
Nota técnica analisou bases internacionais de vento e revelou áreas estratégicas para futuros projetos de energia marítima no país.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou 20 regiões com características semelhantes de vento ao longo da costa brasileira e apontou três áreas consideradas hotspots para geração de energia eólica offshore, com velocidades médias de vento que chegam a 10 metros por segundo (m/s).
O levantamento faz parte de uma nota técnica que analisou diferentes bases públicas de dados para avaliar o potencial brasileiro de geração de energia no mar. O estudo comparou informações meteorológicas e padrões de comportamento dos ventos para criar uma divisão estratégica das áreas marítimas.
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A análise ganha relevância diante do avanço dos debates sobre a regulamentação e expansão da energia eólica offshore no Brasil, considerada uma alternativa para ampliar a geração renovável e complementar outras fontes da matriz elétrica nacional.
EPE mapeou 20 regiões com diferentes características de vento
Para avaliar o potencial offshore brasileiro, a EPE utilizou três bases internacionais de dados:
| Base analisada | Característica |
|---|---|
| ERA5 | Produto de reanálise atmosférica utilizado em estudos climáticos e energéticos |
| MERRA-2 | Base de reanálise atmosférica com dados históricos de vento e clima |
| Global Wind Atlas (GWA) | Plataforma que combina dados de reanálise com técnicas de redução de escala para maior resolução espacial |
Após comparar os dados, a EPE selecionou a base considerada mais adequada e aplicou uma metodologia de agrupamento das áreas marítimas.
O resultado foi a criação de 20 clusters, que representam regiões com comportamento semelhante dos ventos, considerando fatores como velocidade média, variação diária e comportamento sazonal.

Três hotspots de eólica offshore se destacam no Brasil
Entre as 20 regiões identificadas, três apresentaram os maiores valores médios de velocidade dos ventos.
| Região | Localização aproximada | Velocidade média dos ventos | Destaque |
|---|---|---|---|
| Nordeste (Região B) | Entre Piauí e Rio Grande do Norte | Entre 7 m/s e 10 m/s | Ventos mais constantes e direções predominantes bem definidas |
| Sudeste (Cluster 15) | Litoral do Rio de Janeiro | Até 10 m/s | Velocidades elevadas em períodos específicos do ano |
| Sul (Cluster 20) | Sul de Santa Catarina até Rio Grande do Sul | Até 10 m/s | Menor variabilidade sazonal dos ventos |
Segundo a EPE, esses três grupos apresentam velocidades médias superiores aos demais clusters analisados.
Nordeste apresenta ventos mais constantes para geração offshore
Apesar das três áreas apresentarem alto potencial energético, o comportamento dos ventos varia conforme a localização.
A análise da EPE identificou diferenças importantes:
| Região | Característica dos ventos |
|---|---|
| Nordeste | Maior constância dos ventos e direções predominantes mais estáveis |
| Rio Grande do Sul | Menor variação sazonal da velocidade média |
| Rio de Janeiro | Ventos mais fortes em determinados períodos, especialmente janeiro e fevereiro |
O estudo também avaliou a frequência das velocidades dos ventos por meio da distribuição de Weibull, metodologia utilizada para entender a regularidade e a variação do recurso eólico.
EPE avalia comportamento diário e sazonal dos ventos
Além da velocidade média, a pesquisa analisou como os ventos se comportam ao longo do ano e durante diferentes horários do dia.
| Análise | Resultado identificado |
|---|---|
| Comportamento anual | Ventos geralmente mais fortes na costa brasileira durante o segundo semestre |
| Períodos de maior intensidade | Algumas regiões mantêm ventos elevados também no início do ano |
| Comportamento diário | Diversos clusters apresentam tendência de ventos mais fortes entre o início da noite e a manhã |
A avaliação mostra que o potencial offshore brasileiro não depende apenas da velocidade média, mas também da previsibilidade e regularidade do recurso.
Eólica offshore pode complementar matriz elétrica brasileira
Para a EPE, a divisão da costa brasileira em regiões com características semelhantes permite uma avaliação mais detalhada da contribuição que a energia eólica offshore pode oferecer ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
A análise considera que cada região possui vantagens específicas:
| Região | Possível contribuição para o sistema |
|---|---|
| Nordeste | Complementaridade com outras fontes renováveis devido à regularidade dos ventos |
| Sudeste | Potencial estratégico próximo a grandes centros consumidores |
| Sul | Possibilidade de diversificação da geração renovável |
Segundo o estudo, compreender os diferentes regimes de vento é essencial para planejar uma expansão energética mais equilibrada.
Dados ainda precisam ser validados com medições no mar
Apesar dos avanços, a EPE destaca que ainda existem limitações devido à falta de medições diretas realizadas no ambiente offshore.
Os dados utilizados são adequados para uma etapa inicial de seleção de áreas, mas possuem incertezas que precisam ser reduzidas antes da implantação dos projetos.
| Necessidade | Objetivo |
|---|---|
| Torres anemométricas offshore | Medir velocidade e comportamento dos ventos diretamente no mar |
| Boias LIDAR flutuantes | Coletar dados de vento em diferentes alturas |
| Estações meteoceanográficas | Avaliar condições ambientais e marítimas |
A obtenção desses dados será importante para estudos de viabilidade e decisões de investimento.
Setor vê estudo como avanço para energia marítima
A Coalizão Eólica Marinha (CEM) afirmou que o levantamento confirma tecnicamente o potencial da energia offshore como complemento ao parque gerador brasileiro.
Segundo a entidade, a geração eólica no mar pode ajudar a equilibrar períodos de menor disponibilidade de outras fontes renováveis e contribuir para um sistema elétrico mais seguro e resiliente.
No entanto, o setor reforça que ainda é necessário avançar na cessão de áreas para permitir medições mais detalhadas e reduzir riscos técnicos antes da implantação dos projetos.
Com o novo mapeamento da EPE, o Brasil amplia o conhecimento sobre seu potencial offshore e dá mais um passo para desenvolver uma nova fronteira de geração renovável.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.
