Resident Evil Veronica Remake: destrinchamos o 1º trailer, segredos e teorias do retorno dos Redfield

O anúncio que os entusiastas do Survival Horror aguardavam há décadas finalmente aconteceu durante a Summer Game Fest. A Capcom encerrou os anos de preces do público, que pedia este projeto antes mesmo do aclamado remake do quarto título, e revelou oficialmente Resident Evil Veronica. Lançado originalmente em 2000 para o Sega Dreamcast, Resident Evil CODE: Veronica expandiu a jornada dos irmãos Redfield.

Na trama clássica, Claire busca por Chris na Europa após o desastre de Raccoon City, acaba capturada pela Umbrella e é enviada para a isolada Ilha Rockfort. Posteriormente, Chris viaja ao resgate da irmã após um alerta enviado por Leon S. Kennedy. Esta radiografia minuciosa do primeiro trailer revelado pela Capcom costura os detalhes estéticos com teorias sobre a narrativa e mecânicas do aguardado remake.

O vídeo promocional se inicia em Paris, no final de dezembro de 1998, precisamente três meses após o colapso de Raccoon City. A capital francesa surge coberta de neve, ostentando em sua linha de horizonte um massivo arranha-céu com o logotipo da Umbrella Corporation.

A filial europeia da Umbrella mantinha uma rivalidade histórica e acentuada, impulsionada por egos corporativos, com a divisão norte-americana. Vale lembrar que foi nesta sede francesa que a arma biológica Nemesis T-Type foi desenvolvida antes de ser despachada para caçar os S.T.A.R.S. Além disso, ganchos narrativos do remake de Resident Evil 4 sugerem que o cientista Luis Serra Navarro trabalhou justamente nesta instalação de Paris. Outro detalhe urbano refinado é a presença do “Café du Parapluie”, ou Café do Guarda-Chuva. Assim como fazia em Raccoon City, a Umbrella financiava e mascarava sua influência através do comércio local, utilizando o patrocínio comercial para subornar autoridades e polir sua imagem de fachada corporativa idônea.

Em um piscar de olhos no primeiro segundo do trailer, a Capcom inseriu um easter egg de alto nível para os fãs mais atentos. Um dos carros estacionados na rua exibe a placa com a identificação 1126 SP 75. O numeral 1126 é o mesmíssimo código utilizado no enigma do quadro do esqueleto pirata nos laboratórios do game original de 2000. Essa inclusão levanta a forte hipótese de que o puzzle clássico pode ter sido removido ou substituído por essa sutil homenagem visual na versão reimaginada.

Logo em seguida, vemos Claire guiando-se por um mapa urbano em busca do apartamento número 12. Ao interfonar, ela é atendida por uma simpática idosa, presumivelmente a senhoria do prédio, que reconhece Claire como a americana que havia telefonado mais cedo e confirma que ela é irmã do inquilino do terceiro andar.

Ao subirem, a senhora menciona que Chris tem agido de forma bastante peculiar ultimamente. Para quem conhece o lore profundo da franquia, o comportamento de Chris faz total sentido, dado que ele simulou um colapso mental para ser formalmente afastado dos S.T.A.R.S., garantindo liberdade para investigar a Umbrella na Europa de forma clandestina. Somado a isso, o herói carregava o estresse pós-traumático do Incidente da Mansão Spencer ocorrido em julho de 1998 e a paranoia natural de ser vigiado.

Essa ambientação cria uma conexão histórica direta com o epílogo de Jill Valentine em Resident Evil 3: Nemesis de 1999, que mostrava a heroína visitando este exato apartamento europeu após fugir de Raccoon City, encontrando o local já completamente vazio.

A senhoria possui a chave reserva e abre a porta do apartamento, revelando um local totalmente revirado. Essa é uma piada interna clássica, já que desde o Resident Evil 2 original as descrições de cenário apontavam que a mesa bagunçada de Chris no departamento de polícia refletia sua personalidade caótica em ambiente doméstico.

Sobre a mesa de cabeceira, há frascos de pílulas que funcionam como indutores de sono ou ansiolíticos, semelhantes aos vistos no apartamento de Jill no remake de Resident Evil 3, além de maços de cigarro que confirmam que Chris mantinha o hábito de fumar visto na icônica abertura em live-action do game de 1996.

O restante do cenário exibe uma jaqueta verde que é sua cor de assinatura, equipamentos de comunicação tática, uma câmera fotográfica para documentar as provas contra a Umbrella e um halter pesado no chão, referenciando a excelente forma física militar do soldado. A ambientação evoca uma atmosfera muito similar à invasão domiciliar adaptada no filme Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City de 2021.

Ao reclamar do desalinho deixado pelo rapaz, a senhoria comenta de forma cômica que havia feito uma limpeza profunda no local na semana anterior e que agora parecia que uma pedra passou rolando por ali. Essa linha de diálogo específica é uma piscadela genial dos roteiristas da Capcom para o meme mais famoso e duradouro da comunidade, que brinca com o fato de Chris socar uma rocha gigante dentro de um vulcão ativo no clímax de Resident Evil 5. A calmaria doméstica é interrompida abruptamente quando a campainha começa a tocar. Pensando ser o técnico responsável pela manutenção do prédio, a idosa vai atender o chamado enquanto Claire continua inspecionando o recinto sozinha. Um ruído suspeito vindo do corredor faz a protagonista olhar pelo olho mágico da porta e, ao não ver ninguém do outro lado, ela decide abrir a passagem, sendo prontamente emboscada e rendida por trás com uma lâmina afiada encostada em sua jugular.

O trailer então transiciona para uma montagem rápida de cenários que promete expandir drasticamente a experiência de exploração do jogador. O vídeo exibe uma densa área arborizada e escura em Rockfort Island. No clássico, o território da ilha era majoritariamente industrial e cinzento, o que leva a crer que esta floresta seja uma releitura expandida da icônica área do pequeno cemitério do game original, trazendo covas recém-abertas e uma atmosfera de horror muito mais orgânica e assustadora, seguindo os moldes do excelente trabalho feito nos remakes de Resident Evil de 2002 e Resident Evil 4 de 2023. Imagens subsequentes de turbinas industriais pesadas apontam para as instalações subterrâneas de treinamento militar em Rockfort ou até mesmo para os complexos da Antártica, enquanto um terminal processando dados na penumbra sugere a sala onde Claire envia o famoso e-mail de socorro criptografado para Leon Kennedy. Em uma tomada perturbadora e simbólica, vemos a clássica cena da libélula tendo suas asas arrancadas para ser devorada por formigas, ilustrando de maneira brilhante o sadismo psicótico que definia a infância de Alfred e Alexia Ashford.

Uma das cenas mais impactantes dessa montagem mostra um oficial militar morto no chão ao lado de uma pistola, vestindo um uniforme que remete fortemente às vestimentas do regime nazista da Segunda Guerra Mundial. Isso não é mera coincidência, visto que historicamente a Capcom concebeu a dinastia Ashford com fortes paralelos à eugenia e ao totalitarismo, inclusive cogitando codinomes baseados em figuras históricas reais daquele período durante a produção original no final dos anos 90. Em termos técnicos de jogabilidade, a arma caída ao lado do cadáver é uma Colt .45, o mesmo modelo empunhado por Claire nas artes conceituais do projeto. Isso sugere que este será o primeiro armamento de fogo coletado pela protagonista ao iniciar sua fuga das celas, alterando o início do game clássico onde ela já iniciava a jornada armada com uma Beretta M92F modificada.

O trailer avança para o pátio de triagem do complexo penitenciário de Rockfort, exibindo cercas de arame farpado, holofotes de vigilância, incêndios ativos que sinalizam o retorno da utilidade mecânica do extintor de incêndio e o grande brasão heráldico da águia da Família Ashford. Originalmente, este é o exato local onde o público conhece Steve Burnside metralhando hordas de zumbis. O vídeo foca rapidamente nas requintadas e ornamentadas pistolas douradas conhecidas como Gold Lugers, que servem tanto como armas de assinatura quanto como chaves para os aposentos da Mansão Ashford. Pouco depois, uma silhueta com capuz revela cabelos ruivos pertencentes à reimaginação de Steve Burnside, o impulsivo jovem de 17 anos que teve seu figurino reformulado para uma estética mais sóbria e condizente com o tom realista adotado na RE Engine.

O icônico salão principal do Palácio dos Ashford surge totalmente redesenhado no trailer. Embora mantenha a fidelidade estética e o imponente retrato a óleo de Alfred Ashford ao fundo, a nova arquitetura agora apresenta duas escadarias laterais de acesso ao andar superior, em contraste com a escadaria única central do clássico de 2000. O vilão Alfred Ashford faz uma aparição misteriosa sem revelar o rosto por completo, mas exibindo mudanças interessantes em seu visual militar, que agora surge adornado com luvas brancas elegantes, um detalhe resgatado diretamente dos esboços conceituais originais de produção que haviam sido descartados no passado devido às limitações do Dreamcast. Após a marcante presença de Lucas Baker em Resident Evil 7, o retorno de um antagonista com traços severos de transtorno dissociativo de identidade promete ser um dos pontos altos da narrativa atualizada.

Retornando à cena da captura de Claire em Paris, vemos finalmente o rosto da heroína em alta definição, utilizando o exato modelo facial introduzido em Resident Evil 2 de 2019, uma escolha lógica visto que cronologicamente apenas 90 dias separam as duas histórias na linha do tempo. O mistério reside na identidade do soldado da Umbrella que a rende por trás. Suas vestimentas táticas pesadas e a imponente voz na dublagem em inglês remetem imediatamente a HUNK, o lendário agente líder do Serviço de Segurança da Umbrella. Embora alguns analistas apontem que o dublador no trailer difira do ator de voz habitual do personagem, a inclusão física do Quarto Sobrevivente na narrativa expandida faria total sentido, dado o vasto histórico de documentos do jogo clássico mencionando que ele operava na ilha e enviava carregamentos de contêineres biológicos confidenciais, incluindo espécimes Tyrant, para os laboratórios particulares de Alfred na Antártica e em Rockfort após ter treinado naquela base militar por dois anos. Se a Capcom optar por manter o cânone estrito, o captor será Rodrigo Juan Raval, o comandante que posteriormente se arrepende e liberta Claire de sua cela após o bombardeio da ilha, criando uma interessante dualidade de teorias na comunidade.

O título oficial perdeu o termo “CODE:”, sendo rebatizado simplificadamente como Resident Evil: Veronica para padronizar a linha cronológica de lançamentos no mercado oriental, onde os remakes recentes seguem a nomenclatura direta de Biohazard RE:2, RE:3 e RE:4. O trailer encerra exibindo as costas da jaqueta vermelha de Claire com a estampa “Let Me Live” e mostrando a jovem trancada em uma cela escura vestindo um colar de monitoramento eletrônico cervical utilizado pela Umbrella para rastrear prisioneiros. No chão da prisão, nota-se um frasco do medicamento Hemostático, confirmando o retorno da famosa missão secundária envolvendo o destino e o tratamento médico de Rodrigo Raval. Com o lema oficial de sobrevivência impresso em sua divulgação, a Capcom confirma que Resident Evil: Veronica tem seu lançamento agendado para 2027, chegando para as plataformas PlayStation 5, Xbox Series X|S, Steam e Nintendo Switch 2, contando com localização e suporte inédito de dublagem e legendas completas em Português do Brasil.

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Redação tecflow

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