
Abalada por mudanças no PLD e cortes de geração (curtailment), comercializadora acende alerta no setor elétrico e cita inadimplência na CCEE; bancos e grandes geradoras estão entre os credores.
O Mercado Livre de Energia no Brasil enfrenta um momento de forte tensão. O Grupo Elétron, importante player nos segmentos de comercialização e geração solar fotovoltaica, protocolou nesta quinta-feira (21 de janeiro de 2026) um pedido de tutela de urgência para Recuperação Judicial. O valor da causa é estimado em R$ 1,17 bilhão.
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A empresa justifica a crise citando um cenário “atípico e imprevisível”, impulsionado por dois fatores técnicos principais: as mudanças no método de formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e o aumento severo do curtailment (cortes de geração) no sistema nacional.
O “efeito dominó” na CCEE e credores
Com um volume negociado superior a 2 GW por mês, a saúde financeira da Elétron impacta diretamente a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Entre os maiores credores listados no processo estão:
- CCEE: Débito de R$ 334,8 milhões.
- Instituições Financeiras: ABC Brasil (R$ 176 mi), Banco do Nordeste (R$ 109 mi), BTG Pactual (R$ 53 mi) e Bradesco (R$ 31 mi).
- Setor Elétrico: Gigantes como Auren, Cemig, Energisa, Serena Geração e Kroma possuem valores a receber do grupo.

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O impacto do novo modelo Newave Híbrido
De acordo com o pedido judicial, a implementação do modelo Newave Híbrido em janeiro de 2025 foi o estopim da crise. A Elétron afirma que o sistema gerou oscilações de preço desconectadas da realidade histórica do mercado, forçando agentes com déficit de energia a liquidarem posições financeiras a preços excessivamente elevados.
Além disso, as restrições operativas (cortes de geração) reduziram a disponibilidade de energia própria das usinas da Elétron Power, comprometendo o fluxo de caixa necessário para honrar contratos de longo prazo (35% dos quais superam quatro anos de vigência).
Riscos de inadimplemento contratual
A tutela de urgência busca impedir que a CCEE aplique medidas punitivas ou rescinda contratos de forma antecipada. A Elétron alerta que a falta de garantias financeiras poderia levar ao ajuste compulsório de contratos, o que reduziria a energia entregue a consumidores finais no mercado livre, gerando um inadimplemento em cascata.
A empresa também acusa a CCEE e o banco BTG Pactual de descumprirem ordens judiciais anteriores de mediação, o que teria agravado a exposição financeira do grupo no Mercado de Curto Prazo (MCP).
Perspectivas de reestruturação
Apesar do cenário crítico, o Grupo Elétron sustenta que possui viabilidade operacional e apresentará um plano de recuperação em até 60 dias. O mercado agora observa de perto como o Judiciário e os órgãos reguladores irão reagir para evitar um contágio maior na liquidez do ambiente de contratação livre.
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Redação tecflow
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