Starbucks, Unilever, Coca-Cola, Honda e Verizon aderem à campanha para obrigar a empresa a agir contra discurso de ódio. Valor da rede social despenca na Bolsa

A falta de atividade contra o racismo e o discurso de ódio nos posts do Facebook está fazendo com que aumente o número de empresas que não querem anunciar na maior mídia social do planeta. Uma coalizão de grupos que lutam pelos direitos civis nos Estados Unidos lançou a campanha #StopHateforProfit na semana passada, quando listou as principais empresas do país a interromperem a publicidade no Facebook.

A reação no mundo dos negócios foi imediata e em poucos dias, redes como a The North Face e Patagonia disseram que apoiariam o movimento contra o Facebook. Outras empresas famosas nos Estados Unidos, como Upwork e Dashlane, além de marcas globais como a Coca-Cola, Hershey’s, JanSports, Bem & Jerry’s e Unilever também aderiram.

A campanha pelo boicote ao Facebook começou em 17 de junho, mas deslanchou na última sexta-feira, quando a Unilever, um dos maiores anunciantes do mundo, decidiu retirar toda sua publicidade da plataforma. Nas horas seguintes, a rede social perdeu a propaganda de empresas como Honda, Verizon e Levi Strauss. No domingo, foi a vez da gigante das cafeterias Starbucks, o sexto maior anunciante do Facebook no ano passado.

A resposta do Facebook

A retirada fulminante de anunciantes motivou uma reação do fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, que durante anos se negou a aplicar controles para evitar o uso de sua plataforma para a intoxicação política e a propagação de conspiradores e discursos de ódio. Na sexta-feira, Zuckerberg anunciou uma nova política pela qual proibirá qualquer mensagem relacionada com o chamado discurso de ódio em sua plataforma, ou seja, mensagens com um conteúdo que, segundo os editores do Facebook, promova a discriminação.

Além disso, identificará os conteúdos que considere de especial valor jornalístico para o público. Ao que parece, a decisão tende a promover conteúdos relevantes. Por sua vez, o Twitter decidiu este mês identificar como perigoso um conteúdo do rei das redes sociais, o presidente norte-americano Donald Trump.

O Facebook recebe críticas há anos por se negar expressamente a controlar qualquer tipo de informação tóxica compartilhada em sua plataforma, em nome da liberdade de expressão. Zuckerberg afirmou que a nova política estava em estudo três semanas antes do início da campanha de boicote. O Facebook é a segunda maior plataforma de anúncios do mundo, atrás apenas do Google, com uma receita publicitária anual de 69,7 bilhões de dólares (376 bilhões de reais).

A preocupação dessas empresas vai de encontro ao movimento de combate ao racismo nos Estados Unidos e, principalmente, o reflexo da polarização que a eleição norte-americana trará nos próximos meses, onde o presidente Donald Trump é a principal voz desses grupos radicais.

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