

Posicionamento de empresas como a Bry reflete evolução do mercado, que passa a olhar para a gestão completa da confiança em transações online
Em um cenário de avanço da digitalização e aumento de fraudes – somente entre 2024 e 2025, 51% dos brasileiros foram vítimas de fraudes digitais, segundo a BioCatch –, um novo conceito começa a ganhar espaço no mercado brasileiro de tecnologia: o de trust techs. O termo, ainda em fase de consolidação no país, define empresas que atuam na entrega de confiança digital ao longo de toda a jornada de uma transação.
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A Bry, empresa referência nacional em tecnologia de identificação digital do grupo Certifica&Co, está entre as que adotam esse posicionamento para explicar sua atuação. Diferentemente de categorias já conhecidas, como idtechs, fintechs ou healthtechs, as trust techs não estão associadas a um setor específico. O papel delas é fornecer camadas de confiança e integridade para processos digitais em diversos segmentos, como financeiro, saúde, educação e setor público.
“Não estamos em um mercado nichado. Nós fornecemos insumos de confiança para qualquer tipo de operação digital, independentemente da área”, afirma Carlos Tatara, CTO da Bry. “Na prática, isso significa atuar em toda a jornada de formalização digital, da identificação das partes à assinatura, verificação e preservação de documentos”.
Apesar do crescimento da demanda por soluções de confiança digital, o conceito de trust tech ainda é pouco difundido no Brasil. A expectativa é de que, com a maturidade do mercado, as empresas tornem-se cada vez mais presentes e que a tecnologia opere de forma “invisível”, garantindo segurança e confiabilidade sem fricção na experiência digital.

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“Se essas tecnologias não existissem, muitas operações sensíveis simplesmente não aconteceriam. O papel da trust tech é garantir que o digital funcione com confiança, do início ao fim”, declara Tatara. Apenas na Bry, mais de 648 milhões de transações digitais foram realizadas em 2025, sendo que 530 milhões contaram com mais de uma forma de tecnologia de segurança, como o Carimbo do Tempo.
Tatara explica que, embora haja proximidade com o tema, o trabalho das trust techs vai além da cibersegurança. Enquanto esta está associada à proteção de sistemas e dados contra ataques, o conceito de trust tech envolve um conjunto mais amplo de soluções voltadas à confiabilidade dos processos digitais.
Isso inclui o uso de criptografia, controle de acesso, conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), infraestrutura segura e governança de dados. Esses elementos, no entanto, são tratados como base e não como diferencial. “A segurança é um insumo. O que entregamos é a confiança no processo como um todo: saber quem assinou, em que condições, como o documento foi armazenado e se ele pode ser verificado no futuro”, complementa Angela Capellari, diretora geral da Bry.
O avanço da inteligência artificial, especialmente com o uso de deepfakes e automação de fraudes, também tem ampliado a complexidade do ambiente digital. “A IA não quebra a criptografia, mas pode tentar se passar por uma pessoa. Por isso, é preciso garantir tanto o ato quanto a identidade de quem executa a ação”, explica a head. Segundo Angela, o combate a fraudes exige a combinação de diferentes tecnologias, como biometria, prova de vida e registros auditáveis dentro das próprias assinaturas. “Essas tecnologias permitem não apenas validar a identidade no momento da transação, mas também comprovar, no futuro, que aquele processo seguiu critérios confiáveis”.
Assinatura eletrônica requer mais níveis de confiança
A popularização da assinatura eletrônica no Brasil ampliou o uso de documentos digitais, mas também trouxe novos desafios. Se antes a validação de documentos físicos dependia de elementos como reconhecimento de firma em cartório, agora o desafio é garantir o mesmo nível, ou superior, de confiança no meio eletrônico.
“Hoje, aspectos como identificação do signatário, rastreabilidade, armazenamento e capacidade de auditoria são considerados essenciais, especialmente em setores regulados ou em transações de maior valor”, afirma Tatara.
No Brasil, existem três tipos de assinaturas digitais, cada uma com um nível diferente de segurança: simples, avançada e qualificada. A primeira identifica o signatário por meio de dados básicos e é indicada para documentos com menor risco. A avançada adiciona camadas extras de segurança, impedindo alterações após a assinatura e fortalecendo a capacidade de identificação do signatário. Já a assinatura qualificada possui o nível máximo de segurança por meio da utilização de um Certificado Digital da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).
Além de escolher o tipo de assinatura digital adequado, há tecnologias que reforçam a segurança dos documentos, como o próprio Carimbo do Tempo, que registra com precisão certificada o momento em que o arquivo foi assinado e comprova que ele não sofreu alterações desde então. “O mercado já não se contenta mais com o ‘assinou, está resolvido’. A preocupação agora é garantir como esse documento será validado daqui a anos, e é nesse contexto mais amplo que entra o papel das trust techs”, afirma o CTO.
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Redação tecflow
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