
Os drones deixaram de ser apenas equipamentos para fotografia aérea ou aplicações na agricultura e passaram a representar um dos maiores desafios para a segurança pública na América Latina. Cada vez mais baratos, fáceis de adquirir e capazes de transportar cargas, esses equipamentos vêm sendo adaptados por organizações criminosas para espionagem, tráfico de drogas e até ataques com explosivos.
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Segundo um relatório elaborado pela Universidade Internacional da Flórida (FIU) em parceria com o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), os drones comerciais estão transformando profundamente o cenário da segurança regional, tornando operações criminosas mais sofisticadas e difíceis de combater.
Crime organizado amplia uso de drones em operações
O estudo aponta que a popularização da tecnologia reduziu drasticamente os custos para grupos criminosos, que passaram a incorporar drones em diversas atividades ilegais.
Entre os principais usos identificados estão:
- Vigilância de forças policiais e militares;
- Transporte de drogas e contrabando;
- Monitoramento de rotas clandestinas;
- Ataques com explosivos improvisados;
- Apoio a disputas territoriais entre facções.
Além do uso por governos e forças de segurança em missões de inteligência, patrulhamento de fronteiras e combate ao narcotráfico, organizações criminosas também passaram a explorar o potencial dos equipamentos para ampliar sua capacidade operacional.
PCC, cartéis mexicanos e grupos armados aparecem entre os exemplos
Especialistas citados no relatório afirmam que diversas organizações criminosas já utilizam drones de maneira sistemática.
Entre elas estão:
- Primeiro Comando da Capital (PCC), no Brasil;
- Cartel Jalisco Nova Geração, no México;
- Dissidências das FARC, na Colômbia;
- ELN (Exército de Libertação Nacional);
- Clã do Golfo;
- Los Lobos e Los Choneros, no Equador.
Segundo o especialista em segurança internacional Jean Paul Pinto, grupos criminosos da região andina já utilizam drones ofensivos contra forças de segurança e até em ataques dentro de presídios de segurança máxima.
Colômbia registra milhares de ataques com drones
A Colômbia tornou-se um dos principais exemplos da rápida militarização dessa tecnologia.
De acordo com dados apresentados no relatório, o país registrou mais de 8.000 ataques com drones ao longo de 2025, realizados principalmente por guerrilhas e organizações criminosas.
Em abril de 2026, um ataque atribuído ao grupo Comandos de la Frontera matou três soldados colombianos e deixou outros dois feridos próximo à fronteira com o Equador, utilizando drones adaptados para transportar explosivos.
Analistas afirmam que o país se tornou um verdadeiro laboratório para o uso criminoso de drones comerciais modificados.
Equador reforça segurança após ataques em presídios

O Equador também vem enfrentando episódios semelhantes.
Entre os casos recentes está a interceptação de um drone carregado com explosivos que seguia em direção ao Centro Prisional El Oro nº 1, em Machala, em março de 2026.
O episódio soma-se a outros ataques registrados em penitenciárias do país, onde drones passaram a ser utilizados tanto para transporte de materiais ilícitos quanto para ações ofensivas contra unidades prisionais.
Países investem bilhões em sistemas antidrones
Diante da escalada das ameaças, governos latino-americanos começaram a reforçar suas estratégias de defesa.
A Colômbia anunciou, em janeiro de 2026, um programa nacional equivalente a cerca de R$ 8,47 bilhões destinado à aquisição de sistemas capazes de detectar, rastrear e neutralizar drones utilizados em ações criminosas.
O plano prevê:
- Compra de equipamentos antidrones;
- Reforço da proteção de bases militares;
- Criação de unidades especializadas;
- Ampliação da guerra eletrônica;
- Monitoramento permanente do espaço aéreo.
Além disso, o governo colombiano endureceu as regras para importação de drones comerciais.
Cooperação internacional ganha força
Especialistas defendem que apenas investimentos em tecnologia não serão suficientes.
Segundo eles, a cooperação entre países será fundamental para compartilhar inteligência, desenvolver sistemas antidrones mais acessíveis e atualizar as legislações diante da rápida evolução tecnológica.
Chile e Argentina também avançam em novos marcos regulatórios para integrar o uso seguro dos drones ao espaço aéreo nacional, enquanto ampliam parcerias com organismos internacionais especializados em aviação civil.
Tecnologia que beneficia diversos setores também amplia riscos
Apesar das preocupações, os drones continuam desempenhando papel importante em diversas atividades econômicas, especialmente na agricultura, logística, inspeção de infraestrutura e monitoramento ambiental.
No entanto, especialistas alertam que a mesma tecnologia que impulsiona produtividade também pode ser facilmente adaptada para atividades criminosas, tornando indispensável o fortalecimento da fiscalização, da regulamentação e das capacidades de resposta dos governos.
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Redação tecflow
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