Diretor da Aneel defende tribunais especializados após conflito jurídico do LRCap

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, defendeu publicamente a criação de cortes e tribunais judiciais especializados em matéria regulatória. O posicionamento ocorre logo após os intensos embates jurídicos e institucionais que marcaram a homologação do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap) 2026.

De acordo com Feitosa, a ausência de varas especializadas para tratar de temas de alta complexidade técnica, como os do setor elétrico, abre margem para decisões contraditórias que geram forte insegurança jurídica. O diretor alertou que esse cenário de instabilidade tem o potencial de afastar investimentos privados cruciais, estimados em cerca de R$ 1 trilhão no país até o ano de 2035.

O contexto do LRCap 2026

A declaração do chefe da agência reguladora reflete os desdobramentos turbulentos das últimas semanas. O LRCap 2026 foi alvo de forte contestação por parte de associações industriais e de órgãos de controle. A Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes das Indústrias de Energias (Abraenergias), por exemplo, acionou a Justiça buscando a suspensão de urgência e a anulação do certame.

Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Procuradoria da República no Distrito Federal recomendaram cautela e pediram esclarecimentos sobre a modelagem de preços-teto e as reais demandas de contratação do certame.

Apesar das pressões e do risco de judicialização em massa, a diretoria da Aneel aprovou a homologação do resultado do leilão em reunião extraordinária realizada no dia 21 de maio. Na ocasião, o colegiado reforçou que os limites institucionais da agência se restringem à operacionalização técnica e ao cumprimento das diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), não cabendo à reguladora alterar ou cancelar as regras estipuladas após a execução do certame.

Blindagem de investimentos e segurança jurídica

Para Sandoval Feitosa, episódios em que liminares de juízos não especializados interferem de forma abrupta em cronogramas regulatórios evidenciam a necessidade de evolução do sistema judicial brasileiro. Ele argumenta que magistrados focados exclusivamente em direito regulatório e infraestrutura teriam melhores condições de avaliar os impactos sistêmicos de decisões liminares sobre a modicidade tarifária e a segurança do suprimento energético do país.

A Aneel reiterou que continuará a cumprir estritamente as decisões que venham do TCU ou do Poder Judiciário, mas reforça que o amadurecimento do mercado de energia passa, necessariamente, por regras previsíveis e instâncias de litígio mais técnicas e centralizadas.

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Redação tecflow

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