

Mercado brasileiro de smartphones recua 11% no primeiro semestre de 2026, com aumento dos custos de memória e pressão sobre a produção local
O mercado brasileiro de smartphones registrou queda de 11% nos envios ao varejo no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento da Counterpoint Research aponta um cenário de retração no setor, influenciado pelo aumento dos custos de memória, pela redução da produção doméstica e pela cautela dos consumidores.
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Apesar da queda geral, o desempenho das fabricantes foi diferente. A Xiaomi registrou redução de 34% nos envios, enquanto a Apple ampliou sua participação de mercado e a Samsung manteve a liderança no país.
Xiaomi perde espaço e Apple avança no mercado brasileiro
A Xiaomi apresentou queda de 34% nos envios de smartphones no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, na comparação anual. A fabricante chinesa passou de 11% para 7% de participação de mercado, permanecendo empatada com a Apple na terceira posição.
A Apple aumentou sua participação de 6% para 7%. O desempenho da companhia foi associado à demanda pela linha iPhone 17, aos descontos em modelos anteriores e ao crescimento de 7% na produção doméstica.
A Samsung, por sua vez, liderou o mercado brasileiro com 42% de participação, seguida pela Motorola, com 31%.
Participação das fabricantes no Brasil
| Fabricante | 1º semestre de 2025 | 1º semestre de 2026 |
|---|---|---|
| Samsung | 38% | 42% |
| Motorola | 30% | 31% |
| Xiaomi | 11% | 7% |
| Apple | 6% | 7% |
A Samsung e a Motorola somaram 73% de participação no mercado brasileiro de smartphones no primeiro semestre de 2026. Embora tenham ampliado sua fatia, a Samsung registrou queda de 6% no volume de envios, enquanto a Motorola recuou 2%.
Essa diferença mostra que o aumento da participação de mercado não significa necessariamente crescimento no número de aparelhos vendidos. Em um mercado que encolheu 11%, uma fabricante pode ganhar participação mesmo com redução no volume absoluto.

Samsung lidera, mas volume de envios recua
A Samsung manteve a primeira posição no mercado brasileiro, com 42% de participação. A marca se beneficiou da renovação da linha Galaxy A e do desempenho da série Galaxy S26, além de estratégias comerciais envolvendo distribuição e descontos.
O Galaxy A07 4G foi o modelo mais enviado ao varejo no primeiro semestre de 2026, com 8,3% do mercado. Os cinco aparelhos mais vendidos, todos da Samsung e da Motorola, concentraram 29% dos envios.

Celulares mais enviados ao varejo brasileiro
| Posição | Modelo |
|---|---|
| 1º | Samsung Galaxy A07 4G |
| 2º | Samsung Galaxy A17 4G |
| 3º | Motorola Moto G06 4G |
| 4º | Motorola Moto G15 4G |
| 5º | Samsung Galaxy A16 4G |
O Galaxy A07 4G foi lançado no Brasil com preço sugerido de R$ 899, enquanto o Galaxy A17 LTE chegou ao mercado a partir de R$ 1.399.
Celulares entre US$ 100 e US$ 249 representam 61% do mercado
A faixa de smartphones entre US$ 100 e US$ 249 concentrou 61% dos envios brasileiros no primeiro semestre de 2026. O segmento registrou crescimento de 37% na comparação anual.
Os aparelhos abaixo de US$ 249, somando as faixas de preço inferiores, responderam por 78% do mercado. Já os celulares de até US$ 99 tiveram queda de 50%.
Segundo Tina Lu, analista da Counterpoint Research, a mudança está relacionada à maior disposição dos consumidores para investir em especificações melhores, à ampliação da oferta de modelos chineses e aos efeitos iniciais do aumento dos custos de memória.
Mercado cinza e produção local afetam a Xiaomi
A Xiaomi não possui fabricação de smartphones no Brasil, e sua operação no país depende de importações e da distribuição por diferentes canais. A Counterpoint aponta a preferência por aparelhos produzidos localmente, a redução dos envios globais da marca e a concorrência com novas fabricantes chinesas como fatores relacionados à queda.
O relatório também menciona a relevância do mercado cinza, incluindo aparelhos que entram no Brasil por meio do Paraguai e podem ser vendidos com descontos em relação aos canais oficiais.
A tributação de importação e as condições de comercialização influenciam os preços, mas as alíquotas efetivas variam conforme o produto, a operação e o regime aplicável.
Apple domina segmento de smartphones acima de US$ 600
A Apple concentrou 63% das vendas de smartphones acima de US$ 600, enquanto a Samsung registrou 34% nesse segmento, conforme os dados divulgados pela Counterpoint.
O desempenho da fabricante norte-americana foi associado à linha iPhone 17, à demanda por modelos anteriores e ao posicionamento no mercado premium.
A participação da Apple no mercado brasileiro passou de 6% para 7% no primeiro semestre de 2026, empatando com a Xiaomi.
Smartphones 5G chegam a 45% dos envios no Brasil
Os aparelhos compatíveis com redes 5G representaram 45% dos envios brasileiros no primeiro semestre de 2026, com alta de 39% na comparação anual.
Na média da América Latina, os smartphones 5G responderam por 40% dos envios no período. O avanço da tecnologia ocorre mesmo diante da retração geral do mercado de celulares.

Custos de memória pressionam o segundo semestre
A Counterpoint Research prevê uma possível queda de dois dígitos nos envios de smartphones no Brasil em 2026. A escassez global de chips de memória deve continuar afetando o setor até 2027, com impacto especialmente relevante sobre aparelhos de entrada e intermediários.
Fabricantes como Infinix, TCL e realme, além de empresas com produção local, podem enfrentar dificuldades para manter os níveis de produção diante do encarecimento dos componentes.
A expectativa é de que o mercado passe por ajustes nos portfólios, na disponibilidade de modelos e nas estratégias de preços durante o segundo semestre.
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Rafael Oliveira
Rafael de Oliveira é um profissional apaixonado por tecnologia e um entusiasta do mercado B2C, tendo um perfil dedicado a cobrir as últimas tendências do setor no site Tecflow. Fora do mundo corporativo, Rafael é um colecionador de discos e dedica seu tempo livre a criar beats usando o software Fruit Loops.