
Especialistas afirmam que celulares, inteligência artificial e comportamento dos usuários ampliam riscos de ataques cibernéticos e vazamentos de dados
A sequência de grandes incidentes de cibersegurança registrada nos últimos meses voltou a colocar a proteção de dados no centro das preocupações de empresas e usuários. A descoberta de um banco de dados com 24 bilhões de registros contendo senhas e credenciais de acesso, somada à investigação de uma tentativa de ataque cibernético ao Banco Central, reforça que nenhuma organização está totalmente protegida contra ameaças digitais.
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Os casos evidenciam que a segurança da informação deixou de ser um tema restrito aos departamentos de tecnologia e passou a fazer parte da estratégia de negócios e da rotina de milhões de brasileiros que utilizam serviços digitais diariamente.
Celulares se tornaram um dos principais alvos dos criminosos
Para Fabio Brodbeck, cofundador e CGO do Grupo OSTEC, empresa especializada em cibersegurança, o crescimento dos ataques também está relacionado à popularização dos smartphones, que concentram informações pessoais, financeiras e profissionais.
“De bancos digitais a aplicativos de compras, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial, milhões de brasileiros compartilham dados diariamente sem saber exatamente como essas informações são armazenadas, utilizadas ou protegidas. O celular se tornou o principal ponto de entrada para ataques porque concentra acessos a dezenas de serviços, muitas vezes sem as camadas básicas de proteção ativadas”, afirma.
Segundo o executivo, a transformação digital ampliou significativamente a superfície de ataque e aumentou o valor econômico das informações pessoais.
“Hoje, um CPF, um número de telefone, um endereço de e-mail ou um histórico de compras podem ser suficientes para que criminosos construam golpes extremamente convincentes. Os vazamentos não representam apenas perda de informação; eles alimentam um mercado criminoso que utiliza esses dados durante meses ou até anos para aplicar fraudes”, diz.

Dados vazados continuam sendo usados por criminosos por anos
Especialistas alertam que os impactos de um vazamento não terminam quando o incidente é divulgado.
Depois que uma base de dados é exposta, as informações costumam circular em fóruns clandestinos e podem ser combinadas com registros obtidos em outros ataques.
Essa prática permite que criminosos desenvolvam campanhas altamente personalizadas de engenharia social, aumentando as chances de convencer vítimas a compartilhar senhas, códigos de autenticação ou realizar transferências financeiras.
Um exemplo recente foi o megavazamento descoberto em junho, que reunia senhas em texto simples, URLs de login e informações sobre a origem das credenciais, facilitando novos ataques contra usuários e organizações.
Inteligência artificial torna golpes mais sofisticados
Outro fator que preocupa especialistas é o uso crescente da inteligência artificial por criminosos para aumentar a eficiência dos golpes digitais.
Se anteriormente muitas fraudes podiam ser identificadas por erros de ortografia ou mensagens genéricas, hoje ferramentas baseadas em IA conseguem criar e-mails, mensagens instantâneas e páginas falsas extremamente convincentes.
“Os ataques deixaram de ser massivos para serem personalizados. A IA permite que criminosos utilizem informações públicas e dados obtidos em vazamentos para construir abordagens muito mais persuasivas. O elo mais explorado continua sendo o comportamento humano”, afirma Brodbeck.
Além do uso por criminosos, cresce também a preocupação com o compartilhamento indiscriminado de informações sensíveis em plataformas públicas de inteligência artificial.
“É cada vez mais comum que pessoas copiem documentos, contratos, informações financeiras ou dados corporativos para ferramentas de IA em busca de produtividade. Dependendo da plataforma utilizada e das configurações adotadas, esse hábito pode representar riscos importantes para a privacidade e para a segurança das organizações”, alerta.
Transparência e resposta rápida se tornam diferenciais competitivos
Para Jardel Torres, sócio e diretor comercial do Grupo OSTEC, a confiança dos clientes dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de responder rapidamente aos incidentes.
“Nenhuma organização consegue afirmar que jamais sofrerá uma tentativa de ataque. O diferencial está na capacidade de detectar rapidamente um incidente, conter seus impactos, comunicar os clientes com transparência e manter uma estratégia contínua de proteção.”
Segundo o executivo, a cibersegurança passou a ser um ativo estratégico para qualquer organização.
“A reputação digital passou a ser um ativo. Empresas que demonstram maturidade em segurança da informação, governança e resposta a incidentes fortalecem a confiança de clientes, parceiros e investidores.”
Boas práticas ajudam a reduzir riscos de fraudes

Embora empresas precisem investir continuamente em tecnologias de proteção, especialistas destacam que atitudes simples dos usuários podem reduzir significativamente as chances de sofrer golpes digitais.
Entre as principais recomendações estão:
- utilizar senhas diferentes para cada serviço;
- ativar a autenticação em dois fatores;
- desconfiar de mensagens que solicitem informações pessoais ou pagamentos urgentes;
- evitar compartilhar documentos e dados sensíveis em plataformas públicas de inteligência artificial.
“Não existe risco zero no ambiente digital. Empresas precisam investir continuamente em proteção e resposta a incidentes, mas os usuários também têm um papel fundamental ao adotar boas práticas de segurança. A conscientização tornou-se uma das ferramentas mais importantes para reduzir os impactos dos ataques”, conclui Torres.
Cibersegurança deixa de ser apenas uma questão de tecnologia
Com ataques cada vez mais sofisticados, impulsionados pelo uso de inteligência artificial e pela comercialização de dados vazados, especialistas defendem que a segurança digital seja tratada como uma prioridade permanente.
A combinação entre investimentos em tecnologia, processos de resposta a incidentes, governança e conscientização dos usuários será decisiva para reduzir os impactos financeiros e reputacionais provocados pelos próximos ataques cibernéticos.
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Redação tecflow
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