
A disputa global pela infraestrutura digital ganhou um novo capítulo. A União Europeia anunciou um investimento de 260,8 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão) para expandir o sistema de cabo submarino EllaLink até os estados do Pará e Maranhão, criando uma nova rota estratégica entre o Brasil e a Europa sem depender da infraestrutura de telecomunicações dos Estados Unidos.
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O anúncio foi realizado durante o II Fórum de Investimentos União Europeia–Brasil, em Brasília, e faz parte da iniciativa Global Gateway, programa europeu voltado à expansão de infraestrutura crítica em países parceiros.
Brasil pode se tornar novo polo global de data centers
A expansão do EllaLink vai muito além da conectividade.
Segundo a União Europeia, o projeto pretende transformar Pará e Maranhão em novos polos de infraestrutura digital, atraindo investimentos em data centers, computação em nuvem, inteligência artificial, serviços financeiros e processamento de grandes volumes de dados.
Além da extensão do cabo submarino, o projeto prevê a implantação de Smart Nodes, sistemas avançados de cibersegurança, soluções de resiliência digital e monitoramento climático ao longo da nova rota.

Cabo submarino reduz dependência dos Estados Unidos
Desde 2021, o EllaLink conecta diretamente Fortaleza (CE) à cidade de Sines, em Portugal, por meio de um cabo submarino de aproximadamente 5.900 quilômetros.
Antes dessa infraestrutura, boa parte do tráfego de dados entre América Latina e Europa passava por redes instaladas na América do Norte.
Com a nova expansão, a União Europeia busca fortalecer sua estratégia de soberania digital, reduzindo a dependência de rotas internacionais concentradas nos Estados Unidos.
Latência até 50% menor beneficia IA e computação em nuvem
Segundo a EllaLink, a conexão direta pode reduzir em até 50% o tempo de resposta entre determinados data centers europeus e latino-americanos.
Essa redução é considerada estratégica para aplicações que exigem baixa latência, como:
- Inteligência Artificial;
- Computação em nuvem;
- Mercados financeiros;
- Pesquisa científica;
- Streaming;
- Infraestrutura de data centers.
Maranhão e Pará entram no mapa da economia digital
Além da ampliação da conectividade, a expectativa é que os novos pontos de conexão incentivem investimentos privados em infraestrutura tecnológica.
Projetos já discutidos para o Maranhão incluem um novo data center e um trecho submarino entre 350 e 500 quilômetros.
No Pará, estudos apontam uma nova conexão de aproximadamente 425 quilômetros, integrando o estado diretamente à rede internacional.
Especialistas acreditam que isso pode acelerar a chegada de empresas de tecnologia, provedores de nuvem e operações de inteligência artificial à região Norte.
Cabos submarinos tornam-se ativos estratégicos
Mais de 95% do tráfego internacional de dados circula atualmente por cabos submarinos.
Por isso, governos passaram a tratar essas infraestruturas como ativos estratégicos, comparáveis a oleodutos e gasodutos.
Com o crescimento da economia digital, controlar rotas de transmissão de dados tornou-se uma prioridade geopolítica para grandes blocos econômicos.
O investimento europeu no EllaLink demonstra que a disputa global deixou de ser apenas por energia ou recursos naturais. Agora, a conectividade digital também ocupa papel central na estratégia internacional.
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Redação tecflow
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