
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (18), expôs a dimensão do esquema financeiro que levou à prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investidor da SAF do Atlético. A ação resultou na apreensão de R$ 230,13 milhões em bens, incluindo um jato executivo avaliado em R$ 200 milhões, além de valores em espécie, joias, obras de arte e veículos.
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Vorcaro foi preso na noite de segunda-feira (17), em São Paulo, enquanto se preparava para embarcar para o exterior. Segundo a PF, os alvos da operação são suspeitos de participação na emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão.
A lista dos bens bloqueados impressiona pela variedade e pelos valores envolvidos. Além do Falcon 7X, aeronave de luxo apreendida, a PF reteve R$ 9,2 milhões em veículos, R$ 2 milhões em dinheiro vivo, R$ 6,15 milhões em relógios, R$ 380 mil em joias e R$ 12,4 milhões em obras de arte. Também houve o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas bancárias ligadas aos investigados.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele não tinha intenção de fugir e pediu a revogação da prisão, mas a Justiça manteve a detenção do empresário nesta quinta-feira (20).

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Impacto nacional: estados e municípios expostos ao Banco Master podem ter perdas de até R$ 1,86 bilhão
A repercussão da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), já alcança estados e municípios que mantinham investimentos em letras financeiras da instituição por meio de seus Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Segundo dados do Ministério da Previdência, 18 entes federativos têm cerca de R$ 1,86 bilhão expostos, valor que pode não ser recuperado integralmente.
O caso mais grave é o do Estado do Rio de Janeiro, cujo fundo de previdência, o Rioprevidência, investiu R$ 970 milhões — quase metade de toda a exposição nacional. O órgão afirma que está negociando a substituição dos títulos por precatórios federais e garante que o pagamento das aposentadorias e pensões está assegurado.
Outros entes com investimentos relevantes incluem o Amapá (R$ 400 milhões), São Roque (R$ 93,15 milhões), Maceió (R$ 97 milhões), Cajamar (R$ 87 milhões) e Itaguaí (R$ 59,6 milhões). Municípios menores, como Angélica, Santa Rita D’Oeste e Paulista, também aparecem na lista com aportes entre R$ 2 milhões e R$ 7 milhões.
Segundo especialistas, embora o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) cubra parte dos depósitos tradicionais, ele não protege recursos de RPPS, já que esses regimes seguem regras próprias e são fiscalizados pelo Ministério da Previdência. Assim, estados e municípios terão de aguardar o processo de liquidação — que pode durar anos — para saber quanto poderão recuperar.
Daniel Vorcaro é um dos investidores da SAF do Atlético.
Riscos expostos: lições para investidores
A derrocada do Banco Master acende o alerta para investidores de todos os perfis. Educadores financeiros destacam que a liquidação da instituição evidencia dois erros comuns no mercado:
- Confiar excessivamente na proteção do FGC, acreditando que ela elimina qualquer risco.
- Buscar retornos acima da média, sem avaliar adequadamente o risco e a solidez da instituição emissora.
Ainda segundo especialistas, mesmo produtos com cobertura do FGC podem representar risco quando concentrados demais em uma única instituição — especialmente em casos de crise de liquidez, como a que motivou a intervenção no Banco Master.
A crise envolvendo Vorcaro, a operação da PF e a liquidação da instituição cria um dos episódios mais impactantes dos últimos anos no sistema financeiro brasileiro, com repercussões que atingem desde grandes fundos públicos de previdência até investidores privados. O caso deve continuar a se desdobrar nos próximos meses, tanto na esfera judicial quanto na tentativa dos entes federativos de recuperar os recursos aplicados.
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Redação tecflow
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