

Com desembolsos de R$ 36,3 bilhões no ano passado, setor mostra recuperação puxada pela geração distribuída e eólica, mas enfrenta gargalos como juros altos e o impacto do ‘curtailment’.
O volume de recursos desembolsados para financiar projetos de geração de energia renovável no Brasil registrou uma expansão de 10,6% no ano passado, somando R$ 36,3 bilhões contra R$ 32,8 bilhões reportados em 2024. Apesar do avanço, o montante atual ainda permanece significativamente abaixo do pico histórico registrado em 2022, quando o setor capturou R$ 46,3 bilhões. Os dados fazem parte de um levantamento da consultoria Clean Energy Latin America (Cela), que mapeou operações de bancos públicos, privados, cooperativas de crédito, fintechs e emissões estruturadas via mercado de capitais.
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De acordo com Camila Ramos, CEO da Cela, o cenário atual reflete uma fase de transição complexa. Ela aponta que o financiamento ainda não retornou ao patamar de dois anos atrás devido a desafios reais como os juros altos, o mercado que ainda busca instrumentos para precificar a complementaridade entre fontes e o chamado curtailment sem mecanismo de ressarcimento.
Apesar dessas barreiras, o segmento de geração distribuída se consolidou como a principal locomotiva de captação ao abocanhar a maior fatia do bolo, totalizando R$ 14,7 bilhões. Esse montante, composto quase na totalidade por instalações fotovoltaicas em telhados de residências e comércios, superou a estabilidade de R$ 13 bilhões vista nos dois anos anteriores. O crescimento foi impulsionado pela execução da carteira remanescente de projetos protocolados antes de janeiro de 2023, o que garantiu aos empreendedores os descontos integrais pelo uso da rede estabelecidos pelo marco legal.

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Logo em seguida, a geração eólica consolidou uma forte recuperação ao movimentar R$ 12,5 bilhões, dando um salto expressivo em comparação aos R$ 8,9 bilhões anotados no período anterior. Essas operações foram sustentadas principalmente por contratos no mercado livre de energia e em arranjos de autoprodução, modelo no qual a empresa consumidora se torna sócia da geradora na usina para reduzir o pagamento de encargos. A Cela destaca que a fonte eólica ganhou papel estratégico por produzir em períodos de baixa irradiação solar, oferecendo a previsibilidade necessária para a composição dos novos contratos.
Por outro lado, os projetos de energia solar de grande porte, que englobam a geração centralizada, amargaram uma queda e recuaram para R$ 9 bilhões. Assim como as eólicas, as grandes usinas fotovoltaicas estão pressionadas pelo corte forçado de geração renovável determinado pelo operador do sistema. A ausência de um mecanismo de ressarcimento para a maior parte dessas restrições técnicas transformou-se em uma das principais travas para novos investimentos.
No mercado de baterias, os desembolsos calculados somaram R$ 126 milhões no ano passado, ficando levemente acima dos R$ 117 milhões do ano anterior. Contudo, a consultoria ressalta que esses valores não refletem a real expansão da tecnologia no país. Devido à queda no preço global dos equipamentos e ao fato de serem frequentemente contratados de forma combinada com os painéis solares, os bancos acabam classificando essas operações de armazenamento dentro da própria linha de financiamento fotovoltaico tradicional.
Mesmo diante desses obstáculos de curto prazo, a perspectiva da liderança da Cela para o futuro é positiva. A expectativa é que tanto o armazenamento quanto a energia eólica ganhem ainda mais relevância estratégica nos próximos anos por oferecerem justamente as soluções de estabilidade que o sistema elétrico nacional precisa, o que deve se refletir diretamente em novos e maiores volumes de financiamento.
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Redação tecflow
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