
Promover uma formação sólida, multidisciplinar e orientada para a sustentabilidade, a inovação tecnológica e a responsabilidade social. Com esse objetivo, a Uerj passa a oferecer, em 2026, o curso de Engenharia de Energias Renováveis, uma das primeiras graduações do tipo em uma universidade pública brasileira, após o reconhecimento da profissão pela resolução 1.076/2016 do Confea/Crea. Por meio do Vestibular Estadual, serão ofertadas 40 vagas anuais, com entrada semestral. As aulas serão realizadas, em turno integral, no campus Maracanã. A proposta de criação foi aprovada pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Csepe) no dia 8 de maio.
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Segundo o professor Paulo Eduardo Darski Rocha, do Departamento de Engenharia Elétrica, a demanda crescente por profissionais qualificados em energia limpa motivou a criação do curso. “O Brasil e o mundo estão em um processo de transição energética, priorizando fontes renováveis (hídrica, solar, eólica, biomassa etc.) para alcançar metas de descarbonização e sustentabilidade”, explica. “Iniciativas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao cumprimento dos compromissos assumidos em acordos internacionais tornam urgente a formação de especialistas preparados para enfrentar os desafios impostos por essa nova realidade econômica e ambiental”, acrescenta.
De acordo com um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), globalmente, os investimentos anuais em energia limpa (US$ 2,2 trilhões) já superam o montante destinado à exploração de combustíveis fósseis, incluindo petróleo, gás natural e carvão. Terceiro maior produtor de eletricidade renovável do planeta, atrás da China e dos Estados Unidos, o Brasil emprega atualmente cerca de 1,56 milhão de pessoas no setor de energia renovável, que deve continuar em expansão nas próximas décadas.

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O pró-reitor de Graduação (PR1), Antonio Soares, destaca que a área de ciências exatas e engenharias é responsável por inúmeros avanços tecnológicos e precisa estar atenta às questões ambientais. “Toda a nossa ação para melhorar ou alterar definitivamente a matriz energética passa por uma necessidade de pensar nas mudanças climáticas. A produção de energia solar a partir de células fotovoltaicas, por exemplo, contribui para a redução da emissão de carbono. Por isso, o aluno precisa ter uma formação que não seja apenas técnica, mas também antenada com a própria dinâmica da sociedade e da humanidade”, pontua.

Currículo e empregabilidade
A nova graduação da Uerj integra conhecimentos de engenharia elétrica, mecânica, ambiental e química. Interdisciplinar, o currículo foi elaborado com contribuições dos diversos departamentos da Faculdade de Engenharia (FEN), com destaque para o Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente (Desma) e o Departamento de Engenharia Elétrica (ELE), e já prevê 10% da carga horária para atividades de extensão.

O egresso do curso estará apto a implementar usinas renováveis, considerando impacto ambiental e social, viabilidade técnica e econômica e previsão do potencial de geração. Também será capaz de analisar dados históricos de vazão de rios, ventos e radiação solar; projetar usinas; implementar sistemas de armazenamento de energia; conectar usinas ao sistema elétrico e compreender seus impactos e soluções, além de atuar na comercialização de energia e despacho energético.
Rocha destaca que o campo de atuação para o profissional formado é amplo e diversificado. “Ele poderá se dedicar ao empreendedorismo ou trabalhar no mercado de energia, setor elétrico, microgeração e minigeração de energia limpa, pesquisa e inovação, intervenções de eficiência energética, startups e empresas de tecnologia, órgãos públicos, ONGs, consultorias e setor industrial”, aponta o professor, que coordenou o núcleo docente de criação do curso.
Na sessão do Csepe, o vice-reitor Bruno Deusdará destacou que este é o segundo curso de graduação lançado pela Uerj em menos de um ano – em 2025 foi inaugurada a licenciatura em Cinema e Audiovisual, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (Febf), em Duque de Caxias. “A proposição de novos cursos de maneira sistêmica, em conexão com as comunidades locais, faz parte de uma política de organização que dê conta dos desafios postos pelos novos tempos, enraizando na sociedade a importância do ensino superior público, gratuito e de qualidade”, frisou.
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Redação tecflow
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