Rodrigo Kniest, da Harman, quebra o silêncio: como a JBL enfrenta a pirataria e lidera o mercado de áudio no Brasil

Reconhecida como uma das marcas mais queridas entre os brasileiros, a JBL não se destacou apenas pela qualidade de seus produtos, mas também por entender profundamente os hábitos, preferências e desafios do consumidor local. Com cerca de 83% de participação no mercado de caixas de som, segundo dados da GFK, a empresa tem apostado fortemente na chamada “tropicalização”, um processo que vai muito além da tradução de embalagens, envolvendo desde adaptações técnicas até soluções pensadas exclusivamente para a realidade brasileira.

A produção local, operada em Manaus pela Harman, holding responsável pela JBL, é uma peça-chave nessa estratégia. A fábrica combina tecnologia de ponta, práticas sustentáveis e agilidade para atender ao mercado interno com produtos como as linhas PartyBox, Boombox e Soundbar.

Em entrevista exclusiva ao tecflow, Rodrigo Kniest, Presidente da Harman no Brasil e Vice-Presidente Sênior de Lifestyle na América do Sul, fala sobre o impacto da tropicalização na experiência do consumidor, os investimentos em inovação, os desafios enfrentados com a pirataria e como a empresa tem atuado junto a autoridades brasileiras para garantir a autenticidade e segurança dos seus produtos.

Confira a seguir os principais trechos dessa conversa.

tecflow: Quais são os principais critérios técnicos e culturais que a JBL leva em consideração na “tropicalização” de um produto?

Rodrigo Kniest, Presidente da Harman no Brasil e Vice-Presidente Sênior de Lifestyle na América do Sul: A adaptação de um produto da JBL para o mercado brasileiro vai muito além de traduzir embalagens ou ajustar frequências de rádio. Essa “tropicalização” dos produtos funciona com um olhar voltado para o comportamento real do consumidor, seu cotidiano, seus hábitos e até mesmo suas dores. Um bom exemplo é a caixa de som desenvolvida para motociclistas, que nasceu da observação de uma cena recorrente nas ruas brasileiras: pessoas tentando ouvir música usando o celular enquanto pilotam. A partir dessa percepção, criamos uma solução prática, segura e adaptada à realidade do trânsito local. Mas essa adaptação também se reflete em aspectos estéticos, como o design e a escolha de cores que dialogam com o gosto dos brasileiros – cada vez mais atentos à personalização, principalmente os consumidores mais jovens. Além disso, nosso time de engenheiros no Brasil trabalha com total alinhamento aos padrões globais de qualidade da marca, o que garante que o produto final entregue não apenas performance, mas uma experiência sonora completa e culturalmente conectada com quem vai usá-lo.

tecflow: Como a fábrica de Manaus tem se preparado tecnologicamente para atender à demanda e manter a qualidade dos produtos da marca no Brasil?

Rodrigo Kniest: A unidade de Manaus é fundamental para nossa operação hoje, tanto do ponto de vista estratégico quanto tecnológico. Desde 2005, quando iniciamos nossas atividades no Polo Industrial, até os dias atuais, temos evoluído constantemente. Contamos com uma infraestrutura robusta, equipada com processos certificados e equipe altamente capacitada. Como exemplos de investimentos contínuos em automação, podemos falar das certificações internacionais como ISO 9001, 14001 e 45001, e adoção de práticas sustentáveis, como o uso de energia renovável e redução de resíduos. A empresa implementa tecnologias que aumentam a eficiência produtiva, como painéis solares, sistemas inteligentes de climatização e baterias substituíveis em alguns modelos, como a nova geração da PartyBox. Tudo isso garante escala, qualidade global e uma resposta ágil às demandas do consumidor brasileiro. Produzir localmente nos permite manter a competitividade, garantir qualidade e, sobretudo, responder com agilidade às demandas específicas do mercado brasileiro. Além das caixas de som da família PartyBox, como a JBL Partybox 110, produtos consagrados da marca — como a JBL Boombox 3 — e da linha Soundbar, como a SB100 e a SB200, também são fabricados na unidade de Manaus.


tecflow: A JBL tem trabalhado com órgãos como Receita Federal, Procon ou Polícia Federal no combate à pirataria? Há números atualizados sobre apreensões em 2024?

Rodrigo Kniest: Temos atuado de forma bastante ativa e colaborativa com diferentes órgãos públicos, incluindo Receita Federal, Polícia Federal e autoridades alfandegárias, no enfrentamento à pirataria. Em 2024, foram apreendidos cerca de 46 mil itens falsificados da marca JBL no Brasil – um número expressivo que reforça a gravidade do problema. Nossa atuação vai desde ações legais e operacionais até campanhas educativas para alertar o consumidor sobre os riscos de adquirir produtos não originais. A pirataria é um crime sério que compromete a segurança do consumidor, afeta diretamente a geração de empregos formais e prejudica empresas que, como a Harman, investem constantemente em inovação, tecnologia e produção local. Nosso compromisso é oferecer produtos acessíveis, mas com autenticidade e excelência, e combater qualquer prática que desvalorize esse esforço.

tecflow: Como a pirataria impacta os investimentos em inovação da JBL no Brasil? A empresa já teve de cancelar ou adiar algum projeto por esse motivo?

Rodrigo Kniest: A pirataria influencia diretamente na cadeia de valor da inovação. Quando um produto falsificado entra no mercado, ele não apenas compromete a experiência do consumidor – com riscos reais de segurança, como superaquecimento ou explosões – como também mina os recursos que poderiam ser investidos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Embora não possamos compartilhar detalhes específicos sobre projetos cancelados, posso afirmar que a presença de cópias ilegais afeta sim nossa capacidade de acelerar investimentos em determinadas frentes. Isso nos obriga, muitas vezes, a redirecionar esforços para ações de combate e contenção, quando o ideal seria estarmos dedicando 100% da nossa energia à criação. Ainda assim, seguimos firmes no propósito de inovar, fortalecer nossa produção nacional e educar o mercado sobre a importância de se consumir produtos legítimos.

tecflow: A JBL acredita que a conscientização do consumidor brasileiro sobre os riscos da pirataria tem evoluído? Quais campanhas educativas a JBL considera mais eficazes?

Rodrigo Kniest: Temos percebido uma evolução positiva, sim, na consciência do consumidor brasileiro sobre os riscos e impactos da pirataria. Hoje, há um entendimento maior de que não se trata apenas de um produto falsificado com menor qualidade, mas de um problema estrutural, que compromete empregos, a arrecadação de impostos e até a segurança pessoal. As campanhas educativas que realizamos em nossos canais digitais e redes sociais têm sido fundamentais para isso. Investimos em mostrar, de forma clara, como identificar um produto original da JBL – seja pela embalagem, pelo nome do modelo ou pela procedência do vendedor. Também temos reforçado o papel da produção local como alternativa segura e competitiva, garantindo acesso a produtos autênticos com preços justos. Acreditamos que, quanto mais o consumidor estiver bem informado, menor será o espaço para produtos piratas no mercado.

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Marciel

Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.

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