Cloud Gaming permite que todo processamento passe a ser feito na infraestrutura da operadora ao invés do dispositivo do usuário


A internet passou por um longo caminho para chegar até a web 3.0 e, junto com ela, trouxe inovações na experiência para o usuário. A principal delas é o Cloud Computing, ou computação nas nuvens, que permite acesso a dados sem a necessidade de manter armazenamentos locais, tornando possível, por exemplo, logar nas redes sociais em qualquer dispositivo e encontrar suas postagens e fotos armazenados na sua conta, intactos.

A tecnologia já é parte do cotidiano dos usuários e das companhias e cresce a cada ano: havia 3,6 bilhões de usuários de nuvem em 2018, e a demanda por serviços em nuvem cresceu 18% em 2019; estima-se que os gastos com Cloud Computing tenham chegado a US$ 210 bilhões em 2019, um aumento de 23,8% em relação a 2018.

Agora, o conceito também está chegando ao universo dos jogos. As tecnologias de Cloud Gaming, ou jogo em nuvem, permitem que os adeptos de games possam ter acesso, em qualquer dispositivo, a jogos que normalmente exigiriam computadores caros e com uma alta capacidade de processamento. Isso é possível porque os jogos são executados em servidores remotos e transmitidos diretamente para o dispositivo do usuário, jogando remotamente a partir de uma nuvem.

As tecnologias Cloud Gaming são o foco de pesquisa desenvolvida no Laboratório de Estudos Avançados em Redes Móveis de Telecomunicações, que é localizado no Ecossistema de Inovação PUCPR – Hotmilk, resultado de uma parceria entre a PUCPR e a Nokia. O estudo permitiu identificar os principais requisitos em termos de latência e jitter – que é a variação da latência – que uma rede precisa fornecer para oferecer uma experiência de alto nível para o usuário final, sendo que tais requisitos apenas são atingidos em redes móveis que dispõem da tecnologia 5G.

“As tecnologias de Cloud Gaming permitem migrar o processamento gráfico de jogos para uma infraestrutura de nuvem que está próxima ao usuário – conhecida como Edge Cloud – e que é gerenciada por uma operadora de telefonia móvel. Desta forma, todo o processamento passa a ser feito na infraestrutura da operadora ao invés do dispositivo do usuário”, diz o Prof. Ricardo C. Nabhen, coordenador da parceria PUCPR-Nokia e pesquisador no projeto.


Isso é possível graças ao desenvolvimento das redes móveis de 5ª geração, chamadas 5G. As redes são o propulsor para uma série de avanços expressivos em relação à eficiência na cobertura e velocidade de transferência de dados: pode ser até mil vezes mais rápida que as redes 4G. “O 5G possibilita ampliar o leque de aplicações, mais imersivas e inovadoras, incluindo Cloud Gaming”, completa o professor.

“O trabalho abordou a implantação de uma solução de Edge Cloud para a execução de todo o processamento do Cloud Gaming, de modo a permitir que a operadora possa orquestrar os recursos computacionais e de rede que são demandados pelos diversos usuários conectados”, explica o professor. “A tecnologia de Cloud Gaming é uma quebra de paradigma em relação à forma como as pessoas consomem jogos”, continua.


Ao invés do jogador realizar um investimento grande em um computador gamer com uma configuração robusta, ele pode simplesmente realizar a assinatura de um serviço de Cloud Gaming que permite que ele consuma jogos pesados através de um dispositivo de baixo custo, podendo este dispositivo ser um smartphone, tablet ou computador simples.

O resultado pôde ser experimentado por meio de uma prova de conceito (PoC – Proof of Concept) exposta na Futurecom 2019, maior evento de telecomunicações e de tecnologia da informação de toda América Latina. “A PoC permitiu que diversos visitantes comprovassem a elevada qualidade em termos de experiência de jogo que é propiciada pela solução de Cloud Gaming”, ele destaca. A demonstração, que foi feita sobre uma rede 5G de uma operadora parceira da Nokia, teve a aprovação dos visitantes, que elogiaram o nível de experiência e mostraram interesse em adquirir uma assinatura da solução. “Isso comprova o potencial comercial da solução”, finaliza.

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