Curtailment no Brasil recua em junho, mas perdas de energia eólica e solar já ultrapassam 58 milhões de MWh

Apesar da redução mensal de 13,2%, volume acumulado de energia renovável desperdiçada segue em alta. Restrições por razões energéticas continuam liderando os cortes, segundo levantamento da ePowerBay.

O volume de energia renovável desperdiçada por curtailment no Brasil apresentou queda em junho, mas o problema continua crescendo no acumulado do ano. Dados da ePowerBay mostram que as restrições à geração de energia eólica e solar totalizaram 2,53 milhões de MWh no mês, uma redução de 13,2% em relação ao período anterior.

Mesmo com esse recuo, o volume histórico de energia que deixou de ser gerada já se aproxima de 58,5 milhões de MWh, registrando aumento de 4,5% na comparação com o mês anterior.

O levantamento reforça que o curtailment permanece como um dos principais desafios para a expansão das fontes renováveis no país, afetando diretamente a rentabilidade dos empreendimentos e a eficiência do sistema elétrico.

O que é curtailment?

Curtailment é o termo utilizado para definir a redução ou interrupção da geração de energia, mesmo quando usinas eólicas e solares possuem capacidade para produzir eletricidade.

Na prática, a energia deixa de ser gerada devido a limitações operacionais do sistema elétrico, indisponibilidade da rede de transmissão ou necessidade de manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Esse fenômeno tem se tornado cada vez mais frequente à medida que cresce a participação das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.

Restrições energéticas continuam sendo o principal motivo

Segundo a ePowerBay, as restrições por razões energéticas (ENE) seguem como a principal causa das perdas acumuladas.

A modalidade responde por 51,7% de toda a energia cortada registrada até o momento.

Na sequência aparecem:

Motivo do curtailmentParticipação nas perdas acumuladas
Razões energéticas (ENE)51,7%
Confiabilidade do sistema (CNF)35,3%
Indisponibilidade da rede (REL)13,1%

Considerando uma geração verificada de aproximadamente 576 milhões de MWh, o percentual histórico de energia interrompida já alcança 10,1%.

Gargalos continuam concentrados em três estados

Os maiores volumes de restrições permanecem concentrados em empreendimentos localizados no Rio Grande do Norte, Bahia e Minas Gerais, estados que concentram grande parte da expansão da geração renovável brasileira.

Entre as subestações mais afetadas estão:

  • Açu III;
  • João Câmara III;
  • Monte Verde;
  • Janaúba 3;
  • Gentio do Ouro II.

Em todas elas, as perdas acumuladas ultrapassam 2 milhões de MWh.

Complexos renováveis lideram perdas

O levantamento mostra ainda que alguns conjuntos de usinas concentram os maiores volumes de energia que deixou de ser produzida.

Entre os empreendimentos com maiores perdas acumuladas estão:

  • Janaúba;
  • Serra do Mel A;
  • Serra do Mel B;
  • Caju.

Cada um desses complexos já registra mais de 1 milhão de MWh de geração frustrada.

No caso dos parques eólicos, os maiores percentuais de curtailment estão concentrados na Bahia e no Rio Grande do Norte.

Já entre as usinas solares, os cortes mais elevados ocorrem em projetos localizados na:

  • Bahia;
  • Pernambuco;
  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Piauí.

Revisão de dados pode aumentar receitas das geradoras

Além dos números sobre as perdas, o estudo chama atenção para a Consulta Pública nº 210/2025, que pode representar uma oportunidade financeira para os empreendedores do setor.

A proposta prevê que os geradores possam reenviar informações de medição e disponibilidade operacional para recalcular os volumes efetivos de energia cortada.

Segundo a ePowerBay, esse procedimento pode elevar significativamente os valores passíveis de recuperação financeira.

Em um dos exemplos apresentados no estudo, o volume de energia reconhecida como interrompida aumentou de 67 mil para 92 mil MWh após a revisão dos dados, elevando o impacto econômico estimado para cerca de R$ 22,7 milhões.

Curtailment segue como um dos principais desafios da transição energética

Embora a capacidade instalada de usinas eólicas e solares continue crescendo rapidamente no Brasil, especialistas apontam que os investimentos em transmissão e modernização da infraestrutura elétrica precisam acompanhar esse avanço.

Sem reforços na rede, o aumento da geração renovável tende a ampliar os episódios de curtailment, reduzindo o aproveitamento da energia produzida e afetando novos investimentos no setor.

Enquanto isso, o volume de energia limpa que deixa de ser aproveitada continua crescendo e já supera 58 milhões de MWh, evidenciando a necessidade de soluções estruturais para garantir maior eficiência ao sistema elétrico brasileiro.

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Redação tecflow

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