
A IBM apresentou uma nova tecnologia de refrigeração criogênica que pode representar um avanço importante para o futuro da computação quântica. O sistema, apelidado de “geladeira quântica”, consegue manter processadores quânticos em temperaturas inferiores a 15 milikelvins, equivalente a apenas 0,015 grau acima do zero absoluto.
A temperatura alcançada pela empresa é cerca de 180 vezes menor que a temperatura média do espaço profundo, que fica próxima de 2,7 kelvins devido à radiação cósmica de fundo.
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Mais do que atingir temperaturas extremas, a inovação busca resolver um dos maiores desafios da computação quântica atual: criar máquinas maiores, estáveis e capazes de corrigir seus próprios erros.
Nova arquitetura tenta superar limite de escala da computação quântica
Os computadores quânticos da IBM utilizam qubits supercondutores, componentes extremamente sensíveis que precisam operar em ambientes próximos ao zero absoluto. Pequenas variações de temperatura podem causar interferências e aumentar a quantidade de erros durante os cálculos.
O novo sistema criogênico foi desenvolvido com uma arquitetura modular, permitindo que diferentes processadores quânticos sejam conectados e funcionem simultaneamente dentro de ambientes ultrafrios.
A estratégia muda a forma tradicional de construir computadores quânticos. Em vez de concentrar todos os qubits em um único processador físico, a IBM pretende distribuir os componentes entre diferentes módulos e conectá-los por meio de uma infraestrutura capaz de manter a estabilidade necessária.

Cabos supercondutores conectam diferentes módulos quânticos
Um dos elementos centrais da nova arquitetura são os chamados L-couplers, cabos supercondutores de alumínio desenvolvidos pela IBM para permitir a comunicação entre diferentes módulos criogênicos.
Os componentes podem alcançar aproximadamente um metro de comprimento, permitindo que qubits instalados em diferentes unidades interajam entre si sem comprometer o ambiente de baixa temperatura.
| Tecnologia | Função na arquitetura quântica |
|---|---|
| Sistema criogênico modular | Mantém processadores em temperaturas inferiores a 15 milikelvins |
| L-couplers | Permitem conexão entre diferentes módulos quânticos |
| Qubits supercondutores | Realizam operações quânticas em ambiente ultrafrio |
| Correção de erros | Aumenta a confiabilidade dos cálculos quânticos |
A expectativa da IBM é que essa abordagem permita construir computadores quânticos muito maiores do que os modelos atuais, especialmente aqueles voltados para operações tolerantes a falhas.
IBM ainda precisa provar operações quânticas entre módulos
Apesar do avanço, a tecnologia ainda está em fase inicial. A IBM conseguiu conectar dois módulos e manter as condições criogênicas necessárias, além de realizar operações simples utilizando o processador quântico Flamingo.
O próximo passo será testar novos processadores, incluindo o Nighthawk, para avaliar o desempenho da arquitetura em cenários mais complexos.
A empresa pretende iniciar a implementação dessa arquitetura modular em 2027 e tem como uma das principais metas para 2029 o desenvolvimento do computador quântico Starling.
Starling promete 200 qubits lógicos e milhões de operações
O projeto Starling é uma das apostas da IBM para alcançar uma nova geração de computadores quânticos. O sistema foi projetado para operar com 200 qubits lógicos e realizar cerca de 100 milhões de operações quânticas.
Diferentemente dos qubits físicos tradicionais, que são mais vulneráveis a erros, os qubits lógicos combinam múltiplos qubits físicos utilizando técnicas de correção de falhas para aumentar a precisão dos cálculos.
Essa capacidade é considerada essencial para transformar a computação quântica experimental em uma tecnologia capaz de resolver problemas complexos em áreas como ciência, indústria, inteligência artificial, química e pesquisa farmacêutica.
Refrigeração extrema é uma das chaves para o futuro quântico
A nova “geladeira quântica” da IBM mostra que o avanço da computação quântica depende não apenas de aumentar o número de qubits, mas também de desenvolver uma infraestrutura capaz de manter esses componentes funcionando de forma confiável.
Ao criar um sistema criogênico modular e escalável, a empresa busca superar uma das maiores barreiras da tecnologia: sair de pequenos experimentos controlados para máquinas quânticas maiores, conectadas e tolerantes a falhas.
Embora ainda existam desafios técnicos antes que computadores quânticos de larga escala se tornem realidade, a nova arquitetura representa mais um passo na corrida para construir a próxima geração de computação.
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Redação tecflow
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