

A chegada da Black Friday reacende uma preocupação que vai além das promoções e do varejo: o risco de fraudes corporativas em transações digitais entre empresas. Em 2024, o Brasil registrou 11,5 milhões de tentativas de fraude bloqueadas, um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. Isso equivale a uma tentativa a cada 2,8 segundos.
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O impacto financeiro potencial também é expressivo. De acordo com o mesmo levantamento, as fraudes bancárias cresceram 10,4% no último ano e, caso tivessem sido concretizadas, poderiam gerar prejuízos de até R$ 51,6 bilhões. Metade dos brasileiros afirmou ter sido vítima de algum tipo de golpe em 2024, e mais da metade deles (54,2%) sofreu perdas financeiras diretas.
Embora o tema costume ser associado ao consumo final, o ambiente B2B (business-to-business) — que envolve operações entre empresas, fornecedores e instituições financeiras — vem se tornando um terreno fértil para cibercriminosos. A complexidade das integrações, o uso de múltiplos intermediários e APIs, além da falta de visibilidade completa sobre os fluxos de dados, ampliam a superfície de ataque, especialmente em períodos de pico como a Black Friday.

Segurança começa no desenho do sistema
Para Fred Amaral, CEO da Lerian, o combate às fraudes deve ser pensado desde a concepção tecnológica:
“As empresas olham muito para o front-end da experiência, mas as fraudes acontecem no que não se vê. Ou seja, nos fluxos, nas integrações e nas conciliações. É preciso tratar o design do sistema como ferramenta de segurança.”
A Lerian desenvolve soluções open source, como o Midaz, que permitem criar ledgers auditáveis — registros contábeis digitais que garantem rastreabilidade e transparência no fluxo de dados. Essa abordagem reduz vulnerabilidades estruturais e fortalece a governança digital, tornando o ambiente menos suscetível a manipulações e inconsistências.

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Governança e rastreabilidade como diferenciais
A TLD, empresa brasileira de tecnologia, reforça que segurança corporativa não depende apenas de tecnologia, mas também de conscientização e governança.
“Em períodos de alto volume, como a Black Friday, é fundamental que as empresas garantam rastreabilidade, observabilidade de segurança e governança dos seus processos, com monitoramento constante para manter controle e confiança nas operações digitais”, explica Rafael Dantas, Head de Segurança Cibernética da TLD.
Segundo Dantas, auditorias internas regulares e integração segura entre sistemas são fatores determinantes para evitar vulnerabilidades em transações corporativas.
Recomendações para mitigar riscos

Os especialistas destacam medidas práticas que podem ajudar empresas B2B a reduzir o risco de fraudes durante a Black Friday:
- Revisar autenticações e APIs: validar fluxos, chaves e credenciais antes do aumento no volume de transações.
- Implementar trilhas de auditoria e logs em tempo real: rastrear toda a cadeia de operação e detectar desvios rapidamente.
- Mapear e proteger integrações externas: parceiros, sistemas legados e APIs terceiras devem ser auditados com rigor.
- Adotar políticas de segurança em camadas: combinar biometria, verificação documental e análise comportamental.
- Compartilhar responsabilidade entre parceiros: fornecedores, adquirentes e plataformas devem ter obrigações claras de segurança.
Amaral conclui que a Black Friday deve ser vista como um teste de estresse para as infraestruturas digitais:
“Para operar com segurança, não basta reagir aos ataques — é necessário que a estrutura de sistemas tenha segurança incorporada ao DNA. As empresas que internalizarem essa mentalidade estarão melhor preparadas para crescer de forma sustentável e resiliente.”
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Redação tecflow
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