Eólica offshore no Brasil prevê US$ 100 milhões em investimentos e criação de até 10 mil empregos

Projeto Aura Sul Wind pretende instalar primeira planta-piloto de turbinas eólicas offshore flutuantes do país e transformar Rio Grande em polo industrial de energia renovável

A indústria de energia eólica offshore flutuante começa a ganhar novos contornos no Brasil com a previsão de US$ 100 milhões em investimentos nos próximos quatro anos para a implantação do projeto Aura Sul Wind, no município de Rio Grande (RS). A iniciativa tem como objetivo desenvolver a primeira planta-piloto de turbinas eólicas offshore flutuantes do país e criar uma nova cadeia produtiva ligada à economia marítima.

A expectativa é que a consolidação desse polo industrial gere entre 5 mil e 10 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação do projeto, com potencial de expansão nas futuras etapas comerciais da geração eólica offshore brasileira.

O projeto será apresentado nesta quinta-feira (10), durante o 2º Encontro de Colaboração da Indústria Aura Sul Wind, realizado no Oceantec – Parque Científico e Tecnológico da Furg, em Rio Grande. O evento reunirá representantes da indústria marítima, universidades, setor portuário, empresas e órgãos públicos para discutir infraestrutura, operações offshore e oportunidades para fornecedores locais.

Rio Grande quer se tornar referência em energia eólica offshore

O Aura Sul Wind é liderado pela empresa JB Energy, que instalou sua sede brasileira no Rio Grande em janeiro deste ano, dentro do Oceantec, parque científico e tecnológico ligado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

A proposta vai além da geração de eletricidade. O projeto busca criar um ecossistema industrial completo envolvendo empresas de diferentes segmentos, como:

  • Construção e operação de estaleiros;
  • Serviços portuários;
  • Logística marítima;
  • Embarcações de apoio offshore;
  • Rebocadores;
  • Inspeções submarinas;
  • Operações com veículos subaquáticos (ROVs);
  • Manutenção de equipamentos;
  • Monitoramento ambiental;
  • Serviços de emergência.

Segundo o CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves, o desenvolvimento da indústria depende da integração entre diferentes setores.

“A tecnologia é o ponto de partida para a criação dessa indústria; no entanto, precisamos conectar projetos, portos, academia, empresas marítimas, fornecedores locais e pessoas”, afirma.

Tecnologia flutuante será usada em águas profundas

Um dos diferenciais do Aura Sul Wind é a utilização da tecnologia japonesa Raijin Float, baseada em plataformas flutuantes de concreto pré-moldado.

As estruturas deverão ser fabricadas e montadas no distrito industrial de Rio Grande e em outros municípios da região antes de serem transportadas para o local definitivo no oceano.

O empreendimento será instalado em águas profundas, a mais de 40 metros da costa, característica que reduz impactos visuais no litoral e amplia as possibilidades de aproveitamento do potencial eólico marítimo brasileiro.

A energia gerada inicialmente será destinada ao abastecimento do complexo do Porto do Rio Grande, contribuindo para a descarbonização das operações logísticas da região.

Projeto pretende fortalecer cadeia industrial brasileira

O encontro promovido pelo Aura Sul Wind tem como foco mapear as capacidades existentes na região e identificar quais áreas precisam ser desenvolvidas para atender às futuras demandas da indústria offshore.

A iniciativa é realizada em colaboração com o APL Marítimo RS e a ApexBrasil, aproximando empresas locais, instituições de pesquisa e o setor público.

Entre os temas debatidos estão a conexão do cluster marítimo de Rio Grande ao projeto, integração entre pesquisa e indústria, oportunidades para fornecedores e os desafios de infraestrutura portuária para a implantação da eólica offshore flutuante.

Eólica offshore ganha espaço na transição energética brasileira

O avanço do Aura Sul Wind ocorre em um momento de crescimento das discussões sobre o papel da energia eólica offshore na transição energética brasileira.

Com grande potencial de geração devido à extensão da costa nacional e à disponibilidade de ventos constantes em alto-mar, a tecnologia é vista como uma alternativa para ampliar a participação das fontes renováveis na matriz elétrica.

Além da geração de energia limpa, projetos desse tipo podem impulsionar novos mercados, estimular a indústria naval e criar empregos qualificados em áreas como engenharia, tecnologia, manutenção e operações marítimas.

Com a previsão de operação da planta-piloto em 2030, o projeto busca posicionar Rio Grande como um dos futuros centros da indústria eólica offshore no Brasil.

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Redação tecflow

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