Com potencial de 1,2 GW, mercado de energia eólica offshore atrai empresas e aguarda decreto federal no Brasil

Com potencial estimado pelo Banco Mundial em 1,2 gigawatt, o mercado de usinas eólicas em alto-mar no Brasil atrai dezenas de empresas e promete disparar investimentos após decreto federal.

O litoral brasileiro está prestes a se transformar no novo eldorado da transição energética global. Dotado de ventos constantes e de alta intensidade, o país possui o cenário considerado perfeito para a instalação de usinas eólicas offshore (em alto-mar).

Os números que cercam o setor impressionam: o Banco Mundial estima um potencial de produção de 1,2 gigawatt (GW) no litoral do país, volume capaz de responder por quase um quinto de toda a geração elétrica nacional até 2050. Mais do que energia limpa, o desenvolvimento da atividade projeta a criação de até 516 mil empregos diretos nas próximas décadas.

Atualmente, o Ibama já contabiliza 59 manifestações de interesse por parte de empresas dispostas a erguer esses gigantes de aço no oceano. Apesar do forte apetite da iniciativa privada, o mercado nacional ainda vive um impasse: nenhuma usina saiu do papel porque o setor aguarda a definição das regras finais de funcionamento por parte do governo federal.

A corrida contra o relógio para destravar as regras do jogo

O arcabouço regulatório começou a ganhar tração em janeiro de 2025 com a aprovação do marco legal da atividade (Lei 15.097). Recentemente, em 1º de abril de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deu mais um passo ao publicar a resolução com as diretrizes da regulamentação. A expectativa do mercado agora se concentra na publicação do decreto executivo com as regras definitivas.

A publicação desse decreto é o gatilho que a iniciativa privada precisa para iniciar os estudos de viabilidade técnica nas áreas marítimas. Trata-se de um jogo de longo prazo: entre o início dos estudos de uma área e a operação comercial de uma usina, o ciclo de desenvolvimento estimado é de cerca de dez anos.

Ainda assim, as movimentações de mercado estão aceleradas. Empresas do setor uniram forças para criar a Coalizão Eólica Marinha (CEM) com o objetivo de estruturar a cadeia produtiva nacional. Estados como o Rio Grande do Norte já abrigam projetos-piloto de pesquisa e desenvolvimento (PDI), com previsão de iniciar operações experimentais no segundo semestre de 2028 no município de Areia Branca.

O impacto econômico e os estados beneficiados

Diferente do que se imagina, os benefícios econômicos das usinas em alto-mar não vão se limitar aos estados litorâneos que receberão as pás e aerogeradores no oceano. Regiões com forte apelo industrial e capacidade de manufatura também serão impactadas.

A Bahia, por exemplo, desponta como um polo estratégico de fornecimento devido à presença de fábricas de cabos, aerogeradores, pás e estaleiros. De forma geral, o maior potencial de geração está concentrado nas seguintes regiões do mapa brasileiro:

  • Nordeste (com destaque para projetos pioneiros no Ceará e Rio Grande do Norte)
  • Sudeste (especialmente nas costas do Espírito Santo e Rio de Janeiro)
  • Sul (com grande potencial no litoral do Rio Grande do Sul)

Por que a energia do mar é crucial para o futuro do País?

Além do ganho ambiental evidente por se tratar de uma fonte renovável, as eólicas offshore possuem uma vantagem estratégica crucial: a proximidade dos grandes centros de consumo e a capacidade de complementar o sistema elétrico nacional.

Por terem ventos mais estáveis que as usinas terrestres (onshore), as eólicas marinhas podem funcionar como uma espécie de “bateria natural”. Quando os reservatórios das hidrelétricas estiverem baixos ou houver ausência de sol e vento em terra, a geração em alto-mar pode ser acionada imediatamente. Isso evita o acionamento de usinas térmicas fósseis, que são mais caras e altamente poluentes.

Especialistas apontam que o Brasil vive um ponto de inflexão regulatório e comercial. Com barreiras comerciais internacionais cada vez mais rígidas na Europa para produtos que não comprovam pegada verde, acelerar a energia do mar deixou de ser uma alternativa e virou uma necessidade competitiva para a indústria brasileira.

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Redação tecflow

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