
Nova plataforma offshore de 16 MW opera em águas profundas, abastece campo de petróleo com energia limpa e coloca a China na liderança da energia eólica flutuante.
A China deu mais um passo na corrida global pela transição energética ao conectar à rede elétrica sua primeira plataforma flutuante de energia eólica capaz de suportar tufões de categoria 17, uma das condições climáticas mais extremas registradas no planeta.
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Batizado de CNOOC Anlan, o projeto foi desenvolvido pela China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) e entrou em operação no campo petrolífero de Lufeng, no Mar do Sul da China. Além de fornecer eletricidade renovável diretamente para a produção de petróleo offshore, a estrutura representa um dos maiores avanços da engenharia em energia eólica flutuante.
Gigante dos mares tem altura de um prédio de 110 andares
O impressionante parque eólico offshore chama atenção pelas dimensões.
A plataforma possui capacidade instalada de 16 MW, pesa cerca de 7.800 toneladas e alcança uma altura equivalente a um edifício de quase 110 andares.
Seu rotor varre uma área semelhante a 7,5 campos de futebol, permitindo capturar ventos constantes em alto-mar para gerar eletricidade em larga escala.
Instalada a 136 quilômetros da costa e em uma profundidade de 136 metros, a turbina foi projetada especificamente para operar em águas profundas, onde os ventos são mais intensos e constantes.

Tecnologia suporta tufões extremos
O grande diferencial do CNOOC Anlan é sua capacidade de enfrentar eventos climáticos severos.
A plataforma utiliza um sistema de pernas tensionadas (Tension Leg Platform – TLP), tecnologia que aumenta significativamente a estabilidade da estrutura mesmo diante de ondas gigantes e ventos extremos.
Segundo a CNOOC, o projeto foi desenvolvido para resistir a tufões de categoria 17, condição considerada extremamente rara e destrutiva.
Comparado às tradicionais plataformas semissubmersíveis, o sistema tensionado também reduz o consumo de aço por megawatt instalado e ocupa uma área menor no oceano, diminuindo conflitos com rotas marítimas e atividades pesqueiras.
Energia limpa abastece campo de petróleo
Embora esteja instalada em um campo petrolífero, a turbina tem como objetivo reduzir a emissão de carbono da própria operação offshore.
A energia gerada é transmitida por um cabo submarino diretamente para as instalações do campo de Lufeng, substituindo parte da eletricidade produzida por geradores movidos a combustíveis fósseis.
A expectativa é que a plataforma produza cerca de 54 milhões de kWh de energia limpa por ano, suficiente para reduzir significativamente o consumo de óleo combustível utilizado nas operações.
Segundo a CNOOC, o projeto deverá economizar aproximadamente 15 mil metros cúbicos de combustível anualmente e evitar a emissão de cerca de 35 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.
Modelo híbrido aumenta confiabilidade
Como a geração eólica depende das condições climáticas, a companhia chinesa desenvolveu um modelo híbrido de fornecimento de energia.
O sistema integra geração eólica offshore, geração convencional e armazenamento de energia, permitindo maior estabilidade no fornecimento elétrico para plataformas de petróleo e gás.
A estratégia busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis sem comprometer a continuidade das operações em alto-mar.
China aposta em águas profundas
Especialistas apontam que a China possui um dos maiores potenciais mundiais para geração de energia eólica em águas profundas.
Grande parte desse potencial está localizada distante da costa, onde turbinas convencionais fixadas ao fundo do mar deixam de ser viáveis economicamente.
As plataformas flutuantes surgem como alternativa para explorar essas áreas, abrindo espaço para projetos cada vez maiores nos próximos anos.
Corrida global pela energia eólica offshore acelera
A entrada em operação do CNOOC Anlan reforça a estratégia chinesa de ampliar investimentos em energias renováveis e reduzir a intensidade de carbono de sua matriz energética.
Além de apoiar a produção de petróleo com energia limpa, o projeto demonstra como tecnologias de engenharia avançada podem expandir a geração eólica para regiões antes consideradas inacessíveis.
Com capacidade para operar em condições extremas, a nova plataforma coloca a China entre os países mais avançados no desenvolvimento de turbinas eólicas flutuantes de grande porte e pode servir de referência para futuros projetos em outras regiões do mundo.
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Redação tecflow
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