
Quarenta dias após o maior ataque cibernético da história do Brasil, que gerou prejuízos de cerca de R$ 1 bilhão, a empresa BMP Moneyplus, principal alvo do golpe, anunciou ter conseguido recuperar R$ 270 milhões. O valor corresponde à metade dos R$ 541 milhões desviados da companhia. Segundo informações, o Banco Central está coordenando o processo de repatriação do dinheiro que ainda está sob bloqueio judicial.
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O ataque, que abalou o setor financeiro, envolveu a exploração de falhas operacionais que permitiram movimentações em contas de ao menos seis clientes da provedora de serviços de tecnologia da informação C&M Software, localizada em Alphaville, na Grande São Paulo.
O principal suspeito é o técnico de TI João Nazareno Roque, 48 anos, funcionário da empresa. Ele teria sido cooptado pela quadrilha e ajudado a intermediar as transferências. Roque está preso desde 3 de julho. Seu advogado, Jonas Reis, afirma que o cliente segue detido e aguarda decisão sobre um pedido de liberdade.

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Em nota, a C&M Software se defendeu, dizendo que as evidências coletadas até agora apontam para táticas de engenharia social, nas quais funcionários foram induzidos a compartilhar credenciais de acesso de forma indevida, e não a falhas estruturais em seus sistemas.
Além da BMP, outras instituições também foram afetadas. De acordo com relatório da Polícia Federal, o Banco Industrial do Brasil e a cooperativa de crédito rural CrediAliança tiveram valores desviados. O CorpX Bank registrou queixa à Polícia Civil de São Paulo. Há ainda outras duas vítimas não identificadas publicamente.
Como funcionou o golpe
As investigações apontam que João Roque forneceu acesso remoto à sua máquina de trabalho, permitindo que hackers controlassem o sistema e executassem os comandos necessários para desviar os valores.
O funcionário admitiu à polícia que vendeu sua senha por R$ 5 mil em maio. Posteriormente, teria recebido mais R$ 10 mil para colaborar na criação de um sistema que facilitasse os desvios. Ele declarou ainda que nunca se encontrou pessoalmente com os criminosos, mantendo contato apenas por celular.
O caso segue em investigação pela Polícia Federal, que busca identificar os demais envolvidos no esquema e rastrear os recursos ainda não recuperados.
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Redação tecflow
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