Inteligência Artificial transforma o setor de cosméticos com inovação, inclusão e personalização

A indústria da beleza está passando por uma revolução silenciosa e profunda, impulsionada pela inteligência artificial (IA). De robôs que formulam produtos a sistemas que garantem acessibilidade digital, a tecnologia tem se consolidado como uma aliada estratégica para marcas que buscam inovação, agilidade e conexão com as necessidades reais dos consumidores.

Na edição mais recente da feira in-cosmetics Latin America, que retorna nos dias 23 e 24 de setembro de 2025 ao Expo Center Norte, em São Paulo, o público teve um vislumbre desse futuro com a apresentação do robô Mixy, desenvolvido pela BASF. A ferramenta baseada em IA ajuda formuladores na criação de cosméticos, reduzindo o tempo de desenvolvimento, otimizando fórmulas e permitindo uma personalização cada vez mais apurada.

“A empresa iniciou a sua jornada pensando num futuro impulsionado por IA há alguns anos e vem explorando as possibilidades e os benefícios dos modelos de machine learning. No setor de cuidados pessoais, a BASF é protagonista em transformação digital, utilizando ferramentas que, de fato, promovem mais conveniência, facilidade e velocidade. Aqui, temos o compromisso de impactar positivamente o futuro do mercado”, explica Thifany Matsumora, analista de soluções digitais em personal care da BASF.

Entre as tecnologias utilizadas está o D’lite, uma plataforma digital que combina algoritmos de IA e modelagem científica para apoiar o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis, personalizados e alinhados às tendências de mercado. “Antes, coletar e analisar informações costumava consumir muito tempo. Agora, esses processos podem ser agilizados com o uso da IA e de plataformas que utilizam essa tecnologia”, completa Thifany.

Natura aposta na inclusão digital com IA

Outro exemplo de aplicação transformadora da IA no setor vem da Natura, que, em parceria com a CI&T, desenvolveu um projeto de acessibilidade digital com potencial de impactar cerca de 1,8 milhão de Consultoras de Beleza da Natura e Avon. A iniciativa busca tornar os ambientes digitais mais acessíveis para pessoas com deficiência, utilizando inteligência artificial para detectar barreiras invisíveis na navegação, sugerir correções e automatizar verificações.

Segundo a head global de ESG da CI&T, Cinthia Oliveira, a participação ativa de pessoas com deficiência no processo de desenvolvimento foi fundamental para o sucesso da iniciativa. “Incluir pessoas com deficiência no desenvolvimento não é apenas uma questão de representatividade — é o que torna a iniciativa mais funcional e conectada com a realidade de quem usa. São essas vivências que orientam soluções mais empáticas e eficazes. Esse é, sem dúvida, um bom exemplo de uso da inteligência artificial a favor das necessidades humanas.”

Com funcionalidades como correção automática de contraste, inserção de textos alternativos em imagens e navegação por teclado, a plataforma visa oferecer mais autonomia a quem vive com limitações visuais ou motoras. A iniciativa se apoia em três pilares: diagnóstico técnico, participação ativa de pessoas com deficiência e capacitação das equipes por meio de treinamentos sobre empatia e acessibilidade.

IA e estética dermatológica: precisão e desafios

Na área médica, especialmente na dermatologia estética, o uso da IA ainda está em estágios iniciais, mas com avanços promissores. O Dr. Jeffrey Dover, codiretor do SkinCare Physicians (EUA), relata que dermatologistas cosméticos vêm utilizando a tecnologia para melhorar a gestão de atendimentos e escolher o tipo de procedimento mais adequado para cada paciente.

Além disso, algoritmos de visão computacional são capazes de identificar linhas finas de expressão, níveis de hidratação da pele e outros indicadores úteis para definir planos de tratamento. Ferramentas como o VISIA Skin Analysis System também ajudam a monitorar os resultados ao longo do tempo, oferecendo avaliações técnicas mais objetivas. No entanto, o Dr. Dover lembra que a percepção estética ainda é subjetiva: “A IA pode indicar melhora de 94% nos parâmetros faciais, mas o que importa é como o paciente se sente com o resultado”.

Mercado aquecido e em transformação

Com iniciativas robustas como as da BASF e da Natura, a presença da IA no setor da beleza deixa de ser tendência e se torna realidade. As empresas do setor têm buscado não apenas inovação e agilidade, mas também mais inclusão e sustentabilidade. A inteligência artificial viabiliza produtos personalizados, eficientes e alinhados aos valores contemporâneos, desde a composição até a experiência digital de uso.

“A inteligência artificial tem grande potencial para transformar o mercado de cosméticos e cuidados pessoais, oferecendo produtos e serviços cada vez mais personalizados, eficientes e inovadores. Ainda há muito a ser explorado no universo da IA voltada para o setor de cosméticos”, conclui Thifany Matsumora.

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Redação tecflow

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