

O papel estratégico da indústria de serviços na evolução dos fabricantes de aerogeradores foi um dos principais destaques do painel “O Papel Estratégico da Indústria de Serviços na Evolução dos Fabricantes de Aerogeradores”, realizado na Arena O&M do Brazil WindPower 2025, em São Paulo. Executivos e especialistas do setor discutiram como a combinação entre serviços, manutenção, digitalização e inovação está moldando o futuro da energia eólica no Brasil, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento tecnológico e sustentável do setor.
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O debate contou com a participação de Roberto Veiga, vice-presidente da Goldwind; Rodrigo Ugarte, vice-presidente Latam de Service Comercial da Vestas; João Paulo Silva, diretor superintendente de energia da WEG Energy; Frederico Bianchi, diretor de vendas da Nordex; e Jorge Boeira, especialista em desenvolvimento industrial da ABDI. Juntos, eles compartilharam diferentes perspectivas sobre como a indústria eólica tem se transformado a partir de novos modelos de operação e manutenção, integração tecnológica e formação de profissionais qualificados.
Para Roberto Veiga, da Goldwind, os serviços são hoje um pilar estratégico para o setor e representam mais de 29% do foco global da companhia. Ele destacou que a empresa tem investido fortemente em parcerias com instituições de ensino e capacitação, como o SENAI RN e o SENAI Cimantec, na Bahia, com o objetivo de desenvolver competências locais e fortalecer a mão de obra especializada. A Goldwind também tem adaptado seus aerogeradores às condições específicas do mercado brasileiro, caracterizadas por ventos mais fortes e variáveis, o que aumenta a previsibilidade, a eficiência e a vida útil das turbinas. Além disso, a empresa adota uma abordagem de engenharia personalizada para cada parque eólico, promovendo inovação contínua e garantindo que a cadeia produtiva funcione de forma eficiente e integrada.

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Rodrigo Ugarte, da Vestas, ressaltou que a empresa possui a maior presença geográfica no Brasil e tem investido de forma consistente em digitalização e inovação. Segundo ele, a companhia destina investimentos na casa dos milhões a pesquisas e ao aprimoramento de serviços e produtos digitais. Esses investimentos têm permitido à Vestas utilizar sistemas avançados de Engenharia & Operação (E&O) para coletar e analisar dados detalhados sobre ventos e desempenho de turbinas, otimizando a operação dos parques eólicos em diferentes regiões do país. Outro ponto de destaque é a capacitação técnica: a empresa treina seus engenheiros e técnicos para atuarem também como cientistas de dados, capazes de interpretar informações estratégicas e antecipar tendências operacionais, elevando a eficiência e a confiabilidade dos projetos.
A Nordex, representada por Frederico Bianchi, apresentou sua estratégia de adaptação tecnológica ao contexto brasileiro. A empresa desenvolve produtos sob medida para as condições locais, evitando soluções importadas que não se adequam ao regime de ventos nacional. Bianchi explicou que as turbinas da Nordex foram projetadas para maximizar a previsibilidade e a durabilidade, com ajustes incrementais que permitem aumentar a potência sem comprometer a confiabilidade das máquinas. Essa abordagem garante a continuidade operacional e acelera a implementação de novos empreendimentos, reforçando a competitividade da marca no país.
Na WEG Energy, a digitalização e a manutenção preditiva são os principais diferenciais. De acordo com João Paulo Silva, diretor superintendente de energia, a empresa utiliza sistemas de telemetria e inteligência artificial para identificar tendências e realizar intervenções preventivas antes que falhas ocorram, o que aumenta a confiabilidade e a vida útil dos equipamentos. A WEG conta atualmente com 49 mil colaboradores ao redor do mundo, e mantém uma escola interna no Brasil que já formou 3.500 profissionais ao longo de 15 anos, garantindo a formação de técnicos e engenheiros altamente capacitados para atender às demandas do setor. A empresa também opera o maior aerogerador das Américas, instalado na Bahia, com capacidade de 7 megawatts, evidenciando o compromisso com a inovação, a eficiência e a expansão tecnológica.

Representando a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Jorge Boeira destacou o papel das políticas públicas e do desenvolvimento industrial sustentável como fatores fundamentais para consolidar o avanço da energia eólica no país. Ele ressaltou que a ABDI apoia iniciativas de capacitação profissional, incentivo à inovação e integração de práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, com o objetivo de fortalecer a indústria eólica brasileira e ampliar sua relevância no cenário global.
O painel evidenciou que os modelos baseados em serviços e O&M (Operação e Manutenção) estão redefinindo a forma como os fabricantes entregam performance e valor aos clientes. A crescente digitalização e o uso de inteligência artificial permitem reduzir custos, aumentar a previsibilidade e viabilizar novos projetos, enquanto a experiência internacional, aliada à capacitação local, garante transferência de conhecimento e robustez tecnológica.
Além disso, políticas de sustentabilidade e incentivos para a redução de carbono, impulsionadas por reguladores europeus e replicadas em mercados emergentes, reforçam a importância de integrar responsabilidade ambiental e inovação como elementos centrais da estratégia empresarial.
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Redação tecflow
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