.
Segurança digital virou parte da educação financeira
Com a expansão dos ativos digitais e o aumento da sofisticação dos ataques, especialistas defendem que a segurança digital deve ser tratada como um componente fundamental da educação financeira moderna. No Brasil, o Banco Central tem avançado na regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais, estabelecendo regras para funcionamento, autorização e governança das empresas que atuam no setor. Ainda assim, grande parte da proteção continua dependendo do próprio investidor. “A nova fronteira do risco financeiro está na interseção entre custódia digital, engenharia social e crime cibernético transnacional. Quem investe em criptomoedas precisa compreender que segurança deixou de ser um detalhe técnico e passou a ser uma competência financeira essencial”, conclui Cleverson Pereira.
Checklist para escolher uma exchange
- Verificar se a empresa possui CNPJ e histórico público;
- Conferir canais oficiais de atendimento;
- Avaliar práticas de custódia e segurança;
- Pesquisar reclamações recorrentes sobre saques;
- Desconfiar de promessas de rentabilidade garantida;
- Evitar plataformas que pressionam decisões rápidas.
Checklist de segurança para investidores
- Ativar autenticação em dois fatores (2FA);
- Utilizar senhas fortes e exclusivas;
- Nunca compartilhar seed phrase ou chave privada;
- Evitar clicar em links recebidos por mensagens;
- Utilizar redes seguras para acessar contas;
- Manter apenas o necessário em exchanges;
- Considerar carteiras frias para investimentos de longo prazo.
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Redação tecflow
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